A Odisseia: Christopher Nolan adapta uma das maiores histórias da humanidade
Superprodução reúne Matt Damon, Anne Hathaway, Zendaya, entre outros grandes nomes de Hollywood no elenco.
Há poucos diretores capazes de transformar qualquer novo projeto em um acontecimento cinematográfico. Christopher Nolan é um deles. Depois de conquistar sete estatuetas do Oscar com Oppenheimer (2023), o britânico retorna às telas com um desafio ainda mais ambicioso: a adaptação de A Odisseia.
O poema épico grego atribuído a Homero é considerado um dos pilares da literatura ocidental. Foi escrito há quase três milênios, mas trata de temas atemporais, como amor, guerra, identidade e poder.
Com estreia nesta quinta-feira (16.07), o longa tem um orçamento de 250 milhões de dólares e reúne um elenco impressionante. A seguir, cinco pontos para você saber antes de assistir ao filme:
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A obra narra a longa viagem de Odisseu (Ulisses, na tradição romana) para retornar à ilha de Ítaca após os conflitos da Guerra de Tróia (século 13 a.C). O percurso, que deveria ser curto, se transforma em uma jornada de mais uma década repleta de desafios contra deuses, criaturas monstruosas, incluindo sereias e ciclopes, mortes e dilemas morais.
Ao lado da Ilíada, uma narrativa da guerra, também atribuída a Homero, o poema estabeleceu estruturas que continuam presentes até hoje, como o herói imperfeito, sua jornada de transformação, o retorno para casa e o confronto entre destino e livre-arbítrio.

O Cavalo de Troia em cena de A Odisseia. Universal Pictures/Divulgação
Quem é quem na trama
Odisseu é interpretado por Matt Damon, que trabalhou com Nolan em Interestelar (2014) e Oppenheimer. Ao seu lado está Penélope (Anne Hathaway, outra atriz recorrente nos filmes do britânico), que precisa proteger seu reino, enquanto enfrenta a pressão de centenas de pretendentes convencidos de que seu marido jamais retornará.
Tom Holland é Telêmaco, filho de Odisseu e Penélope, que cresce sem o pai e parte em sua própria jornada em busca de respostas sobre seu paradeiro. Charlize Theron vive Calipso, que oferece a Odisseu uma vida de imortalidade em sua ilha. Lupita Nyong’o interpreta Helena de Tróia e também sua irmã gêmea, Clitemenestra. Zendaya integra o núcleo mitológico do filme no papel de Atena, deusa da sabedoria e guia de Odisseu. O elenco ainda reúne nomes como Robert Pattinson, Benny Safdie, Mia Goth e Elliot Page. O músico Travis Scott também faz uma participação especial.

Mia Goth como Melanto, criada de Penelope, interpretada por Anne Hathaway. Universal Pictures/Divulgação
Um elenco de estrelas
A Odisseia reúne colaboradores frequentes do diretor, além de novos rostos. Anne Hathaway retorna para sua terceira parceria com Nolan vivendo Penélope. “Trabalhar com Nolan pela terceira vez não perde a graça. Você fica ainda mais impressionada com isso, com o quão raro é. Ter essa experiência uma vez já é tão raro. Duas vezes… que presente! Três vezes… nem tenho palavras para descrever”, disse a atriz em entrevista à ELLE estadunidense. “Trabalhei muito duro nos últimos 12 anos (desde que trabalhou com Nolan em Interestelar). Estava animada para mostrar a ele o que tenho feito.”
Sobre Penélope, Hathaway explica que buscou fugir da representação tradicional da personagem. “Pensamos nela como um modelo de paciência. Mas eu estava interessada em sua essência mais crua, na fúria, na emoção e na paixão por Odisseu que ela teria que suportar durante aqueles 20 anos.”
Charlize Theron, que interpreta Calipso, a ninfa que mantém Odisseu preso em sua ilha durante anos, defende que sua personagem dialoga diretamente com temas contemporâneos sobre o feminino. “Mesmo sendo uma deusa, Calipso anseia por conexão. E foi interessante observar alguém com os poderes que ela tem, mas que ainda assim não conseguia fazer muita coisa com eles. Há algo a se dizer sobre mulheres que vivem suas vidas hoje de forma poderosa, e ainda assim muitos dos nossos direitos estão sendo retirados todos os dias.”
Já Lupita Nyong’o dá vida a Helena de Tróia, figura cuja beleza desencadeou um dos maiores conflitos da mitologia grega. “Devo a este filme minha educação em mitologia grega. Fiquei profundamente honrada por me terem confiado este papel. Helena de Tróia é icônica.”
Zendaya acredita que o projeto também representa uma oportunidade de ampliar os tipos de personagens que vem interpretando ao longo da carreira. “Me sinto atraída por personagens complexos. Quero expandir os papéis que alguém como eu pode ou tem permissão para interpretar. Como mulher negra, quero explorar o que posso fazer como atriz.”

Robert Pattinson é Antínoo, um dos pretendentes de Penélope. Universal Pictures/Divulgação
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Efeitos práticos
O longa é o primeiro inteiramente filmado com a nova geração de câmeras IMAX – algo que ele já havia ensaiado em Oppenheimer –, desenvolvidas para oferecer maior mobilidade sem abrir mão da resolução máxima do formato. São poucas salas, no entanto, que exibem essa tecnologia no mundo.
As cenas foram filmadas em diferentes países (Estados Unidos, Grécia, Itália, Islândia, Marrocos e Reino Unido), privilegiando paisagens naturais e cenários construídos fisicamente. Em vez de recorrer à computação gráfica, Nolan investiu em efeitos práticos, embarcações em escala real, figurinos confeccionados artesanalmente e maquiagem para construir as criaturas, guerreiros e povos da mitologia grega.

O diretor Christopher Nolan durante as filmagens do longa. Universal Pictures/Divulgação
A filmografia
Desde a estreia com Following (1998), Christopher Nolan construiu uma carreira marcada por filmes que combinam ambição técnica e narrativas complexas. Vieram depois Amnésia (2000), indicado a dois Oscars; Insônia (2002); O grande truque (2006); Batman: O cavaleiro das trevas (2008) e Batman: O cavaleiro das trevas ressurge (2012), na trilogia que deu novo fôlego ao super-herói nas telas; A origem (2010), vencedor de quatro Oscars; Interestelar (2014), que se tornou um dos maiores fenômenos da ficção científica contemporânea; Dunkirk (2017), premiado com três Oscars; Tenet (2020); e Oppenheimer (2023), seu maior sucesso de crítica até hoje.
Foi com ele que Nolan finalmente conquistou o Oscar de melhor direção. O britânico viu a produção levar também as categorias de melhor filme, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor fotografia, melhor montagem e melhor trilha sonora.
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