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MC Soffia conversou com a reportagem depois da sua aula. Da grade do primeiro ano do Ensino Médio, a matéria de que ela mais gosta é Empreendedorismo. Curte também o núcleo de estudos, no qual se debruça sobre questões sociais, e pretende cursar uma faculdade de música quando terminar a escola. Na prática, entretanto, a garota já está mergulhada na música há uma década – e seu trabalho começa a ser reconhecido internacionalmente.

Nesta sexta, 9 de outubro, a rapper lança o single "Empoderada" nas plataformas digitais, com clipe na Vevo. No dia 11, ela será uma das homenageadas no evento World Woman Hour: She's My Hero, da World Woman Foundation, organização sem fins lucrativos sediada em Los Angeles, que promove e estimula lideranças femininas em diversas áreas de atuação pelo mundo inteiro. No evento digital, que será transmitido pelo Facebook a partir das 17h de domingo, MC Soffia será homenageada juntamente com outras 59 mulheres inspiradoras, como a astronauta Jessica Meir, a ativista Swati Mandela, a primatologista Jane Goodall, a atriz Jameela Jamil e as modelos Valentina Sampaio e Precious Lee. "É uma premiação em que mulheres vão dar prêmios para outras mulheres de cada país, então, estou muito feliz de poder representar uma menina preta brasileira", diz a artista. Só para lembrar: MC Soffia ainda tem 16 anos.

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Soffia Correia ganhou visibilidade há 4 anos, quando emplacou "Menina Pretinha". A artista começou a cantar com 6 anos, após uma inspiradora oficina de Hip Hop, e aos 10 passou a escrever suas próprias letras. "Eu estava com a minha vó e falei 'ah, vou tentar escrever uma música'. Fui tentando, ela foi me ajudando. Eu era uma criança, cantava e o povo gostava... Foi quando percebi que consigo [compor]", relembra. "E o rap é assim: contar o que você está vivendo, o que está ao seu redor, o que você está sentindo."

Longe de estar cristalizada em sua infância, a sonoridade da MC Soffia tem se desenvolvido muito e sua temática se mantém firme: poder ao povo preto e valorização das mulheres pretas. "É uma coisa muito minha, de pensar no futuro. Eu estou plantando agora para colher no futuro. O que é o futuro? É a luta que nós, mulheres, estamos fazendo para sermos respeitadas, é a luta que o povo preto está fazendo para que a gente não precise mais passar por racismo; a luta é para o futuro ser melhor", diz.

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A rapper tem feito experimentações com batidas de funk e trap. Em "É o Hype", trabalhou em parceria com o produtor musical Lucas Spike, conhecido pelos seus trabalhos com a Recayd Mob, maior coletivo de trap nacional. Esses singles soam como um estudo da jovem artista dentro das suas tantas possibilidades – sonoras e plásticas. No clipe da música "Maravilhosa", Soffia orna a sonoridade trap com a estética afrofuturista. Entre as referências que a inspiraram, ela menciona o filme Pantera Negra e artistas como Ellen Oléria, Xênia França e Janelle Monáe.

O afrofuturismo também dá o tom ao videoclipe da nova música, "Empoderada". Na letra, ela se coloca em uma posição mais sensível do que costuma adotar. Aponta o racismo na prática, situações de violência que não podem cair no esquecimento e promove reflexões a partir disso: "Fui escrevendo sobre eventos que vi e me deixaram chateada". Um desses episódios, conta Soffia, foram as ofensas sofridas por Ludmilla ao ser eleita a melhor cantora do ano no Prêmio Multishow. "O racismo é tão forte que as pessoas não conseguem ver nosso progresso, xingaram de forma racista", diz a rapper. As piadas em torno do pente garfo usado por Babu na última edição do BBB também incomodaram Soffia. "Pessoas não pretas começaram a dar gargalhadas sem saber sobre a história, o contexto atrás do pente garfo… Isso me comoveu porque a gente tenta lutar e as pessoas ainda continuam fazendo piadas", desabafa.

MC Soffia quer ser propositiva. Além da necessária reflexão sobre o racismo latente na sociedade brasileira, ela fala também sobre autoestima e representatividade. A rapper define o Hip Hop como um movimento que promove músicas de força e resistência. De sua parte, ela parece encapsular essa essência em quaisquer gêneros musicais e se mostra cada vez mais pronta para dominar as ferramentas que têm ao seu dispor. "Foi muito fácil escrever sobre racismo, porque eu coloco todo meu sentimento na música", declara. "Minha música é o meu poder de fala; estou escrevendo todo meu poder para passar a mensagem para todo mundo."




Conversamos com artistas do gênero em diferentes momentos de suas carreiras para entender a complexa e instigante estética do trap brasileiro.

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