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O corpo nu de Jup do Bairro flutua entre árvores, sob uma luz azulada que se reflete na pele com aspecto metálico da artista e ativista. Ao fundo, a trilha assinada pela produtora BadSista reforça o clima etéreo da cena, enquanto a voz de Jup narra: "Não foi nada fácil chegar até aqui"

As imagens fazem parte da capa interativa da primeira edição da ELLE View, a nossa revista digital. Com 24 vídeos, a capa simula uma cápsula do tempo, reunindo mensagens de diferentes artistas, que falam do passado, dos tempos atuais e do que está por vir. Em Presente, vídeo dirigido por Rodrigo de Carvalho, Jup reflete sobre futuro e presente para vislumbrar uma possibilidade de vida que não exclua o passado.


Seguir a cantora levitando pela floresta mística é hipnotizante – e o efeito não tem nada a ver com fios invisíveis suspendendo o corpo. É tudo obra do trabalho em 3D de Rodrigo de Carvalho, que já realizou três clipes de Jup utilizando essa técnica. Na entrevista a seguir, Rodrigo fala mais sobre a sua arte em 3D e o seu trabalho com a cantora.

Como surgiu essa colaboração entre você e a Jup do Bairro?

Eu e a Jup nos conhecemos pra fazer o primeiro clipe da série do Corpo Sem Juízo, o "All You Need is Love". A sintonia de co-criação foi incrível desde então, e já lançamos "Transgressão" e "Pelo Amor de Deize", faltando o clipe de "Luta por Mim" pra encerrar essa saga 3D que iniciamos em março.

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Como foi definida a linguagem visual e poética do vídeo? Ele veio antes ou depois da carta escrita pela Jup?

O vídeo parte de uma cena do clipe de "Pelo Amor de Deize", que estávamos fazendo no mesmo período. A gente viu que fazia muito sentido fazer o vídeo como uma cena estendida do clipe, que simboliza você levantar da cama, se erguer e seguir em frente. Nós pensamos juntos o vídeo antes mesmo da carta estar pronta, conversamos um pouco como poderia ser e, quando ela me enviou o áudio pronto, foi um casamento perfeito de imagem e som.

Falando do processo digital, como você criou a personagem no vídeo?

O corpo é uma base de malha modificada a partir de fotos de referência enviadas pela Jup, pra que ficasse o mais parecido possível com ela, que estamos usando ao longo de todo o EP visual. O material se modificou ao longo dos vídeos, indo de metal polido, e depois metal desgastado, mostrando essa passagem do tempo e a corrosão do corpo.

Você pode falar um pouco da sua trajetória como videomaker? Como surgiu o interesse por vídeos digitais?

Comecei fazendo cenas 3D com uns 14 ou 15 anos, só por diversão. Eu era muito interessado em ver tutoriais de manipulação de imagem, de modelagem 3D e criação de materiais… Acho que desde Vida de Inseto e Animatrix eu ficava de boca aberta pelo que era possível fazer digitalmente. Depois disso, deixei o 3D um pouco de lado e fui mais pra trabalhos pessoais de fotografia e vídeo. Esse período foi muito bom pra experimentar e entender o que eu gostava de fazer e achar um caminho visual pessoal. Quando o Music Video Festival lançou um concurso em 2016 pra fazer um clipe 3D pra Liniker e os Caramelows, vi um ponto de encontro de tudo que eu gostava. Eu me mudei pra São Paulo nessa época e, desde então, fiz muitos trabalhos que me construíram profissionalmente, como direção, motion design, 3Ds mais experimentais e direção de fotografia.

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Por estarmos vivendo em um momento pandêmico, de distanciamento social, você acredita que caminharemos cada vez mais para produções assim? Qual é a expressão de uma produção 3D em dias como os de hoje?

Com o clipe de "All You Need is Love" e os seguintes, eu encontrei algo que eu queria há muito tempo focar em fazer. E agora parece o momento ideal, cabe perfeitamente no que estamos vivendo. Acho que as produções digitais estão sendo mais aceitas com o que estamos vivendo também. Mas não é o caminho pra todas as ideias: tem que fazer sentido com a proposta.




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