“Ser reservada é uma forma de quebrar as regras”, diz Rooney Mara
Estrela da campanha de L’Interdit Elixir, nova fragrância da Givenchy, Rooney Mara reflete sobre carreira, autoimagem e maternidade em conversa com a ELLE Brasil.
Rooney Mara é uma das estrelas mais renomadas do cinema internacional. Indicada duas vezes ao Oscar, vencedora do prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes e presença constante em filmes aclamados, a atriz de 41 anos, no entanto, conseguiu algo raro em Hollywood: blindar sua vida pessoal dos holofotes.
Reservada, a estadunidense não está presente nas redes sociais, faz poucas aparições públicas e preserva a privacidade de sua relação com o também ator Joaquin Phoenix. Juntos há dez anos, o casal noivou em 2019 mas nunca confirmou, de fato, a oficialização da união. Essa discrição se estende aos filhos: o nome do primogênito, River, nascido em 2020, veio à tona por terceiros, e o do segundo filho, nascido em 2024, segue desconhecido.
A quietude, como declara em entrevista à ELLE Brasil, é algo que sempre valorizou. De volta aos cinemas em setembro deste ano com Bucking Fastard, filme dirigido por Werner Herzog e contracenando com sua irmã Kate Mara, a atriz também reaparece como o rosto da campanha de L’Interdit Elixir, nova fragrância da Givenchy.
“Tenho muito privilégio de ter a relação que tenho com eles”, comenta Rooney, que em 2018 tornou-se a estrela oficial desta coleção de perfumaria. “Uso as roupas da marca desde 2011, então fiquei muito honrada em fazer parte do novo capítulo desta linha de fragrâncias que o próprio Hubert de Givenchy criou.”
Desenvolvido pelos perfumistas Dominique Ropion, Anne Flipo e Meabh McCurtin, Elixir chega para integrar a família L’Interdit, cujo frasco original nasceu em 1957 como uma criação do fundador da maison especialmente para sua amiga Audrey Hepburn. Esta nova versão adiciona uma faceta gourmand e um perfil intenso à assinatura clássica a partir da incorporação de notas cereja preta e amêndoas amargas.

Foto: Craig McDean
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Em meio ao lançamento, que chegou às prateleiras brasileiras nesta semana, conversamos com Rooney Mara sobre sua trajetória com a grife francesa, seu novo momento de vida e seus próximos passos profissionais.
Em uma era de superexposição constante, você parece valorizar profundamente sua privacidade. Como você navega a visibilidade pública hoje?
Para mim, é muito fácil sustentar essa privacidade porque eu simplesmente não tenho trabalhado tanto nos últimos anos desde que tive minha filha. (risos) E embora esse cenário certamente mude em algum momento, por ora, eu não estou tão imersa nesse mundo. Então, não me incomodo com isso porque realmente vivo uma vida calma com minha família, e a minha privacidade não é nem algo que eu pense constantemente – pelo menos não no meu dia a dia.
Pergunto isso porque a L’Interdit fala sobre transgressão e quebra de regras. O que significa quebrar uma regra para alguém que é, pelo menos publicamente, mais reservada?
Ah, acho que dá pra ser uma quebradora de regras reservada. (risos) Acho que ser reservada é, de certa forma, quebrar a regra – hoje em dia, pelo menos. Ser rebelde é ser reservada, ao contrário do que se pensa. Todo mundo hoje só diz o que vem à cabeça, sem pensar muito. E, na verdade, para mim, algumas regras são ótimas e importantes. Elas nos mantêm seguros, e existem por um motivo, não é? Mas se algo não parecesse certo pra mim, eu não seguiria só porque é uma regra.
Existe algo que, há dez anos, você valorizava menos, mas que hoje é algo essencial e importante pra você?
Certamente agora, sendo mãe, valorizo muito a quietude. Sempre valorizei isso, então não é bem algo novo. (risos) Mas agora eu aprecio muito mais. Estava conversando sobre isso há um tempo com alguém, aliás. Além disso, hoje, valorizo o privilégio de poder treinar e me exercitar. É uma atividade que sempre pareceu uma obrigação, mas que agora eu encaro como um presente. É um prazer poder fazer isso.
Você fala sobre apreciar simplicidade, mas, para você, ainda existe alguma coisa que não é simples, ou que talvez seja até complicada, da qual vale a pena ir atrás?
Sim! E, na verdade, não acho que eu seja exatamente uma pessoa simples. Já recebi esse comentário antes. Alguém comentou em certo momento: “Você tem muita vida interior para fazer esse papel”, e eu pensei: “Espera! Como assim? Todos os seres humanos têm vida interior!”. Mas posso dizer então que eu definitivamente amo uma vida simples, mas estou sempre curiosa para aprender mais e me aprofundar na relação comigo mesma e com os outros. Então, definitivamente, não preciso de simplicidade nas minhas relações humanas, mas simplicidade na vida é bom.

Foto: Craig McDean
Seu trabalho carrega muita intensidade emocional. O que te leva a um novo personagem ou projeto?
Não há um critério específico. É sempre diferente. Não existe, por exemplo, uma lista de coisas que eu procuro ao aceitar um projeto. É só uma sensação que surge quando leio algo: uma curiosidade e um desejo de explorar mais esta personagem e viver essa experiência.
Esse ano você está estrelando Bucking Fastard, dirigido por Werner Herzog. Como foi trabalhar com um cineasta tão singular e com uma visão tão própria?
Foi incrível. Trabalhar com ele e com minha irmã foi uma experiência única, original. Adorei cada segundo. Ele é simplesmente alguém de quem eu queria estar perto, aprender, observar. Fico curiosa com tudo que ele diz e faz. Ele poderia ter me oferecido qualquer papel e eu teria aceitado, sabe? (risos) Mas, além disso, se tratava de um projeto muito significativo para ele, e fiquei feliz em fazer parte disso. Era uma história que há décadas ele queria contar e transformar em filme. Algo maluco, mas profundamente significativo.
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Ao longo da sua carreira, você transitou entre filmes independentes, teatro e grandes produções. O que você ainda busca hoje como atriz?
Meu Deus, tanta coisa! Sinto que existe tanta coisa que eu ainda não consegui fazer, mostrar ou explorar. Agora que estou mais velha e não sou mais uma “ingénue” (arquétipo de personagem na ficção que representa uma jovem inocente), sinto que quanto mais experiência de vida você tem, mais interessante você se torna – pelo menos de se assistir e observar. Então, espero que, à medida que eu envelheça e ganhe mais experiência de vida, haja papéis mais interessantes e complexos para eu explorar.
Você tem uma assinatura visual muito distinta. Como você encara sua relação com a autoimagem?
É outra coisa que muda com o tempo. Depois da pandemia da Covid, passei por uma fase de não colocar nenhum esforço no que eu vestia ou em como eu me parecia – algo que se repetiu no ínicio da maternidade. Fiquei bem relaxada e em paz com isso. Mas acho que estou entrando novamente em um período em que aprecio mais o ritual de me arrumar e colocar um esforço em me sentir bem. Percebo como isso também pode ser bom. Por um tempo, julguei essa qualidade feminina como características que são, de alguma forma, frívolas e superficiais, mas não é algo em que acredito mais. Na verdade, acho que é lindo querer trazer mais beleza para o mundo. É uma atitude bonita.
A Givenchy está associada a mulheres que encarnam um senso forte e singular de feminilidade. Você se sente conectada a essa ideia de alguma forma?
Acho que todas nós, esperançosamente, encarnamos nossa própria versão de feminilidade, seja lá o que isso signifique para cada pessoa. Tenho percebido, à medida que envelheço, que a coisa mais feminina que posso fazer é não tentar resolver tudo à força, não me tornar rígida, e permanecer aberta e disposta a receber a ajuda dos outros.
Você está com a Givenchy por um bom tempo. Como foi pra você testemunhar a chegada da Sarah Burton e o início dessa nova visão criativa para a maison?
Incrível. Sonhei com isso por anos. Eu ficava repetindo para a marca: “por que vocês não trazem a Sarah?”. Lembro até de mandar um e-mail também para ela antes de sua confirmação na Givenchy dizendo: “Por que você não vai pra lá?”. (risos) E ela faz um trabalho incrível resgatando a essência clássica da Givenchy, mas com sua visão singular e distinta. Ainda estão lá todas as coisas que eu tanto amo na maison, como a dualidade entre o feminino e o masculino que aparecem de uma só vez, porém eu realmente amo como o trabalho está sendo conduzido. Amo a Sarah.
Existe algo no trabalho da Sarah com qual você se identifica?
Me identifico muito com a Sarah. Ela é introvertida como eu, e é muito sensível. É uma pessoa delicada, mas também tem uma força interior profunda. Tenho muito respeito por ela e pela criatividade dela. Simplesmente a amo.
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