Acessórios, frequência e mais: 6 dicas para criar uma rotina de cuidados com plantas dentro de casa

Da rega à escolha de materiais, paisagistas explicam como montar uma rotina simples e eficiente para manter as plantas dentro de casa saudáveis durante o ano inteiro.


Acessórios, frequência e mais: como criar uma rotina para cuidar das plantas dentro de casa
Foto: Pexels



Além de levar mais vida à decoração, ter plantas dentro de casa ajuda a transformar qualquer ambiente em um refúgio. Mas, para que elas continuem bonitas e saudáveis ao longo do tempo, o segredo vai muito além da quantidade de água que recebem. A escolha da espécie, a incidência de luz, as mudanças de estação e até alguns acessórios influenciam diretamente no seu desenvolvimento. 

Para entender como criar uma rotina de cuidados eficiente, conversamos com a engenheira e paisagista Ana Lui, do escritório Ana Lui Arquitetura da Paisagem, e com a paisagista Bárbara Marini, do escritório  Leve Paisagismo. Confira!

Tudo começa com a escolha da espécie

Antes de pensar em regador, adubo ou frequência de rega, o primeiro passo para cuidar de plantas dentro de casa e criar uma rotina de cuidados é entender qual espécie combina com o ambiente disponível. Afinal, não são todas que se adaptam às mesmas condições de luz, ventilação e espaço.

Segundo Ana Lui, um dos erros mais comuns ocorre justamente nesse momento inicial. “Observar as características do espaço é essencial antes de levar uma nova planta para casa. A maioria das espécies cultivadas em ambientes internos precisa de boa iluminação natural e circulação de ar, mesmo quando não recebe sol direto”, aponta. 

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Além disso, o cultivo de plantas dentro de casa depende de três pilares principais: luz adequada, rega consciente e ventilação. “Cultivar uma planta no ambiente interno é criar um vínculo com ela, e por isso, o cuidado básico mais importante é o olhar atento do dia a dia”, afirma Bárbara Marini.

Entre as espécies indicadas para quem está começando, estão zamioculcas, filodendros, marantas e calatéias. Essas plantas costumam se adaptar bem quando posicionadas no local correto. 

A rega não segue uma regra única

Se existe uma dúvida comum para quem começa a cultivar plantas dentro de casa, é saber qual a frequência ideal de rega. A resposta, segundo as especialistas, depende de uma combinação de fatores e não de um calendário fixo.

O tipo de vaso, o tamanho da planta, a umidade do ar, a estação do ano e o substrato utilizado influenciam diretamente na quantidade de água necessária. Vasos de barro, por exemplo, costumam secar mais rapidamente do que os de plástico.

Bárbara recomenda usar o chamado “dedômetro” como uma forma simples de avaliar o momento certo da rega: basta tocar a terra com o dedo ou inserir um palito de madeira no substrato. Se sair seco, é sinal de que a planta precisa de água; se ainda houver umidade, o ideal é esperar.

“Não existem receitas de bolo ou dias fixos na natureza”, explica a paisagista. A ideia é observar a planta e entender seus sinais, em vez de seguir uma rotina rígida que pode não funcionar para todas as espécies.

A mudança das estações também muda os cuidados

Mesmo protegidas dentro de casa, as plantas acompanham os ciclos da natureza. Por isso, a rotina de manutenção deve ser ajustada ao longo do ano.

Durante o verão, quando as temperaturas aumentam e as plantas entram em um período de crescimento mais intenso, o substrato tende a secar mais rápido. Nesse momento, algumas espécies podem precisar de regas mais frequentes e de uma adubação regular.

Já no inverno, o metabolismo de muitas plantas desacelera. A terra demora para perder umidade e o excesso de água pode prejudicar as raízes. “Durante esse período, é importante reduzir as regas, espaçá-las ou interromper a adubação”, aconselha Bárbara.

A paisagista Ana Lui lembra ainda que a luminosidade do ambiente também pode mudar conforme a época do ano. “Um canto que recebe bastante claridade no verão pode ficar mais sombreado no inverno, tornando necessário reposicionar alguns vasos para garantir melhores condições de desenvolvimento”, pontua ela.

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Pequenos cuidados fazem uma grande diferença

Além da rega e da adubação, a observação diária é uma das ferramentas mais importantes para manter as plantas saudáveis. As folhas costumam revelar quando algo está errado: manchas, amarelamento, bordas secas, folhas enroladas ou queda excessiva podem indicar falta ou excesso de água, pouca luz, deficiência de nutrientes ou até a presença de pragas.

“Uma planta saudável ‘conversa’ com quem cuida dela. Pequenas mudanças nas folhas ou no crescimento costumam ser os primeiros sinais de que algo precisa ser ajustado”, explica Ana. Outro cuidado muitas vezes deixado de lado é a limpeza das folhas. De acordo com Bárbara, a poeira acumulada pode prejudicar a fotossíntese, por isso vale reservar um momento do mês para passar um pano úmido nas folhas. 

As paisagistas também recomendam girar os vasos de tempos em tempos. Como as plantas crescem em direção à luz, mudar sua posição cerca de 90 graus ajuda a manter um crescimento mais equilibrado.

Os acessórios que realmente facilitam a rotina

Para cuidar das plantas dentro de casa, não é necessário ter uma grande coleção de ferramentas. Alguns acessórios simples já tornam o processo mais prático e ajudam a evitar erros comuns.

Um regador de bico fino e longo, por exemplo, permite direcionar a água para a terra, evitando molhar excessivamente as folhas e o miolo da planta. O borrifador pode ajudar na manutenção de espécies que gostam de mais umidade, enquanto uma tesoura de poda limpa e afiada facilita a retirada de folhas secas e galhos que precisam ser removidos.

Também vale investir em um kit básico de jardinagem e em uma proteção para a bancada ou o piso, especialmente para quem costuma manusear o substrato dentro de casa.

Criar um cronograma pode facilitar a rotina

Organizar uma rotina de cuidados com as plantas dentro de casa pode facilitar bastante o dia a dia, principalmente para quem tem diferentes espécies. Mas o planejamento deve funcionar como um guia de observação, e não como uma obrigação com datas fixas.

Ana Lui sugere agrupar plantas com necessidades semelhantes de luz e irrigação para tornar a manutenção mais simples. Bárbara também indica criar um painel com o seu planejamento para acompanhar regas, limpezas e outros cuidados periódicos.

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