O poder da água termal de Avène
Fomos até a Estação Termal de Avène, no sul da França, para conhecer o sistema que transforma uma fonte de água em tratamento médico e produto de skincare.
A pequena comuna de Avène, no sul da França, não figura em nenhum guia turístico convencional. O que a coloca no mapa e atrai cerca de 2.800 pacientes de mais de 30 países por ano, é o que existe embaixo dela: uma fonte de água termal com propriedades poderosas.
Seu uso terapêutico é documentado desde 1736, quando a nascente foi identificada e passou a ser utilizada localmente para cuidados de pele. Em 1874, o local foi oficialmente reconhecido pelo Estado francês como estação termal de interesse público, consolidando seu uso médico. Décadas depois, já sob aquisição do farmacêutico francês Pierre Fabre, essa água começou a ser estudada de forma mais sistemática.
Em 1990, o grupo lançou a marca de skincare Avène, batizada com o nome da cidade e tendo a água termal como ativo central de formulação. Nesse mesmo contexto, a infraestrutura da atual Estação Termal Avène foi modernizada e estruturada como um centro dermatológico de referência, voltado ao tratamento clínico de condições como dermatite atópica, psoríase, eczema, rosácea e queimaduras – incluindo protocolos de acompanhamento pós-câncer. Foi para lá que fui para entender, na prática, como essa água especial atua no cuidado com a pele.

A fachada da Estação Termal de Avène. Foto: Gerson Lírio
Menos spa, mais clínica
O centro é o primeiro estabelecimento termal dedicado exclusivamente à dermatologia a receber a certificação Aquacert HACCP Thermalisme – um padrão internacional que garante conformidade com boas práticas de hidroterapia em termos de qualidade e segurança, incluindo a microbiologia da água.
Portanto, faz sentido que a primeira impressão ao chegar é que o lugar não é um resort. A arquitetura é funcional, o ambiente é silencioso, os corredores têm aquela organização impecável de uma instituição de saúde bem gerida. Os pacientes chegam com laudos, são recebidos por dermatologistas e seguem rotinas prescritas individualmente – não escolhem tratamentos como itens de menu.
Os programas duram três semanas, com sessões diárias que incluem banhos, duchas, aplicações localizadas e compressas, todos realizados com a água captada diretamente da nascente. Durante a visita, foi possível acompanhar parte desses protocolos e passar por alguns deles. A experiência é precisa: a temperatura da água, o tempo de exposição, a pressão das duchas – tudo calibrado com um objetivo terapêutico claro.

Sala de banho onde os pacientes fazem parte do tratamento com a água termal. Foto: Gerson Lírio
Mas afinal, o que a água termal de Avène tem de tão especial?
A resposta começa a 1,5 km abaixo da superfície. A água da chuva se infiltra no solo e inicia uma jornada de aproximadamente 50 anos pelas Montanhas Cévennes, atravessando camadas profundas de dolomita. Através dessa pedra, ela entra em contato com uma bactéria única chamada Aquaphilus dolomiae, que é a fonte das substâncias ativas responsáveis pelas propriedades calmantes, anti-inflamatórias e restauradoras. Só então ela retorna à superfície em uma nascente protegida por uma área de captação de cerca de 30 km² de biodiversidade natural, o que garante que a água chegue à superfície sem contato com poluentes químicos ou microbiológicos externos.
Existem diversas fontes de água termal no mundo e algumas delas também são envasadas e vendidas no mercado de skincare. Contudo, elas não são todas iguais. Esse microorganismo que compõem a água de Avène, por exemplo, não foi descrito em nenhum outro ambiente até hoje. Sua proporção entre cálcio e magnésio é considerada excepcional entre as águas termais de uso dermatológico, e seu baixo teor mineral a torna particularmente adequada para peles sensíveis. Diferente de águas com alto resíduo seco que podem comprometer a barreira cutânea, a de Avène apresenta um equilíbrio que favorece o conforto da pele, especialmente a mais reativa.
Não à toa, a água termal de Avène é objeto de publicações regulares em periódicos especializados em dermatologia – mais de 150 estudos clínicos e farmacológicos atestam sua eficácia sobre a sensibilidade cutânea.

A água termal de Avène vendida em farmácias de todo o mundo. Foto: Gerson Lírio
Ainda que eu não tenha nenhuma questão grave de saúde, minha experiência na Estação Termal foi bastante surpreendente. Depois de um banho de 20 minutos com mais de 250 mil litros de água termal, já pude sentir os efeitos da água na pele: livre de qualquer ressecamento, repuxamento ou vermelhidão. A brincadeira entre os convidados da viagem era que parecíamos ter entrado na fonte da juventude e saído alguns anos mais jovens.
De fato, os efeitos da água termal não se restringem aos contextos clínicos. No uso cotidiano, ela também é indicada como um complemento na rotina de skincare justamente por suas propriedades calmantes e anti-irritantes, ajudando a reduzir desconfortos imediatos da pele – como vermelhidão, sensação de calor e reatividade – podendo ser usada após exposição solar, depilação, procedimentos dermatológicos ou mesmo como etapa de finalização da limpeza. Na prática, funciona como um reforço de conforto cutâneo, especialmente para peles sensibilizadas por fatores externos do dia a dia, como poluição, variações de temperatura ou excesso de ativos na rotina de cuidados.
No fim, a visita deixa mais claro um sistema do que um ingrediente isolado, em que a água termal não aparece apenas como ponto de partida ou um ativo cosmético, mas como o fio condutor de toda a operação. Essa lógica se sustenta na combinação entre a validação científica, o uso clínico contínuo na Estação Termal Avène e a padronização industrial na produção dos dermocosméticos – um mesmo ecossistema em que origem e aplicação seguem diretamente conectadas.
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