Marcela B aposta em fibras naturais para redefinir o luxo nos calçados brasileiros
Com lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Marcela B cresce ao combinar design autoral, manufatura e matérias-primas nacionais.
A trajetória da Marcela B começou em Milão, mas foi no Brasil que consolidou sua identidade. Fundada pela carioca Marcela Basto Lima em 2011, a marca nasceu sob influência da tradição italiana de fabricação de calçados e logo encontrou um caminho próprio ao voltar o olhar para matérias-primas nacionais. Palha, vime e bambu passaram a ser reinterpretados de maneira refinada, numa combinação que definiu sua linguagem e acompanha a expansão recente entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Mocassim Sofi, da coleção de inverno 2026 da Marcela B. Divulgação
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Antes de lançar a própria etiqueta, Marcela estudou administração, passou pela Osklen e decidiu se mudar para Milão para cursar design de moda no Instituto Marangoni. O aprendizado mais importante, porém, veio fora da sala de aula. Contratada por duas grifes locais, passou cerca de três anos acompanhando a rotina de uma fábrica, experiência que a aproximou de fornecedores, das formas, dos saltos e da produção. “Descobri que o sapato não surge só do desenho, mas do cuidado de quem faz”, conta. “Lembro de percorrer a cidade em busca de tecidos, fivelas e componentes, absorvendo uma cultura em que qualidade e design sempre estiveram acima dos ciclos passageiros da moda.”

Sandália Fefe, da coleção de inverno 2026 da Marcela B. Divulgação
À medida que ganhava autonomia dentro das oficinas, ela passou a desenvolver coleções próprias até receber o convite de uma das empresas em que trabalhava para assinar uma linha de calçados. Dali nasceu a Marcela B, fundada ainda em Milão. Em 2012, a label desembarcou no Rio de Janeiro e, dois anos depois, transferiu toda a produção para o Brasil. Nesse momento, começou uma pesquisa contínua sobre materiais e técnicas brasileiras. “Busco sempre unir o design autoral às fibras naturais tratadas com rigor de luxo. Cada par é concebido como uma joia”, define.

Mocassim Vi, da coleção de inverno 2026 da Marcela B. Divulgação
Pouco depois veio o primeiro grande hit: a Babuche Omeo. O modelo combina cabedal em rede, transparência e salto de vime em uma proposta que, à época, destoava do que se via no mercado brasileiro. “Foi a primeira peça que realmente definiu nosso DNA”, afirma. O sucesso veio de forma espontânea, impulsionado pelo boca a boca. “Quando ela chegou, conquistou clientes novas e trouxe as que já tínhamos ainda mais para perto.”

A babuche Omeo, um doas primeiros hits da Marcela B. Divulgação
Desde então, Marcela vem aprofundando esse trabalho. Vime e bambu estão entre os elementos mais presentes atualmente e passam por etapas específicas de desenvolvimento. Por reagirem à umidade e à temperatura, cada peça é trançada manualmente, já que qualquer desvio compromete o acabamento. Quando aplicados a saltos, fivelas e flatforms, exigem horas de manufatura.

Clog Kult em crochê, da coleção de verão 2026. Divulgação
Na coleção de inverno 2026, entram em cena os pelos em loafers e sandálias como uma forma de explorar novas formas e volumes, além do trabalho com couro e latão. “O desafio é equilibrar funcionalidade, qualidade e desejo sem abrir mão de nenhum deles”, explica. Para Marcela, o sapato não é apenas um complemento de um look, mas algo capaz de transformar a maneira como uma mulher caminha e se mostra. “Todos os detalhes são pensados para que ela se sinta bonita, confortável e segura.”

Sandália Charlott, da coleção de verão 2026. Divulgação
Hoje, quase quinze anos depois, a designer acredita que também mudou a maneira como o público enxerga o design nacional. “Tenho notado uma geração mais interessada em conhecer a origem das peças, valorizar a produção e investir em etiquetas com identidade própria”, diz. “O Brasil aprendeu a reconhecer o que é seu, sentir mais orgulho, e eu sempre acreditei nisso”, completa ela.

Sandália Ayla, da coleção de inverno 2026. Divulgação
Enquanto desenha os próximos passos do negócio, incluindo um futuro movimento de internacionalização, Marcela prefere resumir sua história na moda pelas lições acumuladas ao longo do caminho. “O que todos esses anos ensinam é que persistência e clareza de identidade são mais poderosas do que qualquer tendência.”

A designer Marcela Basto Lima. Divulgação
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