Linguagem alienígena e conexão musical: conheça o casal por trás do Magdalena Bay

Mica Tenenbaum e Matthew Lewin, a dupla que faz sucesso entre os millennials com seu som pop alternativo, conversam com ELLE antes da apresentação no C6 Fest 2026.


Magdalena Bay
Mica Tenenbaum e Matthew Lewin, do Magdalena Bay. Divulgação



Não é simples descrever o som produzido por Magdalena Bay, dupla formada por Mica Tenenbaum e Matthew Lewin, que se apresenta pela primeira vez no Brasil como uma das atrações do C6 Fest 2026.

Isso porque suas músicas soam futuristas, quase alienígenas (como eles mesmos gostam de definir), mas ao mesmo tempo despertam uma forte sensação de nostalgia em quem escuta, em conjunto com o visual que parece saído diretamente de um fórum da internet dos anos 2000. Talvez seja justamente nessa colisão entre o digital e o humano que a banda, formada em 2016, tenha encontrado sua identidade.

 

A conexão entre os dois integrantes começou ainda no ensino médio, em Miami, quando foram colocados em uma banda de rock durante um programa extracurricular. “Imediatamente sentimos uma ligação pessoal e musical. Parecia uma combinação muito natural”, contou Mica, que nasceu na Argentina e depois migrou com a família para os Estados Unidos, em entrevista à ELLE.

“Naquela época, nossa banda fazia covers, mas logo começamos a trabalhar em músicas autorais, e Mica já era uma compositora incrível. Então percebemos muito rápido que funcionávamos bem juntos e também nos dávamos muito bem”, lembra Matthew.

Anos depois, essa parceria evoluiu também para um relacionamento amoroso, que deu ainda mais energia para o projeto. “Não é algo em que a gente precise pensar muito, simplesmente soa natural. Nós realmente gostamos de passar tempo juntos e fazemos isso o tempo todo, entre shows e produção musical. Felizmente, a gente realmente se diverte”, explica Mica.

Criativamente, destaca ela, também é muito divertido: “Parece que falamos uma linguagem alienígena própria quando fazemos música. Trabalhamos juntos há tanto tempo que quase compartilhamos o mesmo cérebro musicalmente, mas ao mesmo tempo pensamos sobre música de formas muito diferentes”, completa.

“Nós sempre fizemos música juntos, antes mesmo de sermos um casal”, diz Matthew. “Grande parte do que fazemos nem parece trabalho. Mas às vezes vira trabalho e, nesses momentos, você só precisa terminar o expediente e fazer outra coisa, como qualquer pessoa”, afirma ele. Agora, o casal divide os palcos e a vida, incluindo a guarda de um cachorro chamado Wolfie.

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Essa sensação de universo compartilhado talvez ajude a explicar por que o Magdalena Bay nunca funcionou apenas como uma banda. Desde os primeiros EPs, Mica e Matthew construíram uma estética completa em torno do projeto, com vídeos caseiros surrealistas publicados no TikTok, personagens carregados de humor, memes e uma iconografia inspirada tanto pela cultura da internet quanto pelo pop maximalista das décadas de 1980 e 2000.

Mas foi com Mercurial world (2021) que a dupla entendeu definitivamente qual formato queria explorar artisticamente. Criado durante a pandemia, o álbum nasceu em um momento em que os dois finalmente tiveram tempo para desacelerar. “Não sei o que teria acontecido com o álbum sem a pandemia. Matthew conseguiu receber auxílio-desemprego porque não podia mais trabalhar e eu estava atuando remotamente. Então finalmente tivemos tempo para tentar nos tornar músicos em tempo integral”, conta Mica. “Foi durante Mercurial world que entendemos que gostávamos de pensar em um álbum como um grande projeto conceitual.”

 

Depois de se tornar um dos nomes mais comentados da cena pop alternativa, o Magdalena Bay voltou com um segundo álbum de estúdio, Imaginal disk (2024), que expandiu ainda mais o alcance da banda. O disco acompanha a história de uma personagem chamada True em um universo onde discos alienígenas implantados no cérebro criam consciência humana – uma narrativa usada por eles para discutir identidade, escapismo, memória e a dificuldade de existir em um mundo hiperconectado.

Apesar da grandiosidade conceitual, Mica insiste que as perguntas centrais do álbum são extremamente humanas. “As letras acabam lidando com questões que surgem naturalmente vivendo nessa sociedade estranha em que estamos agora”, explicou. “Tecnologia, escapismo, identidade e como encontrar a si mesmo em meio a tanto ruído.” Um filme, inspirado no álbum e escrito e editado por eles, será lançado no festival Tribeca no mês que vem.

Essa relação ambígua com o universo digital aparece também na forma como a dupla enxerga a internet atualmente. Crescendo online e construindo a banda nas redes sociais, os dois acompanharam a transformação radical da cultura digital nos últimos anos. “Hoje existe muito mais rede social do que antes. As pessoas estão inundadas de conteúdo o tempo todo.” Para eles, tentar vencer o algoritmo deixou de fazer sentido. “Talvez hoje as pessoas não queiram que os artistas sejam a mesma coisa que elas já recebem nas redes sociais – só conteúdo tentando capturar atenção o mais rápido possível ou ser chocante o tempo inteiro. Acho que talvez as pessoas estejam procurando algo mais substancial quando escolhem um artista ou algo para realmente apreciar”, diz a argentina.

Curiosamente, embora o som do Magdalena Bay soe como algo vindo do futuro, as referências da dupla vêm majoritariamente do passado. Mica e Matthew admitem que escutam muito mais músicas da década de 1970 aos anos 2000 do que nomes contemporâneos. Entre os brasileiros que conhecem, citam principalmente nomes clássicos como Milton Nascimento e Elis Regina.

Após anos construindo esse imaginário, o Magdalena Bay finalmente desembarca no Brasil para um show no dia 24 de maio. E a dupla parece empolgada com a recepção dos fãs brasileiros. “Ano passado tocamos no México pela primeira vez e existe algo muito especial nos países latinos. Ouvimos falar muito da energia e da paixão do público brasileiro”, finalizou Mica.

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