Cinco fatos sobre “O morro dos ventos uivantes”, a nova adaptação do clássico

Com Margot Robbie e Jacob Elordi, o filme de Emerald Fennell estreia com uma dose de polêmicas.


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As aspas que acompanham o título do filme “O morro dos ventos uivantes”, que estreia nesta quinta-feira (12.02) no Brasil, não são mero enfeite. Como enfatizou a própria diretora e roteirista Emerald Fennell à imprensa, levar para as telas uma versão direta e fiel de um livro tão “denso, complexo e difícil” quanto o de Emily Brontë, publicado em 1847, é simplesmente impossível.

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Ela tomou então uma dose de liberdade criativa para narrar o romance intenso e destrutivo entre os personagens Catherine Earnshaw (Margot Robbie), uma jovem rica do século 19, e o órfão Heathcliff (Jacob Elordi), adotado pelo pai dela, a partir de sua própria experiência como leitora.

Produzida por ela ao lado de Margot, essa nova adaptação da obra foca no desejo e nos desvarios dos protagonistas, em meio a cenários lúdicos e com visual de contos de fada.

A seguir, mais do filme em cinco takes:

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Margot Robbie e Emerald Fennell Foto: Divulgação

A diretora

Emerald já atuou em produções como Anna Karenina (2012), A garota dinamarquesa (2015) e a série The crown (2016-2023), além de ter sido showrunner de Killing Eve (2018-2022). Mas foi por meio da direção e do roteiro que a britânica ganhou destaque em Hollywood. Primeiro com o suspense de humor ácido Bela vingança (2020), protagonizado por Carey Mulligan, sobre uma mulher que busca vingar a morte da melhor amiga contra um grupo de predadores sexuais, pelo qual recebeu o Oscar de melhor roteiro original e levou outras quatro indicações, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor atriz. 

Depois, assinou Saltburn (2023), sobre um jovem da alta sociedade inglesa (Elordi) que convida o melhor amigo (Barry Keoghan), que não pertence aquele círculo, para passar as férias de verão com sua excêntrica família em uma mansão. Ambientado nos anos 2000, com a trilha sonora da época (que foi responsável por viralizar e trazer de volta às paradas a música “Murder on the dancefloor”, de Sophie Ellis-Bextor), e muitas cenas picantes e desconcertantes, o longa gerou debates acalorados.

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Jacob Elordi e Emerald Fennell Foto: Divulgação

Escalação cheia de polêmica

Autodeclarada fã de O morro dos ventos uivantes, Emerald disse que a ideia de adaptá-lo surgiu quando ela viu Jacob no set de Saltburn com costeletas e pensou que ele era idêntico à figura ilustrada de Heathcliff da capa do livro que ela guarda desde a adolescência.

A escalação, no entanto, gerou discussão nas redes sociais, uma vez que a escritora o descreve nas páginas como um homem de pele escura. Mas a diretora defende sua escolha, chamando atenção para o talento do ator, que participa da série Euphoria (HBO), foi Elvis Presley no filme Priscilla, de Sofia Coppola, e vencedor do Critics Choice e concorre ao Oscar de ator coadjuvante por Frankenstein (2026), de Guillermo Del Toro. Para os fãs do clássico, a decisão da Emerald é mais um exemplo de whitewashing, termo usado para designar produções que substituem personagens de outras etnias por alguém de pele branca.

Já Catherine, no livro, é morena e jovem, enquanto Margot é loira e tem 35 anos. A diretora explica que a personagem é obstinada, sádica e provocadora, por isso ela precisava de alguém que a audiência pudesse perdoar com facilidade, mesmo que fosse cruel em certos momentos, e que tivesse essa energia poderosa.

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O figurino assinado por Jacqueline Durran Foto: Divulgação

Figurino

Os looks, penteados e acessórios quase fora de contexto da época em que o filme se passa foram escolhidos pela britânica Jacqueline Durran, vencedora do Oscar de melhor figurino por Anna Karenina (2012) e Adoráveis mulheres (2020).

Depois de ter trabalhado com Margot em Barbie (2023), ela e a equipe criaram cerca de 50 peças para sua personagem em O morro dos ventos uivantes. As referências, segundo a figurinista, vão do período elisabetano ao georgiano e vitoriano (século 16 ao 20) à moda contemporânea, além de pinturas e figurinos de época de filmes dos anos 1950. Pingentes vintage da Chanel também aparecem em colares.

Em Jacob foram usadas cores mais escuras e que remetem ao estilo do início do século 20. Para Jacqueline, o figurino não representa um momento específico no tempo, mas um mix de imagens e estilos para cada personagem.

Trilha

Após o fenômeno em torno do disco Brat (2024), Charli XCX disse que quer se envolver com o cinema. Convidada para assinar a trilha sonora do filme, a cantora compôs e ajudou a produzir 12 faixas, misturando hyperpop com sons mais sombrios e melancólicos, incluindo os singles “House”, parceria com John Cale, da banda Velvet Underground, e “Chains of love”, que ganhou videoclipe. Outra música aguardada pelos fãs é “Eyes of the world”, uma colaboração com Sky Ferreira. O disco será lançado nesta sexta-feira (13.02).

Outras versões

O livro de Emily Brontë já foi adaptado inúmeras vezes para o cinema e a televisão. Entre as principais versões está a de 1939, dirigida por William Wyler, com Laurence Olivier e Merle Oberon nos papéis principais. Em 1970, uma adaptação de Robert Fuest, com Anna Calder-Marshall e Timothy Dalton ganhou as telas. Depois, em 1992, Juliette Binoche e Ralph Fiennes protagonizaram um longa de Peter Kosminsky. Já em 2011, Andrea Arnold comandou uma versão com Kaya Scodelario e James Howson. Na TV, uma minissérie com Charlotte Riley e Tom Hardy foi lançada pela emissora britânica ITV, em 2009.

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