Indo bem direto ao ponto, as principais notícias de moda da última semana foram a estreia da Pace na passarela e os desfiles da Hermès e da Zegna, ambos em Los Angeles – sim, a Dior também apresentou uma coleção lá recentemente (a de cruise 2027). Está rolando um momentinho California dreamin, que se explica pela importância do mercado estadunidense para as marcas de luxo, pela influência do estilo preppy e do sportswear americano e pelo cenário idílico, bastante atraente em tempos caóticos como os de agora. Voltando, acredito que esses três assuntos foram devidamente abordados pelos editores Gabriel Monteiro e Giuliana Mesquita no site da ELLE Brasil. Isso posto, resta apenas Madonna e o filme Confessions II, exibido na sexta-feira (05.06) no Festival de Tribeca, em Nova York.

RE-SEE: Madonna Confessions II

Madonna no vídeo de Confessions II. Foto: Divulgação

Confessions II é também o nome do novo álbum da cantora, com lançamento previsto para 03 de julho. É meio que a sequência de Confessions on a dance floor, de 2005. O curta, dirigido pelo duo Torso, de David Toro e Solomon Chase, funciona como um teaser do disco, com suas seis primeiras faixas. Há referências de vários outros trabalhos da artista: “Deeper and deeper”, “Justify my love”, “Sorry”, “Celebration”, “Human nature”, “Hung up”, “Ray of light”, Madame X, Procura-se Susan desesperadamente… Daria para passar horas aqui, mas vamos focar. Tem ainda uma penca de celebridades (Odessa A’zion, Shygirl, Arca, Kate Moss, Benedict Cumberbatch, João Pedro, Julia Garner, Debi Mazar, Honey Dijon, Gwendoline Christie e Lourdes Leon) e um tanto de publicidades mais ou menos indiretas.

Gueis reconhecerão o logo do Grindr na cabine do banheiro. O show surpresa da cantora na Times Square, na quinta-feira (04.06), foi transmitido ao vivo no aplicativo de relacionamento/pegação. Mais expressiva é a parceria com a Dolce & Gabbana. O figurino da maioria do casting é assinado pela etiqueta italiana, há produtos da linha de beleza da grife em algumas cenas e Madonna veste itens exclusivos, de arquivo ou inspirados neles. O vestido azul plastificado, por exemplo, é uma interpretação de uma peça do verão 1998 – a cor faz referência ao casaco da marca usado pela artista na capa do álbum Ray of light (1998). Na parte da boate, com Sabrina Carpenter, o top com cristais é do inverno 1991. 

Semanas atrás, escrevi aqui sobre a proximidade da indústria da moda com a do entretenimento. O contexto era o desfile de cruise 2027 da Dior que aconteceu em Los Angeles e teve todo um pano de fundo cinematográfico. O filme da Madonna é outro exemplo, agora com viés musical. 

Porém nada disso é novidade (nem os lasers saindo da região pélvica). No videoclipe de “Express yourself” (1989), Madonna contou com a colaboração de Jean Paul Gaultier, estilista por trás do famoso bustiê da turnê Blond Ambition. Teve a suposta parceria (que deu ruim) entre Thierry Mugler e George Michael em “Too Funky” (1992). Alexander McQueen dirigiu o clipe de “Alarm Call” (1998), da Björk. Tom Ford e Mugler apoiaram produções de Lady Gaga. 

A relação já existia. Mudaram os contratos, as estratégias, os compromissos, os investimentos e a necessidade de ação conjunta. Além dos figurinos, a Dolce & Gabbana foi um dos maiores contribuidores de Confessions II. Bem antes, em setembro de 2024, a coleção de verão 2025 da casa foi uma homenagem à cantora – com quem os designers Domenico Dolce e Stefano Gabbana colaboram há quase 40 anos. No desfile de inverno 2026, em fevereiro, Madonna sentou na primeira fila, ao lado de Anna Wintour, e ainda gravou um vídeo promocional do novo álbum. O curta-metragem foi disponibilizado no YouTube às 12h de ontem. Minutos depois, chegaram e-mails com informações sobre os looks. A marca é a primeira na lista de apoiadores nos créditos finais.

Luigi Torre

Luigi Torre é diretor de reportagem de moda da ELLE Brasil.
Texto originalmente publicado na newsletter RE-SEE, enviada às terças-feiras.