Ácido azelaico está em alta, mas exige cuidados específicos: saiba as indicações de uso
Com o sucesso do skincare coreano, o ácido azelaico ganhou os holofotes nas redes sociais. Entenda quais são suas indicações e por que o uso ainda exige orientação.
Se você acompanha as tendências de beleza, provavelmente já percebeu que o ácido azelaico virou um dos ativos mais comentados do momento. Presente em produtos que viralizaram com a popularização do skincare coreano, ele passou a despertar a curiosidade de quem busca controlar acne, tratar manchas ou reduzir a sensibilidade da pele. Apesar da fama recente, o ingrediente está longe de ser uma novidade para a dermatologia e seu uso exige alguns cuidados importantes.
“O ácido azelaico já é utilizado há bastante tempo e possui indicações bem estabelecidas”, explica a dermatologista Ligia Novais. Ao contrário de outros ativos conhecidos por provocar descamação intensa ou maior sensibilidade, o azelaico se destaca justamente pela versatilidade e pela boa tolerabilidade. Isso não significa, no entanto, que ele seja indicado para qualquer pessoa ou que possa ser incorporado à rotina apenas porque está em alta nas redes sociais. “A indicação deve sempre partir de uma avaliação individual”, reforça a médica.
Embora seja frequentemente associado ao tratamento da acne, o ácido azelaico tem indicações mais amplas. O mesmo ingrediente pode atuar de maneiras diferentes dependendo da condição da pele. Na acne, por exemplo, ele ajuda a controlar tanto a inflamação quanto a proliferação das bactérias envolvidas no desenvolvimento das lesões. Já em pessoas com rosácea, seu principal benefício está relacionado justamente à ação anti-inflamatória, reduzindo a vermelhidão e os surtos característicos da doença. Quando o assunto são manchas, incluindo o melasma, o mecanismo muda. “Ele atua diminuindo a produção de melanina, podendo ser um coadjuvante no tratamento”, explica Ligia.

Foto: Instagram/@foileskincare
Mesmo quem não apresenta doenças dermatológicas pode se beneficiar do ativo. Em peles equilibradas, sejam oleosas, secas ou normais, ele contribui para manter os poros limpos, prevenir cravos e melhorar o aspecto geral. “Não é um ácido que afina a derme ou causa descamação forte. Ele tem um nível suave”, resume a especialista.
Leia mais: Máscara de LED facial: um dermatologista explica por que a tecnologia virou hype e se vale o investimento
Por que o ácido azelaico é diferente no Brasil?
Quem costuma consumir conteúdos internacionais de beleza talvez tenha percebido uma diferença importante: enquanto em diversos países o azelaico aparece em séruns e cosméticos vendidos livremente, no Brasil algumas formulações ainda são classificadas como medicamentos. Segundo a dermatologista, isso acontece porque cada país estabelece regras próprias para definir quais concentrações podem ser comercializadas como cosméticos e quais exigem registro como medicamento.
Outro ponto que costuma gerar confusão é a ideia de que concentrações mais altas necessariamente entregam melhores resultados. “Isso é um grande mito. A maioria dos cosméticos permitidos usa a concentração de 10% para o ácido azelaico, o que já entrega o seu potencial”, explica. Por isso, produtos aparentemente semelhantes podem ter concentrações, indicações e formas de uso bastante diferentes. Nos casos de acne, rosácea ou melasma, a orientação médica continua sendo o caminho mais seguro para escolher a formulação adequada.
Além disso, a fama de ativo “suave” também pode levar a outro equívoco: acreditar que ele pode ser combinado livremente com qualquer outro ingrediente. “O fato de apresentar boa tolerabilidade não significa que o uso seja isento de cuidados”, alerta a profissional. Segundo ela, um dos erros mais frequentes é tentar acelerar os resultados misturando várias substâncias potencialmente irritantes na mesma rotina. “Quando a pele está sentindo mais sensibilidade, irritação ou está mais inflamada, não é o momento de fazer testes. É importante cuidar do equilíbrio cutâneo primeiro”.
Em muitos casos, o ácido azelaico pode ser associado à vitamina C, à niacinamida, ao ácido hialurônico e a outros ativos voltados para fortalecimento da barreira cutânea. Já combinações com retinoides e ácidos esfoliantes exigem maior cautela: “Isso seria combinar potenciais inflamatórios, o que pode promover uma barreira de pele danificada e causar uma reação cruzada”.
Sinais como vermelhidão persistente, dor, irritação intensa ou aumento importante da sensibilidade indicam que o tratamento precisa ser interrompido e reavaliado. Em muitos casos, segundo a especialista, basta ajustar a frequência de aplicação para melhorar a tolerância.
Leia mais: Glicólico, salicílico e mais: 4 ácidos que você também pode usar no corpo e seus benefícios
Redes sociais não substituem diagnóstico
O crescimento das buscas pelo ingrediente acompanha uma tendência maior: a influência cada vez mais forte do skincare coreano sobre consumidores brasileiros, mas copiar rotinas vistas na internet nem sempre traz os mesmos resultados. “As características da pele, o clima, os hábitos e até a regulamentação dos produtos variam entre os países”, lembra a dermatologista. “Uma rotina de cuidados eficaz não depende da quantidade de produtos utilizados, mas da escolha daqueles que realmente atendem às necessidades da pele”.
Outro ponto importante é controlar as expectativas. Enquanto alguns casos de acne podem apresentar melhora nas primeiras semanas, tratamentos para melasma e manchas costumam exigir mais tempo e constância. “As redes sociais frequentemente criam expectativas pouco realistas. Na prática, a melhora acontece de forma gradual e depende da regularidade no uso, da associação com outras medidas e das características de cada organismo”.
Em outras palavras, o sucesso recente do ácido azelaico faz sentido: trata-se de um ativo versátil, bem estudado e com aplicações relevantes em diferentes condições dermatológicas. Mas, como acontece com qualquer tratamento para a pele, o melhor resultado não costuma vir da tendência do momento e, sim, de uma rotina construída de acordo com as necessidades individuais.
3 produtos com ácido azelaico para ter no radar
Noviole, R$ 129

O AZELABIO, da Noviole, é um sérum desenvolvido para peles acneicas, oleosas e sensíveis que combina 10% de Azeloglicina (derivado do ácido azelaico), Niacinamida, Zinco PCA e o ativo pós-biótico patenteado CAMEXBIO, obtido por fermentação do chá verde. A fórmula promete controlar a oleosidade, reduzir acne e manchas, diminuir a vermelhidão e fortalecer a barreira cutânea.
Medicube, R$ 300

O Ácido Azelaico 16, da Medicube, é um sérum formulado com 16% de ácido azelaico para peles acneicas, oleosas e sensíveis. A proposta é reduzir espinhas, controlar a oleosidade, suavizar vermelhidão e clarear manchas de acne, enquanto fortalece a barreira cutânea com pantenol e niacinamida. De textura leve e rápida absorção, o produto é indicado para uso gradual, preferencialmente à noite, com protetor solar durante o dia.
Ada Tina, R$ 170

O Azelabio Acne Correction, da Ada Tina, é um sérum voltado para peles oleosas, acneicas e com manchas, que combina um derivado do ácido azelaico à tecnologia AZELO-K INFUSION com ácidos mandélico, salicílico e glicólico, além de niacinamida. A fórmula promete controlar a oleosidade, reduzir a aparência de poros, uniformizar o tom da pele e melhorar a textura, com uso diário e associação obrigatória ao protetor solar.
Leia mais: Estes são os 4 séruns de vitamina C mais indicados pelos dermatologistas
Preços pesquisados no mês de julho e sujeitos a alteração.
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.
Veja mais

Máscara de LED facial: um dermatologista explica por que a tecnologia virou hype e se vale o investimento

Spray fixador de maquiagem: 7 queridinhos que não saem do kit dos maquiadores

Unha marrom e azul: 9 jeitos de apostar na combinação cromática do momento
