Masp e MAM inauguram mostras em SP
Foto: Octavio Cardoso
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Abertas nos últimos dias de julho, três exposições inauguram o calendário das principais mostras do segundo semestre de 2022 em São Paulo. Veja por que vale a pena visitar cada uma delas:

PANORAMA DA ARTE BRASILEIRA, NO MAM-SP

Obra de Eder Oliveira

Foto: Octavio Cardoso

A dualidade do fogo, a um só tempo força destruidora e pulsão de vida, ardor que nada consegue apagar, inspira a 37ª edição do Panorama da Arte Brasileira, recém-aberta no MAM-SP (Museu de Arte Moderna) e em cartaz até 15/01. A mostra, tradicionalmente bienal, não pôde acontecer em 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus.

Abraçadas por um teto vermelho pau-brasil, pinturas, fotografias, esculturas, vídeos e instalações de 26 artistas desdobram em frentes diversas o mote “Sob as cinzas, a brasa”. As obras encenam a incompletude da Independência do Brasil, cujo bicentenário se completa neste 2022, e criam diálogos com o legado da agora centenária Semana de Arte Moderna de 1922.

Apesar dos tempos de convulsão social e política (e da baixa cotação da arte na era Bolsonaro), a exposição “não é um lamento”, nas palavras de Cauê Alves, curador-chefe do museu e um dos organizadores do Panorama. “A gente não queria obras discursivas, panfletárias, explicitamente ‘fora, Bolsonaro’. Os artistas têm coisas mais importantes para dizer. A política já está no interior dos trabalhos, em sua forma”, diz ele, destacando que há espaço no conjunto apresentado para “o solar, a alegria, o frescor, o colorido”.

Ele afirma que, além de criações lúdicas, que desconstroem (muitas vezes com sarcasmo) ícones e falácias da história brasileira, é possível observar na seleção um retorno à ancestralidade, a saberes mais artesanais, telúricos – o que, na prática, traduz-se no contingente expressivo de obras de cerâmica, barro e materiais aparentados.

Alguns dos principais nomes que se consolidaram no cenário brasileiro na última década, como Jaime Lauriano, Laís Myrrha e Bel Falleiros, estão ao lado de figuras de carreira mais longeva, como Giselle Beiguelman e Glauco Rodrigues (1929-2004). Atenção também ao trabalho do paraense Eder Oliveira em cima das representações do homem amazônico.

DALTON PAULA NO MASP

Foto: Masp

Outra exposição que busca novos ângulos e leituras para a história oficial do país é Dalton Paula: Retratos Brasileiros, no Masp (Museu de Arte de São Paulo), em que o artista brasiliense radicado em Goiânia apresenta 45 retratos em óleo de líderes e personalidades negras esquecidos ou rebaixados a coadjuvantes pelos relatos hegemônicos.

Doze desses trabalhos foram produzidos especialmente para essa mostra, com curadoria de Adriano Pedrosa, Glaucea Britto e Lilia Schwarcz, em cartaz até 30/10. Uma característica comum às telas é a sua cisão em duas partes, aludindo à violência da escravização do povo negro e à sobrevivência das cicatrizes dessa agressão nos dias atuais – mas também, talvez, a fendas no debate público e no entendimento da história do país através das quais novos sentidos podem surgir. Sentidos que restituam a dignidade e a altivez arrancados das figuras retratadas, como faz Paula com as delicadas folhas de ouro que adornam os cabelos de seus personagens.

JOSECA YANOMAMI NO MASP

Foto: Divulgação/Masp

É também de outros personagens, cenários e línguas que tratam os 93 desenhos de Joseca Yanomami reunidos na mostra Nossa Terra-Floresta, novamente no Masp, em exibição até 30/10. Em sua primeira exposição individual, o artista de 51 anos passeia pela cosmogonia do seu povo, dando forma e cor a cantos, mitos, sonhos e à compreensão singular que os indígenas têm da relação entre homem e natureza.

Seus trabalhos colocam em cena a peleja de xamãs e xapiris (espíritos da floresta) para proteger a Amazônia das investidas extrativistas e predatórias. A mostra, com curadoria de Adriano Pedrosa e David Ribeiro, coincide com o aniversário de 30 anos da homologação da Terra Indígena Yanomami.

Com atuação como líder dos Watorikis, na região do Demini (divisa entre Amazonas e Roraima), Joseca fundou e deu aulas na primeira escola da comunidade, nos anos 1990, e foi o primeiro yanomami a trabalhar na área da saúde, na década seguinte.

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