18 destaques da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Além de quase 400 filmes, ano de efeméride tem lançamento de dois livros, duas exposições e uma série de conversas de cineastas com o público.


Fjord, destaque da 50a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Cena de Fjord, vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Foto: Reprodução



A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega à sua 50ª edição a partir desta quarta-feira (14.10), com a abertura, para convidados, com exibição de Tigre de papel, de James Gray, e do curta Sul de Teerã, de Kleber Mendonça Filho. Ambos estarão presentes na cerimônia. Para o público, a Mostra vai de 15 a 29 de outubro, em quase 60 salas e espaços culturais espalhados pela cidade.

Como de costume, a Mostra é gigante: são quase 390 filmes de mais de 90 países. Mas, neste ano de efeméride, que inaugura parceria com a Louis Vuitton, ela vem recheada de eventos, como o lançamento dos livros Antes que eu me esqueça, em que a diretora Renata de Almeida relembra seus 37 anos no evento, e 50 anos, 50 cartazes, com os pôsteres destacáveis de todas as edições. Há também as exposições Tempo e movimento: Os 50 anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, concebida por Daniela Thomas, no Solar Fábio Prado, e STEPS, com fotografias de escadarias feitas pelo cineasta Abbas Kiarostami, inéditas no Brasil, no MIS. 

Também acontecem conversas com o público do rapper e diretor Boots Riley, que está no júri e apresenta I love boosters; S.S. Rajamouli, diretor de RRR: Revolta, rebelião, revolução; de James Gray com Walter Salles e do próprio Salles sobre Sócrates Brasileiro, série assinada por ele que está em finalização. 

Entre quase 400 filmes, confira a seleção de ELLE do que você não pode perder:

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Tigre de papel, de James Gray

O diretor estadunidense não é dos mais famosos, apesar de ser amado por cinéfilos com seu cinema clássico, sem invencionices, mas visualmente rigoroso e elegante. Dirigiu de Joaquin Phoenix (em Caminho sem volta, de 2000, Os donos da noite, de 2007, e Era uma vez em Nova York, de 2013) a Jeremy Strong e Anne Hathaway (Armageddon time, de 2022), que serão exibidos em sua retrospectiva na 50ª Mostra. Neste filme produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira e apresentado em competição em Cannes, Adam Driver e Miles Teller são irmãos que se envolvem com a máfia russa. Scarlett Johansson também está no elenco.

A terra do meu pai, de Pawel Pawlikowski

Indicada ao Oscar de atriz por Anatomia de uma queda (2023), Sandra Hüller interpreta a filha do escritor Thomas Mann, que o acompanha em sua volta à Alemanha no Pós-Guerra. O filme ganhou o prêmio de direção em Cannes.

Mulher desconhecida, de May el-Toukhy

A Segunda Guerra continua sendo terreno fértil de histórias, ainda mais com a ascensão da extrema-direita ao redor do mundo. O filme da única diretora em competição em Veneza levou o Leão de Ouro ao falar das mulheres que foram condenadas por se relacionarem com nazistas, enquanto homens faziam negócios com eles.

Fjord, de Cristian Mungiu

O cineasta romeno, Palma de Ouro com Quatro meses, três semanas e dois dias (2007), repetiu o feito neste ano com este longa-metragem rodado fora do seu país. Sebastian Stan (o Soldado Invernal dos filmes da Marvel é romeno de nascimento) e Renate Reinsve (Valor sentimental, de 2025) formam um casal conservador que enfrenta problemas ao se mudar para a Noruega.

Amor possível, de Lee Chang-dong

Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, é mais uma produção sul-coreana a tratar das divisões de classes, aqui sob o ponto de vista dos relacionamentos amorosos.

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Musk, de Alex Gibney

Em quatro horas, o documentarista destrincha o “inventor-empreendedor”, um dos homens mais influentes na nossa realidade atual.

Homem ao mar, de Gael García Bernal

Além de dirigir, o mexicano atua neste longa-metragem exibido no Festival de Veneza, de atmosfera telenovelesca, sobre um salva-vidas cubano. A brasileira Débora Nascimento está no elenco.

O ser querido, de Rodrigo Sorogoyen

Assim como sua mulher Penélope Cruz, Javier Bardem está em uma fase e tanto. Aqui ele interpreta um diretor de cinema que se reconecta com sua filha depois de muito tempo. Parece Valor sentimental, mas o tom é outro.

Displacement film fund

Nascido de uma ideia de Cate Blanchett, o projeto feito em parceria com o Festival de Roterdã financia curtas-metragens de cineastas refugiados ou que falam de refugiados em suas obras. Um dos filmes da primeira leva é O sentido da água, de Mohamad Rasoulof, diretor que fugiu a pé do Irã depois de finalizar A semente do fruto sagrado (2024).

Joy of joys, de Jonathan Glazer

Depois de mostrar a vida do diretor de Auschwitz em Zona de interesse (2023), Oscar de filme internacional, o cineasta inglês fez esse curta sobre as gravações do álbum HELP(2), feito para arrecadar recursos para crianças em zonas de conflito, com participação de Olivia Rodrigo, Damon Albarn, Pulp e Cameron Winter, entre outros. Crianças inglesas registram as sessões em estúdio, enquanto crianças em Gaza, na Ucrânia, no Sudão e no Iêmen mostram imagens de si mesmas e do seu entorno.

Cameron Winter at Carnegie Hall

Foto: Divulgação

Cameron Winter at Carnegie Hall, de Paul Thomas Anderson

Em meio à campanha pelo Oscar de Uma batalha após a outra, o diretor estadunidense registrou a apresentação única e intimistado vocalista da banda Geese no Carnegie Hall, em Nova York. Winter se apresentou no Brasil neste ano, no C6 Fest, e retornará em 2027 com o Geese, no Lollapalooza.

Primetime, de Lance Oppenheim

Nessa produção baseada em fatos reais, Robert Pattinson é Chris Hansen, apresentador do programa To catch a predator (como pegar um predador, em tradução livre), que borra jornalismo e entretenimento em níveis perigosos, criando armadilhas para capturar potenciais pedófilos.

Vicentina pede desculpas, de Gabriel Martins

Um dos mais de cem filmes nacionais da 50ª Mostra, apresenta a tentativa de uma mãe de se desculpar do erro do filho. Entre os outros brasileiros que têm suas primeiras sessões em São Paulo estão A margem do rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, premiado em Locarno; Feito pipa, de Allan Deberton, Urso de Cristal da seção Generation Kplus em Berlim e candidato do Brasil a uma vaga no Oscar de filme internacional; London, de Victor di Marco e Márcio Picoli; e Elza, documentário de Eryk Rocha sobre Elza Soares.

Leve Chico, de Marianna Brennand

Artistas brasileiros de diversas gerações interpretam Chico Buarque nesta série da diretora de Manas, que faz sua estreia mundial na Mostra. Os 13 episódios têm Gaby Amarantos, Péricles, Duda Beat, Catto, Juçara Marçal, Pretinho da Serrinha, entre outros, e mergulham no processo criativo de cada releitura.

Mostra Internacional de Cinema em São Paulo: até 29.10. Mais informações aqui.

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