Couro, intensidade e uma nova masculinidade: por dentro do Malbec Eau de Parfum

Os perfumistas Honorine Blanc e Clement Gavarry revelam como a versão mais concentrada da história de Malbec foi construída da base para o topo, com o Couro de Grasse como espinha dorsal.


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Fotografias: Renata Monteiro



CONTEÚDO APRESENTADO POR MALBEC

Líder de mercado e referência em fragrâncias amadeiradas há mais de duas décadas, Malbec chega agora à sua interpretação mais intensa: Malbec Eau de Parfum, a versão mais concentrada já desenvolvida pela marca. Classificada como um amadeirado oriental, a fragrância traduz o DNA de força e sensualidade de Malbec em uma entrega ainda mais exclusiva – construída sobre o Grand Select, que utiliza as três melhores uvas de cada dez da safra especial, e o exclusivo acorde Couro de Grasse, acorde inspirado na tradição francesa que reinterpreta a elegância do couro. Da abertura vibrante de cardamomo, pimenta e bergamota ao fundo envolvente de couro, patchouli, cedro e baunilha, a fragrância revela sua assinatura desde o primeiro contato e permanece na pele por cerca de 12 horas. Já disponível nas lojas físicas do Boticário, no e-commerce da marca e com revendedores, ela sai por R$ 244,90.

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Por trás dessa criação estão dois dos “narizes” mais prestigiados do mundo. Honorine Blanc nasceu no Líbano, viveu em Paris e construiu sua vida em Nova York – uma trajetória que une a riqueza da cultura oriental ao savoir-faire francês e à liberdade nova-iorquina. “Cada fragrância que faço reúne um pouco dessas três influências”, diz a master perfumer da casa de fragrâncias Firmenich. Clement Gavarry, por sua vez, é a quarta geração de uma família de perfumistas: bisavô e avô trabalhavam com matérias-primas naturais em Grasse, na França, e o pai foi o primeiro perfumista da família. Mesmo assim, ele encontrou o próprio caminho na mesma indústria bem longe de casa. “Só quando me mudei para Nova York, aos 21 anos, que realmente descobri a profissão”, conta o principal perfumer. Foi lá, aliás, que os dois se conheceram. Nesta conversa, eles falam sobre emoção, couro e uma nova ideia de masculinidade que se traduz perfeitamente em Malbec Eau de Parfum, sua mais nova criação em dupla.

Honorine, você já disse que não “cheira” perfumes, mas os “sente”. O que isso significa? Gostaríamos de ouvir também a visão do Clement.

Honorine Blanc: Um perfume tem duas dimensões: a fórmula e a emoção que provoca. A técnica é essencial, mas, se a fragrância não desperta um sentimento, ela não cumpre seu papel. Quando crio um perfume, penso não apenas no equilíbrio da composição, mas na experiência que ele vai proporcionar. Muitas vezes fecho os olhos e me pergunto se aquela fragrância me leva exatamente ao território emocional que eu quero criar.

Clement Gavarry: Concordo totalmente. Criar um perfume é criar uma emoção. Cada ingrediente transmite uma sensação diferente, e meu objetivo é fazer com que a pessoa que usa a fragrância se sinta mais feliz, mais confiante ou simplesmente melhor ao longo do dia. É essa reação que torna o trabalho de um perfumista realmente gratificante.

Falando especificamente de Malbec Eau de Parfum, como essa filosofia de criar emoções se traduz nessa fragrância?

Honorine Blanc: Malbec sempre foi uma marca associada à força, à intensidade e à sensualidade. O nosso objetivo não era repetir esse território, mas levá-lo para um novo lugar, tornando essa emoção ainda mais intensa. Desde o início, percebemos que o couro seria o elemento central dessa nova interpretação.

De onde surgiu a ideia desse acorde de couro?

Clement Gavarry: A inspiração veio da história de Grasse. Antes de se tornar a capital da perfumaria, a cidade produzia luvas de couro para a aristocracia. Como o couro tinha um cheiro muito forte, os artesãos começaram a perfumá-lo com extratos de flores cultivadas na região, como rosa e jasmim. Foi assim que nasceu a tradição da perfumaria em Grasse. Para Malbec Eau de Parfum, reinterpretamos esse couro histórico com tecnologia contemporânea, combinando novas moléculas a ingredientes naturais, como a íris, que possui um aspecto naturalmente aveludado.

Muitas fragrâncias buscam transmitir sensualidade. O que diferencia Malbec Eau de Parfum?

Honorine Blanc: Queríamos criar uma fragrância intensa e extremamente sensual, mas sem recorrer ao lado animálico que o couro pode ter. Trabalhamos com ingredientes conhecidos, como cedro, patchouli e couro, porém em versões obtidas por tecnologias modernas de extração, mais limpas e sofisticadas. A construção da fórmula foi pensada para transmitir força sem perder refinamento, traduzindo uma ideia de sensualidade contemporânea.

Clement Gavarry: Em vez de construir a fragrância a partir das notas de saída, começamos pela base. O couro funciona como a espinha dorsal da fragrância e está presente desde a primeira borrifada até o fim da evolução. Depois adicionamos pequenos contrastes para fazer essa assinatura vibrar ainda mais. Essa arquitetura também garante uma performance muito acima da média: a fragrância permanece na pele por cerca de 16 horas e revela sua identidade logo no primeiro contato.

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Como essa fragrância dialoga com o DNA de Malbec?

Clement Gavarry: Mantivemos aquilo que sempre definiu Malbec: força, sensualidade e presença. A diferença é que criamos uma assinatura completamente nova para expressar esses valores. Queríamos que a fragrância tivesse impacto imediato e marcasse presença desde o primeiro instante.

E como essa visão conversa com a masculinidade de hoje?

Honorine Blanc: A masculinidade mudou muito nos últimos anos. Antes, existiam muitas regras sobre o que um perfume masculino podia ou não ter. Hoje os homens estão mais curiosos, experimentam novas famílias olfativas e até usam fragrâncias tradicionalmente femininas. Pensamos Malbec Eau de Parfum para esse novo momento: uma fragrância que continua forte, mas apresenta essa força de maneira mais sofisticada, livre e contemporânea.

Vocês comentaram que utilizaram algumas das melhores matérias-primas disponíveis na perfumaria. Podem falar um pouco mais sobre a composição da fragrância?

Clement Gavarry: A fragrância abre com bergamota, cardamomo e pimenta. No coração, aparecem notas aromáticas como cipreste, sálvia e elemi. Já a assinatura é construída em torno do Cuir de Grasse, acompanhado de patchouli, cedro e íris, tudo envolvido por uma baunilha Bourbon de altíssima qualidade. A combinação entre a baunilha e o couro cria um efeito muito sensual, quase como o cheiro da própria pele.

Como funciona o processo criativo de vocês trabalhando em dupla?

Clement Gavarry: O mais importante é haver confiança, honestidade e respeito. Criar uma fragrância é como criar um filho, então é natural desenvolver um apego a ela. A Honorine criou o acorde de couro que serve de base para Malbec Eau de Parfum e, depois, passou essa criação para mim. Minha contribuição foi adaptar a fragrância ao mercado brasileiro, trazendo mais frescor e notas aromáticas sem perder a força da assinatura original.

Honorine Blanc: Houve um momento em que eu já estava emocionalmente envolvida demais com o acorde de couro e não conseguia mais evoluí-lo. Foi quando decidi entregá-lo ao Clement. Confiei nele porque conhece profundamente o consumidor brasileiro e domina muito bem as fragrâncias masculinas. Depois voltamos a trabalhar juntos, refinando a fórmula. Esse processo exige desapego e confiança, mas também é uma oportunidade constante de aprendizado – mesmo depois de mais de 30 anos de carreira.

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O que o mercado brasileiro ensina sobre a relação dos consumidores com a perfumaria masculina?

Clement Gavarry: O consumidor brasileiro está cada vez mais apaixonado por perfumes. As pessoas pesquisam mais, querem entender os ingredientes e estão muito abertas a experimentar novidades. Ao mesmo tempo, há uma forte influência da perfumaria do Oriente Médio, marcada por fragrâncias intensas e de grande projeção. Malbec Eau de Parfum foi pensado para responder a esse desejo por potência e presença. No fim, o verdadeiro sucesso de um perfume não está apenas na primeira compra, mas na recompra, quando o consumidor cria uma relação duradoura com a fragrância.

Com tantas tendências coexistindo hoje – perfumaria de nicho, casas de luxo e a influência do Oriente Médio –, como criar algo realmente original?

Honorine Blanc: Eu procuro não criar olhando para as tendências do mercado. Ao longo da vida, vou desenvolvendo acordes inspirados por viagens, experiências e momentos de criatividade, sem pensar em um projeto específico. Quando surge um briefing, volto a esse repertório e procuro encaixar uma dessas ideias na marca, mesmo que, à primeira vista, ela pareça improvável. Acredito que a originalidade nasce justamente desse processo intuitivo. Se você cria apenas para seguir uma tendência, acaba fazendo o mesmo que todo mundo.

Para encerrar, uma pergunta mais pessoal: existe alguma assinatura que vocês reconhecem nas próprias criações? 

Clement Gavarry: Acho que todo perfumista leva anos para encontrar sua identidade. No início da carreira, queremos experimentar todos os ingredientes e explorar todas as possibilidades. Com o tempo, percebemos quais territórios fazem mais sentido para nós. No meu caso, sempre foram as notas amadeiradas. Durante muito tempo, o patchouli foi meu ingrediente favorito por causa da sua versatilidade e da capacidade de transformar completamente uma fragrância. Hoje tenho me desafiado a trabalhar mais com vetiver, especialmente em perfumes femininos, buscando novas formas de explorar esse ingrediente.

Honorine Blanc: A sensualidade é um tema recorrente no meu trabalho, mas não acredito que ela precise estar associada a algo escuro ou pesado. Gosto de construir fragrâncias a partir das notas de fundo e de combinar ingredientes que normalmente não apareceriam juntos. É dessa tensão que surgem os acordes mais interessantes. Também encontro muita inspiração na natureza, mas não na sua perfeição. O que me fascina são justamente as imperfeições: as texturas, os contrastes e os detalhes inesperados. Tento transformar essas sensações em perfume e fazer com que o consumidor também consiga senti-las. Para mim, é essa imperfeição que torna a natureza tão bonita – e é isso que procuro traduzir em minhas criações.

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