Firmeza da pele: 9 mitos e verdades sobre o que funciona no combate à flacidez

Conversamos com um dermatologista para entender como prevenir e tratar a perda de firmeza da pele ao longo dos anos.


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Foto: Instagram/@harold_james



A firmeza da pele é resultado de uma combinação de fatores que envolve colágeno, elastina, gordura e musculatura. Com o avançar dos anos, porém, esse sistema passa por transformações que tornam a flacidez mais evidente. É justamente nesse cenário que surgem dúvidas sobre suplementos, cosméticos e procedimentos capazes de recuperar o aspecto mais firme. No entanto, diante de tantas promessas, o que de fato ajuda? Tomar colágeno funciona? Cremes conseguem estimular a produção da proteína? E o ultrassom microfocado é capaz de reverter a flacidez? Para esclarecer essas e outras questões, entrevistamos o médico dermatologista Seme Gabriel Cury, CEO da clínica MD Cury, em São Paulo. A seguir, ele explica o que é mito e o que é verdade quando o assunto é firmeza da pele.

“A produção de colágeno só começa a cair depois dos 30 anos” 

Mito. A redução da produção de colágeno começa antes do que muitas pessoas imaginam. “A partir dos 25 anos, sua síntese começa a reduzir cerca de 1% ao ano. Além disso, com o envelhecimento, não apenas sua quantidade diminui, mas acontecem alterações na organização e na qualidade das fibras. A elastina e as estruturas de suporte da face também participam desse processo”, diz Cury.

“Tomar colágeno melhora a flacidez da pele”

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Verdade, mas com ressalvas. Os suplementos de colágeno podem ter algum efeito sobre características da pele, mas não devem ser encarados como uma solução isolada para a flacidez. “Há evidências de melhora na hidratação e elasticidade, mas o efeito é modesto e não substitui outras estratégias. Não é milagre, é coadjuvante”, afirma o especialista. Ou seja, embora a suplementação possa fazer parte de um protocolo de cuidados, suas expectativas precisam ser realistas. Um suplemento não recupera sozinho a estrutura perdida com o envelhecimento.

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“Cremes para flacidez conseguem repor o colágeno perdido”

Mito. Os cosméticos podem contribuir para a aparência e a qualidade da pele, mas isso não significa que sejam capazes de simplesmente repor o colágeno que deixou de ser produzido. Alguns ativos, no entanto, podem estimular sua produção. Entre os ingredientes com melhor respaldo científico, Cury destaca os retinoides, seguidos pela vitamina C e peptídeos. O ácido hialurônico também pode contribuir para a hidratação e o viço, embora sua principal atuação tópica não seja a mesma de um ativo estimulador de colágeno. Na prática, o uso contínuo de produtos adequados pode integrar uma rotina voltada à manutenção da firmeza da pele, especialmente quando associado a outras medidas de prevenção.

“Protetor solar também ajuda a prevenir a flacidez”

Verdade. O filtro solar costuma ser associado principalmente à prevenção de manchas e sinais de envelhecimento, mas seu papel vai além. “A radiação ultravioleta ativa enzimas que degradam o colágeno e a elastina, processo conhecido como fotoenvelhecimento”, detalha o médico. Por isso, a proteção solar diária está entre as principais estratégias para preservar a estrutura da pele ao longo do tempo. O cuidado é especialmente relevante porque a exposição aos raios UV é cumulativa.

“Radiofrequência, bioestimulador e ultrassom microfocado fazem a mesma coisa”

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Mito. Embora os três tratamentos tenham em comum o objetivo de estimular a produção de colágeno, eles atuam de maneiras diferentes e atingem estruturas distintas. “Radiofrequência aquece a derme, ultrassom microfocado atua em camadas mais profundas e os bioestimuladores injetáveis ativam fibroblastos diretamente no tecido”, explica Cury. A escolha, portanto, depende das características da pele, do grau de flacidez e do resultado esperado. Não existe necessariamente um procedimento universalmente melhor: a indicação deve considerar a anatomia e as necessidades de cada paciente.

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“Procedimentos que estimulam o colágeno conseguem reverter completamente a flacidez”

Mito. Mesmo os tratamentos mais eficazes não devem ser apresentados como capazes de devolver a pele ao estado de décadas anteriores. “A proposta é melhora, não reversão total. Procedimentos apenas ajudam a reorganizar e aumentar colágeno”, afirma o dermatologista. A expectativa, portanto, deve estar relacionada à melhora da qualidade e da sustentação da pele, e não a uma reversão completa do envelhecimento. Em alguns casos, a combinação de diferentes recursos pode proporcionar resultados mais consistentes e naturais.

“Exercício e alimentação também influenciam na firmeza da pele” 

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Verdade. “Alimentação equilibrada, boa hidratação e exercício, especialmente de força, ajudam a preservar massa muscular e qualidade de pele, mas não substituem tratamentos quando a flacidez já está instalada”, defende Cury. A recomendação também vale para quem está passando por um processo de emagrecimento. A perda rápida de peso pode deixar a flacidez mais aparente porque a pele nem sempre consegue acompanhar a velocidade da redução do volume corporal. “Emagrecer de forma gradual e associar treino de força ajuda a minimizar esse efeito”, orienta o médico.

“Massagem e aparelhos de skincare conseguem estimular o colágeno de forma duradoura” 

Mito. “Massagens, técnicas de drenagem e aparelhos de uso doméstico podem proporcionar mudanças temporárias e superficiais na aparência, na textura ou na circulação da pele, mas seus efeitos não equivalem aos de procedimentos dermatológicos que atuam nas camadas mais profundas, sem estímulo real e duradouro de colágeno”. Por isso, promessas de transformações significativas e permanentes com dispositivos caseiros ou técnicas de massagem devem ser analisadas com cautela.

“Dormir bem e não fumar ajudam a preservar o colágeno”

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Verdade. Os hábitos de vida também entram na equação. “Sono de qualidade e evitar o cigarro têm impacto especialmente relevante, já que o tabaco acelera a degradação de colágeno e dormir mal compromete a renovação celular”, avalia o médico.

No conjunto, a prevenção da firmeza da pele depende menos de uma solução única e mais da combinação de cuidados consistentes. Para Cury, proteção solar, ativos tópicos com evidência científica e procedimentos como ultrassom microfocado e bioestimuladores estão entre as estratégias que podem apresentar melhores resultados, desde que indicados individualmente.

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