Com uma nova loja em Ipanema, Zerezes faz questão de dizer que é brasileira
Nova flagship da Zerezes, na Rua Garcia d’Ávila, representa um ponto de virada no posicionamento da marca de óculos carioca.
Nesta semana, a Zerezes concluiu um passo importante em sua trajetória: a inauguração de uma flagship e de um novo escritório na Rua Garcia d’Ávila, no Rio de Janeiro. A abertura e a localização são simbólicas do posicionamento da marca de óculos e de suas ambições.
O endereço, no bairro de Ipanema, já foi conhecido por concentrar lojas de grandes grifes internacionais. Hoje, os inquilinos são etiquetas que viraram emblemas da moda brasileira. A vizinha de porta é a Farm (a Farm Etc, para ser mais preciso). Depois vem a Granado, a Dengo, do outro lado da rua está a Sauer e, mais adiante, a Misci.
Durante um tour pelo espaço, na manhã de terça-feira (07.04), os sócios Rodrigo Latini e Luiz Rocha ressaltaram algumas vezes a importância e o orgulho de fazer parte dessa vizinhança. Referências brasileiras – sobretudo ao modernismo brasileiro – sempre fizeram parte do repertório da Zerezes, só demorou um tanto para serem entendidas e tratadas como um diferencial.

A nova loja da Zerezes, em Ipanema. Foto: Divulgação/Brenno Del Bosco
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A história começa 14 anos atrás, com um projeto de faculdade dos amigos Luiz Rocha e Hugo Galindo (os sócios-fundadores), ambos formados em design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). A ideia era criar um produto distinto do que já havia no mercado e alinhado às tendências de comportamento e consumo em ascensão. O resultado foram óculos de sol feitos de madeira reaproveitada. E as pessoas gostaram.
No boca a boca, o negócio engrenou. As peças eram feitas em pouquíssima quantidade, muitas vezes no laboratório de prototipagem do curso, sem recurso e/ou investimento externo. Até que em 2014, a Farm fez um pedido de 150 modelos. Com o dinheiro da compra, a exposição e a chancela, o empreendimento deslanchou. Foi nessa época que veio o primeiro ponto de venda físico: uma loja temporária – que acabou virando permanente – junto à etiqueta de calçados Odde no Fashion Mall.
“A gente sabia que a madeira que nos deu tanta projeção era uma tendência e uma hora esse interesse iria diminuir”, diz Luiz. Para continuar crescendo, explica ele, era necessário expandir o repertório. Rodrigo (amigo de infância de Hugo) entrou na sociedade nessa época. Em 2017, um ano depois da sua chegada, a Zerezes abriu sua primeira loja própria e individual, no centro do Rio de Janeiro.
A expansão no varejo foi acelerada. A alta demanda também incentivou o trio a estudar com mais atenção o mercado de óticas. Foi aí que eles perceberam a oportunidade de explorar os óculos de receituário como acessórios de moda. Ao descomplicar o atendimento, simplificar a oferta e reduzir os custos de produção das lentes, a marca quer mudar a percepção e a relação das pessoas com tais itens. A ideia é poder trocar de óculos assim como trocamos de roupa. De acordo com nosso humor, look ou ocasião.

A nova loja da Zerezes, em Ipanema. Foto: Divulgação/Brenno Del Bosco
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Encontrar um denominador comum para um catálogo em constante expansão não foi exatamente difícil. “Sempre soubemos o que faz sentido para o nosso estilo”, fala Rodrigo. Apesar das inovações, alguns elementos são perenes: os formatos considerados (nem pequenos, nem grandes demais); o equilíbrio entre geometria e organicidade; as tonalidades suaves das lentes (puxadas para verdes, marrons e amarelos); as cores fechadas ou neutras das armações.
O foco, até então, era se posicionar como um agente de moda. Na vitrine da loja, está escrito “até dói chamar de ótica”. Colaborações com criadores e grifes do meio não foram poucas. Em paralelo, rolaram parcerias com instituições culturais, como o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). O que faltava era um entendimento nítido do que tudo isso representa.
Não mais: “A abertura dessa flagship marca um momento muito claro de maturidade da Zerezes”, fala Rodrigo. “Hoje, temos mais clareza sobre o que o nosso design comunica: não apenas estética, mas cultura, repertório e identidade.” E os planos futuros pretendem reforçar tal posicionamento com bastante ênfase.
Luigi Torre viajou ao Rio de Janeiro a convite da Zerezes.
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