Seu cabelo está com falhas? Entenda se é alopecia areata, doença que leva à queda repentina dos fios
Caracterizada pelo surgimento de áreas arredondadas e bem delimitadas sem cabelo, a alopecia areata é uma doença autoimune que pode atingir também sobrancelhas, cílios e barba.
Encontrar uma falha no cabelo que não estava ali antes pode causar preocupação (e não é por menos!), especialmente quando ela aparece de repente e deixa uma área do couro cabeludo completamente à mostra. Em alguns casos, isso pode significar alopecia areata, uma doença que provoca a queda dos fios em regiões específicas e que também pode afetar pelos do corpo.
Mas como reconhecer o quadro? A queda acontece sempre da mesma maneira? O cabelo volta a crescer? E quais são as opções de tratamento? Para entender melhor a condição, seus sinais, causas, diagnóstico e possibilidades de controle, ELLE conversou com a médica tricologista Luciana Passoni, referência em ciências capilares e CEO da Passoni Clinic, que responde às principais dúvidas sobre alopecia areata.
O que é a alopecia areata?

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“É uma doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar, de forma equivocada, os folículos responsáveis pela produção dos fios. Isso interrompe o ciclo normal de crescimento e pode provocar uma queda bastante rápida. Diferentemente de outros quadros, em que há uma redução difusa por todo o couro cabeludo, uma de suas características mais conhecidas é justamente o surgimento de falhas bem delimitadas e arredondadas, que podem começar pequenas, de forma repentina, mas aumentar rapidamente. Apesar de associarmos a condição ao couro cabeludo, ela não se limita a ele e pode progredir atingindo toda a cabeça, em uma alopecia total, e depois se expandir para barba, sobrancelhas, cílios e pelos de outras regiões do corpo, o que chamamos de alopecia universal”.
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O que se sabe sobre suas causas?
“Não existe um fator único. O que sabemos é que há uma predisposição genética e uma alteração na resposta imunológica. Alguns agentes, como o estresse físico ou emocional, podem funcionar como gatilhos para despertar essa reação autoimune, mas as causas são complexas e multifatoriais”.
Como é feito o diagnóstico?
“O diagnóstico é principalmente clínico e deve ser feito por um médico capacitado. Além de observar o padrão da queda, utilizamos a tricoscopia [uma espécie de lupa dermatológica], que permite avaliar com muito mais detalhe os fios e o couro cabeludo e identificar sinais característicos da alopecia areata. A depender da história do paciente e dos achados clínicos, podemos solicitar exames laboratoriais para investigar condições associadas ou descartar outras causas”.
A alopecia areata tem cura?
“Não, mas tem tratamento e controle. Até mesmo em um caso de alopecia universal a reversão é possível. A escolha do tratamento, no entanto, depende da extensão, idade, tempo de evolução e características individuais. Entre os destaques, temos os inibidores da enzima JAK, que atuam diretamente na inflamação dos folículos pilosos. O ritlecitinibe [vendido sob o nome comercial Litfulo], por exemplo, vem mostrando excelentes resultados em casos de alopecia areata”.
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Os fios voltam a crescer depois de uma crise?

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“Sim, o cabelo pode voltar a crescer, mas o tratamento costuma ser fundamental para o controle da alopecia areata. Às vezes, os primeiros fios que surgem são mais finos ou mais claros e depois, com o fortalecimento do folículo piloso, vão recuperando suas características habituais. A evolução, porém, é bastante individual. Algumas pessoas apresentam um único episódio, enquanto outras podem ter recorrências ao longo da vida ou formas mais extensas da doença”.
Quando procurar um especialista?
“Quedas mais difusas e sazonais podem ser normais, porém toda falha merece atenção, principalmente porque existem diferentes doenças capazes de provocar perda localizada. Minha orientação é não tentar tratar por conta própria e não esperar a falha aumentar para procurar ajuda. O ideal é buscar um médico especialista que poderá examinar o couro cabeludo, realizar a tricoscopia e estabelecer o diagnóstico correto. Quanto antes entendermos o que está causando aquela queda, mais rapidamente conseguimos controlar e regularizar o crescimento dos fios”.
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