“Maria Antonieta”, de Sofia Coppola, comemora 20 anos com livro, mostra e documentário
Ao longo dos anos, filme ganhou novos fãs e status cult após ter sido criticado na época de seu lançamento.
Superficial, sem contexto político e focado demais em sapatos, festas e doces foram algumas das críticas que Maria Antonieta recebeu na época de seu lançamento, em 2006. Dirigido e roteirizado por Sofia Coppola, três anos após vencer o Oscar por Encontros e desencontros (2003), o filme estreou no Festival de Cannes ao som de vaias da plateia e com uma recepção mista do público. Mas ao longo do tempo, a releitura rock ‘n’ roll sobre a trajetória da última rainha da França, interpretada por Kirsten Dunst, ganhou novos fãs, além do status cult.
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Inspirada por seus dramas de época e cinebiografias favoritos, incluindo Lisztomania (1975), de Ken Russell, e Amadeus (1984), de Milos Forman (1932-2018), Sofia partiu do livro Marie Antoinette: The Journey (2001), de Antonia Fraser, para escrever o filme que constrói um retrato íntimo da rainha, seu isolamento, restrições impostas pela corte e escapes. No elenco, Jason Schwartzman, no papel do rei Luís XVI, Jamie Dornan, Rose Byrne, Marianne Faithfull, Rip Torn e Molly Shannon.
Para as filmagens, a diretora teve acesso Palácio de Versalhes, onde morou a rainha (1755-1793) que se casou aos 14 anos, assumiu o trono aos 18 e foi executada aos 37. O figurino rendeu à italiana Milena Canonero seu terceiro Oscar. Um detalhe chamou a atenção à época: Sofia fez uso de uma trilha sonora anacrônica, que inclui faixas de Siouxsie and the Banshees, New Order, The Cure e The Strokes, unindo pós-punk e indie rock dos anos 1980 e 2000.
Para marcar o aniversário de 20 anos do longa, em outubro, Maria Antonieta foi restaurado em 4K pela Sony Pictures Entertainment em colaboração com a American Zoetrope (produtora fundada por Francis Ford Coppola e George Lucas) e ganha um livro de fotografias, um documentário e uma exposição. Saiba mais:

Kirsten Dunst e Jason Schwartzman nos bastidores do filme. Foto: Andrew Durham/Mack
O livro
O fotógrafo Andrew Durham divide seu arquivo de imagens de bastidores do filme em Making Marie Antoinette, publicado em julho pela Mack e Fundação Cartier. Amigo e colaborador da cineasta, Andrew teve acesso privilegiado às filmagens e registrou mais de 1800 fotografias com sua câmera analógica.
O livro reúne imagens inéditas de Kirsten, Jason, Sofia e da equipe, revelando tanto a grandiosidade de Versalhes quanto momentos mais íntimos do set – de ajustes de figurino e maquiagem até momentos engraçados, como os atores caracterizados dirigindo uma moto e usando um notebook, em pausas das filmagens.
Making Marie Antoinette mostra como o universo visual de Sofia foi construído por trás das câmeras, entre perucas, vestidos e estética em tons pastel, influenciando a moda na época de seu lançamento.
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O documentário
Batizado com o mesmo nome do livro, um documentário dirigido por Eleanor Coppola, mãe de Sofia, também revela os bastidores do longa. Durante as filmagens, Eleanor acompanhou a filha com sua câmera e registrou cerca de 80 horas de material, documentando também a experiência de Sofia como uma jovem diretora diante de um projeto tão grandioso.
O material permaneceu inédito por anos e foi revisitado por mãe e filha durante a pandemia. Após a morte de Eleanor, em 2024, Sofia deu continuidade ao desejo da mãe de transformar aquelas imagens em um documentário, que estreia nos cinemas em outubro e chega ao catálogo da MUBI no Brasil em 6 de novembro.
“Sempre foi um desejo da minha mãe transformar o que filmou em um documentário. Ela estava no set como cineasta e também como minha mãe, então foi muito emocionante rever o material e enxergar nossas gravações através dos olhos dela”, declarou Sofia à imprensa. “Soa piegas, mas fico feliz de poder homenageá-la assim”, disse à ELLE US.

A diretora Sofia Coppola dirigiu seu terceiro longa aos 34 anos. Foto: Andrew Durham/Mack
A exposição
Até 24 de janeiro de 2027, o Petit Trianon, no Palácio de Versalhes recebe uma exposição dedicada aos 20 anos de Maria Antonieta. A rainha ganhou o palacete do marido e o usava como um espaço mais íntimo para receber os amigos. O lugar também foi cenário de diversas cenas do filme.
A exposição revela o processo de criação da produção e reúne figurinos originais de Milena Canonero, objetos utilizados nas filmagens, storyboards, roteiros com anotações, fotografias de bastidores e desenhos de cenografia. A mostra também inclui exibições de cenas do filme nos próprios ambientes em que foram filmadas. A abertura contou com uma grande festa, com presença do elenco e um show do New Order.
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