Capa da ELLE View impressa, Nanda Tsunami está em seu melhor momento
Vestindo a nova coleção de Pool Jeans, Nanda Tsunami mostra como atitude e amor-próprio a levaram para os lugares com os quais ela sempre sonhou.
CONTEÚDO APRESENTADO POR POOL JEANS
Nanda Tsunami não acredita no acaso – ela fala que nada na sua vida mostra que ele existe. Nascida Fernanda Xavier Ferreira Santana, a paulistana foi criada pelas ruas do entorno da 25 de Março, no centro da cidade, onde seus pais trabalhavam em um comércio. E sempre soube que queria fazer algo de relevante na vida, só não havia descoberto exatamente o quê. “Sabia que minha cabeça funcionava de um jeito muito específico e que deveria compartilhar isso com as pessoas”, conta a rapper, dona de um dos maiores hits dos primeiros meses de 2026, “P.I.T.T.Y (Parecendo uma cafetina)”. Antes mesmo de saber escrever, ela já inventava histórias, desenhava narrativas e ensaiava, sem saber, o que viria a ser a sua principal ferramenta: a palavra.
Nas fotos desta matéria e em uma das capas desta edição da ELLE View, Nanda imprime seu estilo pessoal por meio das peças da nova coleção da Pool Jeans (leia mais sobre na reportagem “Rua soberana”, pág. 60). É nítido que ela está muito confortável em seu corpo e na forma como se apresenta para o mundo – um dos pilares desse novo momento da marca. Mas nem sempre foi assim. “Eu não via a moda como uma possibilidade. Quando fui crescendo, entendendo o meu biotipo, o que eu gostava de usar, o que me vestia melhor, eu passei a enxergar a moda como política. É algo quase espiritual trazer beleza para o mundo”, diz. “Hoje vejo que eu preciso estar muito segura, acreditar em mim mesma, para chegar a esse lugar de amor-próprio.”

Camisas, lenço (usado como gravata) e calça, tudo Pool Jeans - Riachuelo.

Jaqueta, colete e calça, tudo Pool Jeans - Riachuelo. Braceletes e cinto, Yar.
Seu despertar para a música veio em 2018, aos 18 anos, quando conheceu a artista Ajuliacosta. O período também ficou conhecido como o “ano lírico” do rap paulistano e foi marcado pela valorização técnica, escrita refinada e rodas de rimas (ou cyphers) complexas. “Foi nesse momento que a cena começou a ganhar força novamente em São Paulo, e eu passei a entender melhor como tudo funcionava.” Mais ou menos na mesma época, as vozes femininas começaram a ganhar fôlego no gênero musical. Nomes como Ebony, Duquesa, Tasha e Tracie e até a própria Ajuliacosta despontaram. “A cena masculina já estava bem estabelecida. As garotas chegaram sendo mais reais, gerando identificação. Temos mulheres falando de diversos assuntos, cada uma tem sua particularidade e isso abre espaço”, acredita.

Jaquetas, casaco e calça, tudo Pool Jeans - Riachuelo. Brincos, Betty Brand. Sapatos, Santa Lolla.

Camisa, Pool Jeans - Riachuelo. Anel, Swarovski. Braceletes, Yar.
O período ainda coincidiu com o fim de um relacionamento amoroso tóxico e o início da pandemia. “Tive que descobrir de uma forma muito crua o que tinha acontecido e o que eu estava sentindo. Como não tinha a possibilidade de sair de casa, eu comecei a compor”, diz. Mesmo assim, a insegurança falou mais alto por um tempo. Nanda chegou a lançar algumas faixas, mas acabou seguindo outro rumo profissional, trabalhando com tecnologia e tentando encaixar a música em segundo plano. “Não tinha autoestima para sustentar aquilo. Pensava: ‘Vou falar sobre o quê?’.” Na primeira composição que escreveu, “Novinho chora”, ela diz: “Se envolve com bandida/ Se não aguenta, sai fora/ É sério, fica suave e qualquer coisa me esquece”. “Nessa música, a Nanda fala para a Fernanda. Me expressei como eu achava que tinha que ter agido, e não como eu agi. Era como se minha persona fosse muito mais empoderada do que eu”, comenta.
“Tive que descobrir de uma forma muito crua o que tinha acontecido e o que eu estava sentindo. Como não tinha a possibilidade de sair de casa, eu comecei a compor.”

Jaqueta, Pool Jeans - Riachuelo. Brincos, Betty Brand.
Antes do primeiro lançamento, a rapper começou a ser reconhecida no rap underground, cena em que, sempre que podia, se apresentava. “Minha autoestima ainda era muito baixa. Eu não achei que conseguiria, mas continuei tentando.” Em 2023, após um período marcado por depressão, ela retomou o contato com amigas, com a rua e, principalmente, consigo mesma. E foi dessa reaproximação com o cotidiano que nasceu Tsunami season, EP lançado em outubro de 2024. O título não é à toa: a artista descreve sua criatividade como algo que surge em ondas intensas.
O ponto de virada de sua carreira musical, porém, veio só em 2025. Foi o ano em que ela apresentou É disso que eu me alimento, seu primeiro álbum. Alguns meses depois, o rapper Niink lançou um desafio de open verse, em que ele abriria um espaço em uma música para algum novo talento rimar. Um dia antes de gravar sua participação, Nanda ouviu de um rolo da época que ela deveria “parar de achar que estava na série Sex and the city”. “Aquilo me pegou. Eu tirei meu tempo para conversar com a pessoa antes de um dia importante e tive que ouvir isso. E ele era realmente um homem muito alto. (risos) Aí eu pensei no que Carrie Bradshaw (protagonista da série) falaria. Foi assim que nasceu meu verso mais famoso.”

Top, calça e cueca, tudo Pool Jeans - Riachuelo. Colares, Swarovski. Anéis, Hector Albertazzi.

Jaquetas, camisa e jorts, tudo Pool Jeans - Riachuelo. Brincos, Betty Brand. Sapatos, Fernando Pires.
A frase em questão é a seguinte: “Gosto dos homens igual eu gosto dos meus sapatos: calados, bonitos e altos”. Foi com ela que a artista venceu o desafio e nasceu “P.I.T.T.Y (Parecendo uma cafetina)”, o maior hit de sua carreira até agora, acumulando mais de 37 milhões de plays no Spotify. A canção conta com um sample da música “P.I.M.P”, do estadunidense 50 Cent, e ganhou até trend em vídeo nas redes sociais. O prêmio incluía também a produção de uma track pela gravadora Supernova Entertainment (fundada pelo rapper Veigh) e um videoclipe. “Lançamos a música no dia 17 de outubro e ela foi a primeira que realmente bateu de cara com o público. Postamos o vídeo e percebemos uma repercussão que não era costumeira”, lembra.
De outubro de 2025 para cá, a vida de Nanda Tsunami virou de ponta-cabeça. Ela lançou o clipe de “Faço acontecer”, em fevereiro, lotou duas noites na Casa Natura Musical, em março, e foi selecionada pelo selo Radar do Spotify, que amplifica novas vozes. A cantora também vem se destacando por tratar de temas como sexualidade e espiritualidade de forma verdadeira e autêntica. “Ou você é colocada num lugar superconservador ou hipersexualizado. E eu fico pensando: cadê o meio-termo? Eu sou um universo inteiro, e isso também inclui o desejo”, afirma. “No começo, eu achava contraditório falar de espiritualidade e de sexo na mesma música. Depois entendi que tudo que vem de dentro de mim é espiritual.”

Camisas (uma delas na cintura) e calça, Pool Jeans - Riachuelo. Brincos e anel, Swarovski. Braceletes, Yar. Sapatos, Santa Lolla.

Macacão, top e lenço, Pool Jeans - Riachuelo. Brincos, pulseiras e anéis, tudo Riachuelo. Sapatos, Fernando Pires.
“O empoderamento, para mim, é isto: é ter o direito de falar coisas sérias, mas também coisas fúteis. De ser uma garota às vezes sentimental e às vezes mais dura.”
Atualmente, a rapper começa a colher os frutos de um processo que vem sendo construído aos poucos nos últimos anos. Nanda não acredita em acaso, como eu disse no começo da reportagem, pois pediu para o universo que oportunidades melhores surgissem. Em seguida, veio o viral. Mas ela reconhece que tudo que aconteceu parte de um conhecimento profundo de quem ela é – e da maneira de expressar isso para o mundo. “Quero ter o direito de ser o que eu quiser com muita liberdade. O empoderamento, para mim, é isto: é ter o direito de falar coisas sérias, mas também coisas fúteis. De ser uma garota às vezes sentimental e às vezes mais dura.”

Jaquetas e jorts, Pool Jeans - Riachuelo. Brincos, Yar.
Créditos:
Foto: Hudson Rennan
Edição de moda: Suyane Ynaya
Beleza: Silvio Giorgio (Capamgt), com produtos Chanel Beauty, Keune Haircosmetics Brasil e Dior Beauty
Produção de moda: Gustavo Souza e Thiago Torres
Cenografia: Ricardo Ishihama
Produção executiva: Izabela Ribeiro
Tratamento de imagem: Vetro Retouching
Assistentes de foto: Gregório Zelada e Pedro Saad
Assistente de moda: Helena Monteiro Mussi
Assistentes de beleza: Mabatha Ndiaye e André Velmont
Assistentes de cenografia: Patrick Ferreira e Isaque Nascimento
Manicure: Geovanna Souza
Assistente de produção executiva: Ronaldo Junge
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