CONTEÚDO APRESENTADO POR JORDAN

Thiago Veigh lembra que o primeiro tênis Jordan que vestiu foi emprestado por um amigo para a gravação de um clipe. “Sempre profetizei a minha vida através da música”, diz o artista de apenas 25 anos, hoje um dos grandes nomes da indústria nacional. “Gosto de cantar sobre minhas vivências. Já cantei muito sobre coisas que eu não tinha. Hoje, canto sobre o que eu tenho.”

É a primeira vez que uma seleção de futebol vai jogar vestindo a marca. Durante o ensaio das fotos que acompanham esta reportagem, Veigh se mostra realizado por ter sido convidado para ser o primeiro artista no país a vestir a camisa criada pela Jordan em parceria com a Seleção Brasileira para o torneio. A peça, que causou burburinho nas redes sociais muito antes de seu lançamento, tem um design disruptivo e uma paleta de azuis escuros e intensos. Sua estampa foi inspirada nos predadores que vivem nas florestas brasileiras, enquanto o material é ainda mais respirável devido a uma nova tecnologia: o tecido Aero-FIT, capaz de canalizar mais que o dobro do fluxo de ar das roupas esportivas, ajudando a alcançar o máximo desempenho em campo.

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Camisa, Jordan Brasil. Calça, Jordan. Brincos, colar e anéis, tudo PtZ. Pulseira, Crayons. Cinto, acervo ELLE. Tênis, Jordan.

Em certo momento, Veigh saiu do camarim usando o item e o Jordan Ultra, tênis exclusivo da coleção, além de um piercing no formato do Jumpman, o logo da grife, visivelmente orgulhoso. Esporte, aliás, nunca foi detalhe na sua trajetória. O rapper anda de skate desde criança, quis ser jogador e pratica boxe. “Costumo dizer que estar envolvido com esportes desde pequeno salvou minha vida”, afirma.

Natural de Itapevi, na região metropolitana de São Paulo, cresceu entre a igreja – onde a mãe cantava no coral – e o bar do pai, ouvindo piseiro e forró o dia inteiro. Desde pequeno, Veigh entende o significado de jogar sinistro, o mote da campanha da Jordan. “Tem que ter raça, confiar no seu corre e ir pra cima independente das dificuldades para fazer acontecer. Lembro de toda a garra que sempre precisei ter em toda a minha carreira”.

Ele lançou sua primeira música aos 17 anos e não parou mais. Em 2022, apresentou o disco de estreia, Dos Prédios. A versão deluxe, de 2023, alcançou o primeiro lugar do Spotify Charts global. Em 2025, saiu Eu Venci o Mundo. Hoje, ele acumula mais de quatro bilhões de reproduções nas plataformas digitais.

O artista integra um movimento recente – e já bastante relevante – de consolidação do trap no Brasil. Em 2024, esse avanço ganhou contornos emblemáticos: ele se apresentou três vezes na mesma edição do Rock in Rio e uma vez na de Lisboa. 

Esse caminho de sucesso começou a se legitimar em 2021, quando Veigh  fundou a gravadora Supernova Entertainment ao lado do produtor Nagalli. “Comecei a receber muitos convites de gravadoras já estruturadas, de lugares que tinham um movimento acontecendo. Mas queria fazer as coisas do meu jeito”, lembra. Ao lado de amigos e parceiros profissionais, acreditava ser possível construir algo do zero. O esforço valeu a pena. “Aprendemos tudo na raça, com mais dificuldade, mas com a certeza de que aquilo tudo era real.” Hoje, essa liberdade e autonomia não só permitem pensar com mais delicadeza sobre a própria carreira, como também apontam para uma nova forma de fazer negócios em música no Brasil. 

No dia do ensaio que acompanha essa reportagem, conversamos com o rapper sobre tudo. Desde seu amor por moda e por camisas de time até sua carreira, seus sonhos e a garra necessária para chegar aonde chegou.

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Camisa, Jordan Brasil. Calça, Jordan. Brincos, colar e anel, tudo PtZ. Tênis, Jordan Ultra.

Hoje estamos fotografando a primeira camisa do Brasil patrocinada pela marca Jordan. A camisa traz uma paleta azul escura e intensa, mostrando que o Brasil “Joga Sinistro”. Esse design disruptivo nunca foi abordado antes na seleção e eleva a grandeza do Brasil junto à marca Jordan. Você foi escolhido especialmente para ser a personalidade para vestir essa camisa. O que isso significa? Você também tem essa garra de quem “Joga Sinistro”? 

Para mim é muito importante, até pelo que a marca Jordan representa: um atleta como o Michael Jordan, um dos maiores da história, e ainda mais estando junto da Seleção Brasileira. Me sinto honrado de verdade por fazer parte de um movimento desse tamanho. É algo grandioso mesmo. É muita história envolvida. Eu lembro da quebrada, de quando era mais novo e assistia ao “Joga Bonito”, aquele futebol de rua que a gente vivia na prática, driblando, se divertindo. Com o tempo, você vai entendendo também o “Joga Sinistro”, que é a vida adulta – mais complicada, mais cobrança. Tem que ter raça, acordar cedo, trampar no seu corre para fazer acontecer. Carregar essa dualidade é muito forte para mim. Entender de onde eu vim e tudo que precisei enfrentar para estar aqui. Foi muita garra para chegar até esse momento.

Além da novidade da parceria de Jordan com a Seleção Brasileira, a campanha da marca também constrói a narrativa sobre uma seleção que ameaça os adversários, que é um risco, um perigo, que causa medo. Isso mostra a força do Brasil quando o time entra em campo, tendo origem na grande preparação dos jogadores, da raça e da vontade de ganhar. E na sua vida? A vontade de ganhar também te motiva?

Pô, com certeza. Eu acho que essa vontade de ganhar está na vida de todo brasileiro que acorda cedo, pega ônibus e sai pra fazer acontecer. Isso já é uma vitória diária. Fico muito feliz de fazer parte desse movimento hoje, porque essa garra sempre esteve comigo. Mas eu também sei que ninguém faz nada sozinho. Tem um time à minha volta que faz tudo acontecer. Eu sempre falo: vencer com meus amigos, vencer com o meu time, é muito melhor do que vencer sozinho. Eu quero ganhar, claro – e às vezes é ganhar até de mim mesmo, provar que eu consigo, que tudo que conquistei é por merecimento. Mas, mais do que competir, o que pega pra mim é puxar meu time junto, trazer os moleques da minha quebrada pra dentro da minha gravadora e fazer um movimento em que todo mundo sobe junto. Isso, pra mim, é maior que qualquer disputa.

Ainda falando de Brasil, você tinha apenas um ano quando a Seleção ganhou o último Mundial. Como você acha que será a emoção de ver a Seleção Brasileira ganhar o hexa? 

Vai ser incrível demais. A força que a gente tá levando pra essa Seleção vai pesar, pode acreditar. Num momento em que tem tanta gente dividida, cada um pensando de um jeito, a união vira nossa maior potência. É hora de parar, se juntar e torcer por uma parada só, todo mundo no mesmo objetivo, tá ligado? Na quebrada isso sempre foi muito forte. Tenho foto da Copa passada pintando a rua com a criançada, organizando tudo, fazendo aquele movimento bonito. Não importa o time que cada um torce, nem o rolê depois – na hora do jogo tá todo mundo junto, parado ali pra ver o que vai acontecer. Esse sentimento de união é o que mais alimenta a vontade de vencer. É isso que fortalece. E eu acredito que a gente tem que trazer cada vez mais essa energia pra somar e fazer acontecer.

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Brincos e colar, PtZ. Camiseta, Jordan Brasil.

Como o esporte faz parte da sua vida?

O esporte sempre fez parte da minha vida. Desde os 8, 9 anos eu já andava de skate, jogava bola na rua, e hoje faço boxe. Sempre esteve comigo. E mais do que lazer, foi uma escola pra mim. Desde novo eu aprendi que, não importa aonde você chegue, tem que cumprimentar todo mundo – seja do seu time, na pista de skate ou no lugar de treino. O esporte me ensinou união, respeito e educação. Carrego isso pra vida. Então, se eu puder investir em esporte, criar um movimento na minha quebrada, fortalecer um time, envolver a criançada em alguma parada ligada a isso, pra mim é essencial. Eu costumo dizer que o esporte me salvou bastante.

Como o esporte se relaciona com a moda para você? As jerseys são peças do seu guarda-roupas?

O Brasil, sendo o país do futebol, tem muito forte essa cultura da camisa de time. Quando eu trampava na 25 de Março, eu vendia camiseta também – réplica, desculpa aí, rapaziada! (risos) Mas eu já olhava além da venda. Eu queria saber qual era a mais bonita, qual time tinha lançado uma parada diferente. Sempre pensei na camisa como parte do look. Tipo, qual dava pra montar uma roupa maneira pra ir pra escola, pra ir numa festa, pra colar num rolê. Seja num visual mais arrumado ou mais simples, dá pra encaixar uma camisa de time e deixar tudo com mais personalidade.

Vemos pelas suas redes sociais que você gosta bastante de acessórios, como correntes, bonés e tênis. Você sempre gostou de moda ou foi algo que descobriu junto com o crescimento da sua carreira?

Eu sempre gostei de moda. Via os clipes dos artistas que eu curtia e reparava como eles estavam vestidos, como cada detalhe dizia alguma coisa. Desde novinho escuto muito hip hop, então as roupas mais largas, o cabelo diferente, esse jeito de se expressar, sempre fez parte de mim. Futebol, moda e rap sempre andaram juntos na minha vida. Era natural. E, conforme minha carreira foi crescendo, eu comecei a entender que se vestir bem também é ferramenta. Tem lugar que você chega e a roupa já abre caminho. Às vezes, antes mesmo de você falar, a roupa já falou por você. Ela mostra o que você escuta, o que você faz, o que você curte, qual é a sua visão.

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Camisa, Jordan Brasil. Brincos, colar e anéis, tudo PtZ.

Puxando o gancho sobre carreira, li que sua mãe cantava na igreja e seu pai produzia caixas de som. O quanto isso te influenciou a fazer da música a sua profissão?

Influenciou tudo. Na igreja, eu sempre via minha mãe cantar. Eu tinha um pouco de vergonha, mas, sempre que podia, estava fazendo alguma coisinha ali envolvendo música. Meu pai tinha um bar, então rolava forró e piseiro o dia todo. Ele também produzia umas caixas de som para vender, é algo que eu sempre tive muita proximidade. Acho que por isso eu gosto muito de teclado, de piano. Ter acesso à música desde muito novo com certeza me moldou. 

Você tinha apenas 17 anos quando lançou sua primeira track, né? Qual foi o sentimento de jogar ela pro mundo?

Pô, antes era tudo mais simples, bem mais tranquilo. Eu não tinha tanto compromisso, tanta responsabilidade. Eu achava que a música podia me colocar em alta em algum momento da minha vida, mas não tinha aquela propriedade toda, aquela certeza mesmo. Quando eu lancei a primeira, foi muito louco. Eu gravei sem nem saber que nome ia dar pra música, sem saber qual nome artístico eu ia usar. Era tudo muito no impulso. Hoje é diferente. Eu paro pra pensar no que vou falar, se quero tocar em algum ponto sensível ou se quero só fazer uma música pra geral curtir. Sei que tem muita gente me vendo, muita gente esperando alguma coisa – às vezes até esperando eu errar. Antes não tinha essa pressão. Eu só colocava a música na rua e via no que ia dar. Lembro dos meus primeiros mil views… Pra mim, foi incrível.

Sobre o que você mais gosta de cantar?

Eu gosto muito de cantar sobre as minhas vivências, sobre o que eu vejo à minha volta. Já cantei sobre coisas que eu não tinha também. Hoje eu canto sobre coisas que eu tenho. Sempre profetizei a minha vida através da música. Eu cantava sobre um carro que eu não tinha e depois consegui ter. Cantava sobre lugares que nunca tinha ido. Lancei Londres Freestyle quando eu tava em Londres e falei sobre Londres, tá ligado? Sendo que, lá atrás, eu nem imaginava que um dia ia sair do país – e já cantava sobre viajar. Eu canto sobre tudo que eu quero cantar, essa é a realidade. Sou muito livre com isso. Não tenho muito o que esconder, não.

Agora me conta um pouco da Supernova, o que te levou a lançar uma gravadora independente? 

O que me levou foi a necessidade de fazer um movimento com pessoas que eu gosto e acredito. No começo foi difícil, porque comecei a receber convite de gravadora já estruturada, lugar que já tinha tudo pronto, e eu sempre fui meio inseguro com isso. Eu tinha amigos do meu lado, que realmente acreditava, e eles acreditavam em mim também. A gente sentia que dava pra construir algo do zero. E foi muito mais difícil sair do nada e criar uma gravadora, com certeza. A gente aprendeu tudo na raça, com mais dificuldade, mas com a certeza de que era nosso, que era real. Quando começou, era só o nome e o logo. Depois veio a casa, o estúdio, o segundo estúdio. Hoje tem prédio, tem até academia. Você vai almoçar na copa e tem mais de 50 pessoas trabalhando lá dentro, fora a equipe dos shows. E o mais incrível é que os artistas são da minha quebrada. Olho pra tudo isso e vejo que foi mais difícil, mas foi mais verdadeiro. Posso falar que tenho uma gravadora, sócios que são meus amigos, e que a gente construiu tudo junto. Eu entendi que precisa passar pela escuridão pra ver o nascer do sol. Poder contar essa história é muito forte, porque volta naquilo: vencer junto com quem eu gosto.

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Camiseta, Jordan Brasil. Calça, Levi’s. Jaqueta, FORCA. Brincos, colar e pulseiras, tudo PtZ. Tênis, Jordan Ultra.

Ter sua própria gravadora mudou a sua forma de criar, te deu mais liberdade? 

Totalmente. Se, por exemplo, eu não quero fazer show porque preciso pensar na minha carreira com mais calma, com mais atenção, hoje eu consigo sentar e trocar ideia com as pessoas que estão à minha volta. Existe diálogo. Se eu sinto que preciso lançar um clipe porque acredito muito nele, vai ter alguém que vai falar: “Pô, se você acredita, a gente vai fazer dar certo”. E a gente faz. Eu não seria quem eu sou sem a minha gravadora. E a gravadora também não seria o que é sem o que a gente conquistou na minha carreira. É uma construção conjunta, lado a lado.

Como sua carreira mudou nos últimos anos? 

Estar aqui hoje falando com vocês, numa revista, é algo muito incrível pra mim. É uma mudança absurdamente grande. Eu lancei meu segundo álbum agora, ainda é pouco tempo de carreira, mas eu consigo ver o quanto eu cresci. O primeiro álbum foi uma parada muito grandiosa na minha vida. Esse segundo eu lancei com mais responsabilidade, com mais certeza do que eu quero falar. Eu canto muito sobre minhas profecias, sobre as coisas que eu conquistei. E não é só material, é pessoal também. O Thiago de antes e o de agora não são a mesma pessoa. Eu sei que, pra muita gente, essa mudança parece muito rápida – e às vezes nem eu entendo direito. Mas fico feliz demais de poder dar uma condição melhor pra minha família, ter minha casa, conquistar o carro que eu sempre sonhei, viver de música. Às vezes, à tarde, no horário em que eu estaria trampando, eu paro e penso: só de estar aqui fazendo o que a gente ama, a gente já venceu.

Créditos:

Fotos: Jonathan Wolpert
Editora de moda: Suyane Ynaya
Beleza: Angel Moraes
Direção de Arte Cenográfica: Anderson Rodriguez
Produção de moda: Gustavo Souza e Thiago Torres
Produção de arte: Cassio Onohara
Produção executiva: Izabela Ribeiro
Direção de movimento: Nayane Fernandes
Assistentes de foto: Pedro Macimo, Vitor Cohen e Nicolas Parfenovas
Manicure: Thayna Dandara
Assistente de cenografia: Karen José
Assistente de produção: Gustavo Brito