August Swim faz 10 anos e expande os limites da moda praia
À frente da August Swim desde 2016, Gabriela Rabelo fala sobre a construção de uma identidade própria, a primeira loja física e os próximos passos da marca.
Há dez anos, a August Swim começou a construir seu espaço na moda praia brasileira olhando para um repertório um pouco diferente do esperado. Criada por Gabriela Rabelo, ex-modelo mineira que passou boa parte da carreira em Nova York, a etiqueta ficou conhecida por transportar para o elastano referências das roupas de banho dos anos 1950 e 1960 e por brincar com os limites entre o que se veste no balneário e fora dele. Agora, ao completar uma década, abre sua primeira loja própria, nos Jardins, em São Paulo, enquanto amplia cada vez mais sua atuação para além dos biquínis e maiôs.

Look da coleção Blooming Season, da August Swim. Divulgação
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Antes de tudo isso, Gabriela tentava descobrir o que faria depois de uma longa carreira nas passarelas. Natural de Patrocínio, em Minas Gerais, ela vivia nos Estados Unidos e trabalhava como modelo havia 15 anos quando passou a considerar os próximos passos. “Percebi que o mercado estava mudando rapidamente do impresso para o digital, e isso impactava muito a valorização profissional”, conta. “Foi nesse momento que vi a oportunidade de fazer a transição de carreira, mas ainda sem uma ideia concreta se forneceria um serviço ou se entraria para o empreendedorismo.”
Direção de arte e criativa estavam entre as possibilidades. Ter uma empresa própria, não necessariamente. “O movimento online e sua rápida evolução acabaram assustando quem já estava no mercado. Por isso, senti que deveria começar a planejar um futuro em que eu tivesse mais controle e perspectiva de longo prazo.” A chance de lançar um projeto autoral acabou levando Gabriela a um território novo, mas para o qual carregava bastante conhecimento acumulado. “Eu tinha muita experiência com modelagens e com todo o percurso que envolve a criação de um produto e comunicação dele.”

Look da coleção Blooming Season, da August Swim. Divulgação
A August Swim saiu do papel em 2016. Na fase de pré-lançamento, montou o planejamento do negócio e o desenvolvimento da identidade visual ao lado de um parceiro investidor. Depois, Gabriela tomou a frente sozinha. “Nova na área de gestão e empreendedorismo, mas com um bom entendimento das outras vertentes”, resume ela.
Nos produtos, esse repertório aparece na ampla pesquisa de referências. “Trago uma bossa especial em toda coleção, apostando em peças que são pouco exploradas no mercado com modelagens de outros segmentos, adaptando-as para a praia”, explica. Drapeados feitos com elastano, shapes românticos e peças capazes de transitar entre areia e asfalto são alguns exemplos.

Look da coleção Blooming Season, da August Swim. Divulgação
A variedade também reflete a maneira como ela enxerga quem veste suas criações. “Acreditamos que as mulheres têm energias mutantes. Você pode ter no seu guarda-roupa uma estampa de zebra e um poá vintage, ou um mini tubinho colado e uma camisa oversized.” Em vez de seguir uma fórmula, ela concentra a atenção em produtos-heróis e incorpora novas ideias a cada lançamento.
Essa liberdade não fica restrita à praia. Vestidos de festa, leggings, óculos, bolsas e até home sprays entraram no catálogo ao longo dos anos. Explorar outras categorias alimenta a inquietação criativa da fundadora, mas atende também a uma necessidade bastante objetiva de uma empresa independente. “Não podemos ficar em um segmento apenas sazonal. Não é sustentável, principalmente para uma pequena marca, porque isso nos limita”, diz. “Nossa comunidade quer ter August Swim o ano todo. Percebo que, sempre que trazemos um brilho novo, além de elevar a grife, conseguimos fidelizar nossa clientela em outros campos.”

Look da coleção Blooming Season, da August Swim. Divulgação
A experiência à frente da empresa moldou ainda sua percepção sobre o lugar das mulheres na moda. Gabriela considera o setor mais aberto ao protagonismo feminino do que outras áreas do mercado de trabalho. “É um dos poucos lugares em que nós, mulheres, conseguimos encontrar um espaço de competitividade mais justo, com mais oportunidades de nos destacar e, talvez, de sermos mais valorizadas.” Nos postos de comando, porém, ela encontra outro cenário. “Mesmo dentro da moda, quando falamos de cargos de liderança e poder de decisão, ainda existe uma desigualdade importante. Temos um longo caminho para chegar a uma competição equilibrada.”
Neste ano, a relação construída com as consumidoras ganhou um endereço físico. A loja na Rua Peixoto Gomide é o primeiro espaço próprio da August Swim em São Paulo. “Ter nossa casa aberta ao público depois de 10 anos tem sido bastante emblemático, pois nos coloca em um lugar de proximidade, conexão e diálogo com nossas parceiras.” Para Gabriela, sua função não termina na venda. “É um universo palpável, humano e próximo, onde conseguimos nos expressar por meio da arquitetura, dos sons, dos cheiros e das trocas.”

Casaco bomber Amelie e short balonê Maria. Divulgação
As comemorações da primeira década seguem nos próximos meses. Entre os projetos está um calendário criado em parceria com fotógrafos que fizeram parte da história da August Swim ao longo desses dez anos. Em dezembro, a loja também recebe a primeira edição de uma iniciativa que deve se tornar autoral – a vitrine será entregue a um artista convidado, responsável por transformá-la em uma instalação. A agenda inclui ainda uma colaboração com a NK, prevista para outubro, e outra, em janeiro, com uma grande loja de departamentos, cujo nome permanece em segredo.

A fundadora da marca, Gabriela Rabelo. Divulgação
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