Beleza

Cabelos bicolores em alta!

Com o retorno dos anos 2000 à moda, eles voltam a conquistar as cabeças das mulheres que querem fios diferentões sem apelar para as tintas coloridas

Ilustração @viamagalhaes
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Pois é, as tendências dos anos 2000 estão voltando com tudo. Enquanto o circuito da moda ainda olha de lado para a cintura baixa, as mechas grossas e descoloridas em cabelos escuros já têm força suficiente para ganharem o posto de trend capilar da vez. Apesar desse movimento já estar acontecendo há um tempo, a chave virou completamente no momento em que a cantora Dua Lipa surgiu pela primeira vez com os fios meio descoloridos e meio pretos criados pela colorista Nicola Clarke. No caso da cantora, o loiro ficava no topo da cabeça, enquanto a parte de baixo das madeixas foi mantida preta – uma alusão clássica aos estilos que eram moda vinte anos atrás.

Os bicolores podem ter várias formas: duas mechinhas na franja, meio a meio estilo Cruella de Vil (dos 101 Dálmatas da Disney), loiro em cima e preto embaixo, como no clipe "Dirty", de Christina Aguilera, uma parte descolorida só de um lado da cabeça para as assimétricas – tem para todos os gostos. Assim que percebeu que o estilo do começo do novo milênio estava despontando novamente na moda, Fernanda Vitorino, do salão Minha Mimo, apostou que o P&B ia explodir. "Quando vi a Dua Lipa usando, falei na hora: 'agora todo mundo vai ter mechinha'", relembra a cabeleireira. Dito e feito. Desde metade do ano passado, a profissional especializada em cabelos diferentões, descoloridos e coloridos de cores fantasia, já reproduziu a tendência em várias e diferentes mulheres.

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Dua Lipa na capa de maio deste ano da ELLE estadunidense.Foto: Zoey Grossman

Uma delas foi Bia Gremion, modelo e criadora de conteúdo que sempre adorou mudar o estilo e a cor de seus fios. "Dessa vez, minha referência ao descolorir foi uma peruca que eu vi. Existe também uma cultura muito forte no TikTok, de pessoas pintando de preto e branco, vermelho e preto. Eu tive verde e preto, mas dessa vez decidi fazer loiro com preto", explica Gremion. A mudança veio para combinar com as maquiagens mais austeras que tinha vontade de fazer. "Às vezes, com o verde, eu passava um batom vermelho e sentia que essa seriedade não combinava com o cabelo colorido", continua.

Antes do P&B, Bia Gremion tinha o cabelo verde e preto.Foto: Bia Gremion

Para contextualizar, ressalto que esta jornalista que vos escreve tem o tal bicolor desde março de 2019. Depois de dois anos de cabelo rosa, senti a necessidade de um visual mais neutro, mas seguia com a vontade de ter um estilo diferente da média que vemos por aí. Quando era rosa, só usava delineador preto e batom vermelho. Depois de assistir à primeira temporada da série Euphoria (2019) da HBO, quando a moda das madeixas P&B ainda nem tinha vingado de vez, fiquei com vontade de experimentar mais no campo das maquiagens coloridas, neon, com texturas, riscos e formas diferentes. Assim, voltei a ser morena, deixando uma mechona descolorida no lado direito da cabeça. Hoje, as maquiagens coloridas são uma constante – nunca mais usei apenas o delineador preto. Por sinal, no Carnaval desse ano, até me fantasiei de Cruella no Carnaval deste ano! O cabelo bicolor virou marca registrada.

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Diferenciar-se também foi o que levou Sam Gonçalves a adotar a tendência. O primeiro modelo com vitiligo a cruzar a passarela da SPFW conta que sempre recebe perguntas sobre sua mecha branca, se ela seria causada pela condição crônica. "Eu acho uma pergunta meio óbvia e brinco falando que sim! Tenho mechas brancas por conta do vitiligo, mas são bem menores. Decidi descolorir uma maior porque queria ser ainda mais único", revela. Apesar de só retoca-la de três em três meses, Gonçalves faz semanalmente uma hidratação profunda e uma umectação nos fios.

A mecha descolorida virou marca registrada do estilo de Sam Gonçalves.Foto: Pedrita Junckes

"Quis fazer esse cabelo justamente porque eu via muitas meninas brancas com ele e quase nenhuma menina negra. A única que vi foi a Tasha Green, que está com mechinhas cor-de-rosa", justifica a criadora de conteúdo Larissa Cunegundes. Quando procuramos por imagens desse estilo, seja no Instagram ou no Pinterest, o resultado privilegia mulheres brancas de cabelos lisos. São poucos os resultados que contemplam mulheres negras com cabelos crespos ou enrolados. A Lari trabalha exatamente na contramão do racismo algorítmico ao trazer a trend para o espectro das tranças jumbo. "Tive que virar a minha própria referência."

Em 2020, Larissa Cunegundes prometeu testar diferentes cabelos e as tranças bicolores não ficaram de fora da aventura.Foto: Larissa Cunegundes

Conhecida por seu corte geométrico, a stylist e beauty expert se conectou com sua ancestralidade ao colocar tranças da primeira vez. Desde então, não parou mais. Na última vez em que trocou o chanel pelos longos, aplicou duas mechas descoloridas de cada lado da franja. "Esse ano prometi para mim mesma que ia me permitir ter vários penteados. Queria me ver diferente", conta. Na hora dos cuidados, ela usa shampoos mais leves para não agredir o couro cabeludo e arremata o combo com uma umectação que ajuda a manter o cabelo natural sempre hidratado.

Dois pesos, duas medidas

Falando em como tratar esse cabelo de personalidade dupla, vale lembrar que descolorir significa remover o pigmento natural do fio e isso, evidentemente, tem consequências. Segundo a Drª Ana Lúcia Junqueira, tricologista à frente do IBEMC (Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas em Medicina Capilar), pela combinação da água oxigenada com a amônia, "o cabelo sofre um processo de oxidação que aumenta a porosidade dos fios e os deixam mais suscetíveis à quebra". É importante, então, tratar as especificidades de cada parte. "De modo geral, orientamos evitar um segundo procedimento químico, realizar procedimentos de hidratação com frequência e, dependendo do caso, até podemos utilizar adjuvantes com vitaminas e aminoácidos – tanto em sua forma oral quando injetáveis diretamente no couro cabeludo – para que eles cresçam com mais força, saúde e brilho", finaliza.

Fernanda Vitorino também acredita no cronograma capilar como a melhor saída para quem quer investir no bicolor, uma vez que inclui hidratação, reconstrução e nutrição. "É importante que a pessoa saiba que o descolorido é completamente diferente do virgem. Precisa fazer reposição de massa, queratina e lipídeo", explica. No salão, assim que faz qualquer descoloração, a cabeleireira já oferece uma hiper reconstrução para devolver essa vida ao cabelo. "O que muda, no caso dos bicolores, é que a mecha deve receber mais produtos de reconstrução que o resto do cabelo".

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"O frizz é uma das últimas coisas que você derruba da ditadura do liso", afirma a hair stylist Luciana Safro que explica, junto com outras profissionais, por que a cultura de combate ao frizz que é especialmente intensa no Brasil não faz sentido.

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