Como começar uma horta do zero em casa: o passo a passo para não errar no cultivo

Especialista ensina como começar uma horta do zero e quais são os principais cuidados para cultivar temperos e hortaliças em casa.


Como começar uma horta do zero em casa: o passo a passo para não errar no cultivo
Foto: Pexels



Para começar uma horta do zero, é preciso considerar diferentes pontos, como a iluminação disponível, a circulação de ar e o local onde serão plantadas as espécies escolhidas. Esse planejamento inicial faz toda a diferença para evitar problemas que poderiam ser corrigidos antes mesmo do plantio.

Como começar uma horta do zero em casa: o passo a passo para não errar no cultivo

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Para ajudar nessa missão, conversamos com o paisagista Julio Sousa, que reuniu dicas práticas para começar uma horta do zero em casa, como escolher o local, preparar os vasos, selecionar as mudas e manter a horta saudável ao longo do tempo. Confira!

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Antes de comprar mudas, descubra quanto sol o espaço recebe

O primeiro passo é observar o local onde a horta será montada. Pode ser uma varanda, um quintal, uma área de serviço ou mesmo um espaço menor dentro de casa, desde que haja luminosidade suficiente.

Julio recomenda acompanhar a incidência de sol para entender quais períodos do dia são mais iluminados. Afinal, a maioria dos temperos e hortaliças necessitam de quatro a seis horas de luz solar direta diariamente.

A ventilação também precisa ser considerada. “Ambientes abafados favorecem o surgimento de fungos, enquanto locais submetidos a correntes de ar frio ou ventos intensos podem desidratar as plantas rapidamente e danificar suas folhas”, afirma Julio.

Para começar, prefira mudas e escolha espécies resistentes

Depois de entender o ambiente, vem a escolha do que plantar. Para quem quer começar uma horta do zero pela primeira vez, o paisagista recomenda começar com mudas já formadas, em vez de sementes.

“A germinação exige um controle mais rigoroso de umidade, temperatura e luz. As mudas, por outro lado, já passaram por essa etapa mais delicada e permitem que o iniciante acompanhe uma planta estabelecida desde o começo”, explica o profissional. 

Entre as espécies mais indicadas estão alecrim, tomilho e orégano. As três são consideradas rústicas, gostam de bastante sol e de solos bem drenados e conseguem suportar pequenos descuidos na rega. Salsinha e cebolinha também são boas opções, inclusive para regiões de clima mais ameno. A recomendação é começar com poucas espécies, assim, fica mais fácil entender como cada uma reage ao espaço antes de aumentar a horta.

Quais plantas podem dividir o mesmo vaso?

A escolha deve considerar as necessidades de cada espécie. Alecrim, tomilho e orégano, por exemplo, podem ser cultivados juntos porque compartilham preferências semelhantes: sol pleno, boa drenagem e pouca água.

Já a hortelã deve ficar em um recipiente separado. Suas raízes são agressivas e ocupam rapidamente o espaço disponível. O manjericão também merece atenção na hora de montar combinações. A espécie prefere calor e sofre mais com o frio, por isso não é a melhor companhia para plantas rústicas adaptadas a condições mais secas.

Escolha um vaso que dê espaço para as raízes

Com as espécies definidas, é hora de pensar nos recipientes para começar uma horta do zero. Para a maioria dos temperos, Julio recomenda vasos com pelo menos 30 centímetros de diâmetro e profundidade equivalente.

“O tamanho não é apenas uma questão estética. Em recipientes muito pequenos, as raízes ficam limitadas e o substrato perde umidade mais rapidamente, principalmente em períodos de calor”, pontua ele. 

Entre os modelos, o paisagista prefere vasos de cerâmica ou barro, que são porosos e favorecem a troca gasosa. Em espaços pequenos, os vasos autoirrigáveis podem ser uma alternativa prática, pois liberam a umidade gradualmente. Independentemente do modelo, porém, há uma característica indispensável: o vaso precisa ter furos de drenagem.

Prepare o vaso para não deixar as raízes encharcadas

O excesso de água é um dos problemas que mais comprometem uma horta doméstica. Quando o líquido não consegue escoar, o substrato permanece encharcado e as raízes podem sofrer com falta de oxigenação.

Para preparar o recipiente, Julio recomenda colocar no fundo uma camada de seixos, argila expandida ou cacos de telha. O objetivo é favorecer o escoamento da água e evitar que a terra bloqueie os furos. Mas a drenagem não depende apenas dessa camada, o substrato também precisa ter uma estrutura que permita a passagem da água.

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Qual substrato usar na horta?

A recomendação de Julio é preparar uma mistura com uma parte de terra vegetal, uma parte de composto orgânico ou húmus de minhoca e uma parte de areia grossa de construção ou perlita.

“O resultado deve ser leve e aerado, sem ficar compactado. A matéria orgânica contribui para a disponibilidade de nutrientes, enquanto a areia grossa ou a perlita ajudam a manter uma estrutura que favorece a drenagem e o desenvolvimento das raízes”, aconselha o paisagista. 

Uma forma simples de conferir se o sistema está funcionando é observar a água durante a rega. Ela deve penetrar no substrato e o excesso precisa sair pelos furos do vaso. Outro teste pode ser feito alguns dias depois: coloque o dedo na terra. Se o substrato continuar muito úmido e compactado mesmo após alguns dias, a drenagem pode estar inadequada.

Na hora de plantar, preserve o torrão da muda

Com o vaso e o substrato preparados, é hora de fazer o transplante. Essa etapa parece simples, mas exige cuidado para não danificar as raízes. Ao retirar a muda do recipiente original, Julio recomenda preservar o torrão de terra que envolve as raízes. Desmanchá-lo completamente pode provocar estresse mecânico na planta.

Acomode a muda no novo vaso, complete as laterais com o substrato e pressione levemente a terra apenas para dar firmeza. Depois, faça uma primeira rega abundante para ajudar o substrato a se acomodar ao redor das raízes.

Regue de acordo com a planta e com o clima

Não existe uma frequência fixa de rega que sirva para todas as hortas. A necessidade de água varia conforme a espécie, a temperatura, a incidência de sol, o tamanho do recipiente e o ritmo de evaporação.

No verão, a rega pode chegar a ser quase diária. No inverno, com temperaturas mais baixas e menor evaporação, a frequência tende a diminuir. Em vez de seguir uma regra rígida, Julio recomenda fazer o teste do dedo antes de regar. Se o substrato ainda estiver úmido, não é necessário acrescentar mais água.

A observação das folhas também ajuda a identificar problemas. Folhas amareladas, aspecto murcho mesmo com a terra úmida e bordas escurecidas podem indicar excesso de água. Já a falta de água costuma deixar as folhas sem brilho, com pontas secas e aspecto desidratado. Por outro lado, manchas marrons ou bronzeadas, podem ser resultado de exposição solar excessiva, sinais de queimadura no tecido das folhas.

Faça da observação uma parte da rotina

Uma horta doméstica não exige cuidados complexos todos os dias, mas precisa ser acompanhada. Julio recomenda observar as plantas diariamente para identificar mudanças antes que elas se transformem em problemas maiores.

“Folhas secas devem ser removidas periodicamente com uma tesoura limpa. Também é importante prestar atenção às mudanças na coloração das folhas, manchas e presença de insetos”, alerta Julio. A proteção contra ventos fortes também deve fazer parte dessa rotina. Se o local ficar muito exposto em determinados períodos, os vasos podem precisar ser reposicionados.

Adube na época de crescimento e não troque a terra sem necessidade

A adubação orgânica pode ser feita mensalmente durante a primavera e o verão, período em que as plantas costumam apresentar maior crescimento. No inverno, Julio recomenda reduzir ou suspender a adubação, já que muitas espécies diminuem seu ritmo ou entram em dormência.

Também não é necessário trocar todo o substrato com frequência, a renovação profunda costuma ser indicada a cada dois ou três anos, ou quando as raízes ocupam completamente o vaso. Enquanto isso, os nutrientes podem ser repostos periodicamente e a superfície do substrato pode receber uma cobertura morta. “Quando as raízes tomam conta do recipiente, pode ser necessário trocar a planta para um vaso maior ou dividir a touceira, dependendo da espécie”. alerta Julio.

Pode e colha sem fazer cortes drásticos

A colheita pode fazer parte da manutenção da horta, mas é importante não exagerar na poda. Cortes muito drásticos podem desgastar a planta e prejudicar seu desenvolvimento.

Julio recomenda utilizar uma tesoura limpa ou esterilizada e fazer os cortes preferencialmente logo acima de um nó ou de um par de folhas. O início da manhã, depois que o orvalho secou, é o momento indicado pelo paisagista. Além de permitir a colheita dos temperos, o corte correto estimula a emissão de novos brotos e pode deixar a planta mais adensada.

Folhas amareladas e insetos são sinais de que algo precisa ser investigado

Ao perceber alterações nas plantas, o ideal é tentar identificar primeiro a causa. Folhas amareladas na base, por exemplo, podem estar relacionadas ao excesso de água. Nesse caso, vale reduzir a frequência das regas e verificar novamente a drenagem.

Quando aparecem pulgões, cochonilhas ou outros insetos, Julio recomenda começar por alternativas botânicas, como o óleo de neem, que apresenta ação repelente e interfere no desenvolvimento de algumas pragas.

Partes muito afetadas também podem ser removidas. Como a horta produz alimentos que serão consumidos, qualquer produto utilizado deve seguir as orientações de aplicação, segurança e intervalo antes da colheita indicadas pelo fabricante.

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