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Em “Negro drama” (2002), os Racionais MC's versaram sobre o que significava receber amor como um indíviduo negro na sociedade brasileira: "Aquele que você odeia amar nesse instante", cantava Mano Brown. Vinte anos depois, Baco Exu do Blues levanta esse mesmo questionamento em seu novo disco, Quantas vezes você já foi amado?.

No dia do seu lançamento, o álbum alcançou 2 milhões de streams no Spotify em menos de 24h. Já na semana que chegou à plataforma, ocupou o quinto lugar na lista dos álbuns mais ouvidos do planeta do Spotify – uma das protagonistas do pop nacional, Ludmilla estava na nona posição com Numanaice #2. O álbum, que passeia pelo rap, pela MPB e pela música eletrônica, traz feats com Gal Costa, Gloria Groove e a nova aposta do mercado fonográfico, Muse Maya, além de samples de Vinicius de Moraes,

Baco partiu de um mergulho íntimo para construir QVVJFA, em que expõe suas vulnerabilidades. "Foi um processo muito único, de dor, de busca interna”, conta à ELLE. No álbum, além de negritude, ele discorre sobre temas como amor próprio, na faixa "Autoestima": “Foram vinte e cinco anos pra eu me achar lindo/ Sempre tive o mesmo rosto/ A moda que mudou de gosto/ E agora querem que eu entenda/ Seu afeto repentino.”

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Com apenas 26 anos, o soteropolitano vem cravando seu nome como um dos artistas mais relevantes da cena rap nacional. QVVJFA é o terceiro álbum de sua carreira, precedidos por Esú (2017) e Bluesman (2018). Com curta-metragem inspirado no último, ele faturou em 2019 o Cannes Lions na categoria entretenimento para música, ao lado de Childish Gambino, com This is America, com quem dividiu a premiação. E os dois superaram Beyoncé e Jay-Z com a mega produção Apeshit, filmado no Museu do Louvre (Paris).

O rapper conversou com a ELLE sobre o processo do novo disco, falar de temas tão sensíveis e o alcance de QVVJFA:

Como foi produzir um disco tão íntimo?
Foi um processo muito único, de dor, de busca interna. E dói muito você se abrir, se conhecer e mais ainda externar isso tudo que encontra. Tem um motivo pra nossa cabeça proteger a gente de certas lembranças. Eu desenterrei todas elas para encontrar as respostas que eu precisava pra fazer esse disco.


Foto: Reprodução


Foi difícil se conectar com essa intimidade?
Acho que qualquer forma de você se conectar com sua própria intimidade é o começo de um processo terapêutico, né? Pode não ser um processo terapêutico, de fato, mas é muito próximo. É muito difícil porque você tem que admitir as vezes em que acertou e as em que errou. Entender o que te machucou. Às vezes, essa dor vem de pessoas por quem você tem amor, consideração, afeto. E entendemos que mesmo assim elas podem gerar traumas, feridas, cicatrizes que, com o passar do tempo, se agravam e se tornam outras coisas.

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Como foi para você expor vulnerabilidades a partir de temas sensíveis do disco, como autoestima, dores e amores?
O processo de me expor é mais costumeiro para mim, pelo fato de sempre buscar isso na minha escrita. Desta vez, acho que fui um pouco mais fundo do que costumo ir porque fui atrás do por que as coisas que me incomodavam estavam me incomodando. E, de alguma forma, me senti firme o suficiente para poder expor isso. Não sei dizer direito o por que, mas eu tô num momento da minha vida muito bom, em que eu me sinto muito forte. E entender minhas fraquezas me remete à força.

Tomando emprestado o nome do disco, quantas vezes você já foi amado (risos)?
Diversas vezes! Eu acho que eu só não entendia ou não fui ensinado a como lidar com esse amor, com esses afetos. Então, talvez, eu não soubesse reproduzi-lo nem aceitá-lo ou dizer em voz alta de uma forma clara.

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Foto: Divulgação/Roncca


Quais suas principais referências na produção desse disco?
Não sei explicar quais as referências diretas porque o QVVJFA passa por um processo tão pessoal, que é um turbilhão de todas as coisas que eu gosto de escutar, que estão presentes no meu dia a dia, as visões que tenho, tudo que almejo e vivi. Então, acho que se fosse pra ter um protagonista de referência seria Salvador porque onde eu mais estive na minha vida. Foi o lugar que mais me ensinou e que de certa forma tem muita a cara do disco.

Seu disco alcançou o quinto lugar na lista dos mais ouvidos do planeta pelo Spotify. Como se sente?
Muito feliz, muito agraciado, muito abraçado por todo mundo que escutou e continua ouvindo sem parar e foi tocado de alguma forma por esse disco. Para mim, é muito importante sentir que as pessoas se identificaram comigo, me entenderam. Esse lugar me toca bastante. Foi uma surpresa muito grata, demorei um tempo pra acreditar, não sei explicar a sensação. É muito bom ver que um trabalho foi além das suas expectativas, que você não se frustrou ou que você não foi surpreendido negativamente, e sim positivamente. Às vezes, a gente idealiza uma coisa que a gente quer que aconteça quando a gente está fazendo um trabalho, e idealiza o que a gente não quer que aconteça também. O disco foi para além de qualquer expectativa que eu tivesse.

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