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Foto: Divulgação
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Patricia Arquette é vencedora do Emmy e do Oscar e fez papeis icônicos em filmes como Amor à queima-roupa (1993) e Ed Wood (1994). Nos últimos anos, ela tem encontrado na televisão papeis apetitosos, como a mulher casada que se envolve com dois assassinos na prisão onde trabalha e auxilia sua fuga, em Escape at Dannemora, e a mãe que inventa doenças e deficiências da filha em The Act.

Em Ruptura, que tem novos episódios todas as sextas no Apple TV+, ela interpreta Harmony Cobel, executiva da misteriosa companhia Lumon. Lá, trabalha uma equipe de funcionários que passaram voluntariamente por uma cirurgia no cérebro que separa a vida profissional da pessoal: Mark (Adam Scott), Helly (Britt Lower), Dylan (Zach Cherry) e Irving (John Turturro). Ou seja, quando eles estão no escritório, não se lembram de nada da sua vida lá fora. Quando estão em casa, não se recordam de nada do que se passou na firma.

Qual exatamente sua função na Lumon é um dos enigmas da série criada por Dan Erickson, que mistura ficção científica, drama, comédia e suspense. Além de Cobel, Patricia Arquette também aparece como a vizinha bisbilhoteira de Mark. Seis dos nove episódios são dirigidos por seu amigo Ben Stiller, com quem ela trabalhou em Dannemora.

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Ruptura — Trailer oficial | Apple TV+ www.youtube.com

A atriz de 53 anos vem de uma família de artistas – seu avô era comediante, seu pai, ator, e seus irmãos são todos atores. Ela começou a carreira ainda adolescente, depois de ir morar com a irmã Rosanna em Los Angeles. É ativista pelos direitos das mulheres e de pessoas LGBTQIA+. No seu discurso do Oscar de 2015 (veja abaixo), quando venceu a estatueta de coadjuvante por Boyhood: da infância à juventude, ela falou sobre a igualdade de salários. Patricia conversou com a ELLE sobre a série Ruptura, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e os direitos femininos:

Você trabalhou com Ben Stiller muitas vezes. Foi ele a principal razão para aceitar o projeto?
É um projeto muito interessante. Só me mandaram o primeiro episódio, de que gostei muito, mas não sabia para qual direção ia. Então, falei com Ben Stiller e o roteirista. Eles me deram mais algumas informações, que fizeram surgir 100 perguntas. Mas eu tinha total fé em Ben.

Qual a razão de sua hesitação?
Minha principal dificuldade foi entender o tom, porque realmente nunca houve algo parecido. É uma história de ambiente de trabalho. É um drama. Há algo de filme noir. E é ficção científica, é uma comédia. São todas essas coisas. E parecia um grande risco. Será que tudo isso ia funcionar junto? E daí seria original? Ou será algo que simplesmente não funcionaria? Mas eu realmente acreditava em Ben e em sua visão. Se tinha alguém que poderia fazer funcionar, seria ele.

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Os episódios vão passando e a gente fica: o que está acontecendo?
Para nós, foi assim também. E foi engraçado, até mesmo para trabalhar. O cenário do escritório era um labirinto, construído como tal. E mudava todo dia. Eles tiravam uma porta e adicionavam uma parede. E assim todos nós nos perdíamos o tempo todo. Foi muito desconcertante. Da mesma forma que essa corporação é desconcertante. As regras mudam constantemente. O que exatamente está acontecendo? O que você tem permissão de saber? O que está acontecendo que você não está ciente? Qual é a razão maior do que está acontecendo?

Patricia em cena de "Ruptura"Foto: Divulgação


E vocês gravaram na pandemia, não?
Ele (Dan) escreveu antes. Mas começamos a filmar na pandemia, quando não havia vacinas. Então, como atores, éramos os únicos a trabalhar sem máscara. E era aterrorizante. O risco parecia muito alto. Algumas vezes, tínhamos contato com alguém positivo. Aí íamos do trabalho, onde estávamos fazendo esse material estranho e nos perdendo em labirintos, para um quarto de hotel longe da nossa família, para o isolamento. Foi muito surreal. Era como estar em uma panela de pressão o tempo todo.

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De alguma maneira a experiência espelhou a dos personagens?
Muito. E de uma maneira estranha, porque minha personagem cresceu nesta corporação. Ela não tem família. A corporação era sua família. E eu, trabalhando na série, também não tinha uma família. Estava sozinha. Ao mesmo tempo, estamos tendo essa discussão na série sobre o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. E agora ninguém tem equilíbrio entre vida profissional e pessoal, porque as pessoas estão ensinando seus filhos enquanto estão fazendo uma reunião corporativa na mesma sala, que é seu escritório agora, que também é sua cozinha. E você está constantemente recebendo e-mails. Nunca para de trabalhar.

Na empresa, ela é durona, rígida, não demonstra emoções. Acredita que isso reflete as experiências de mulheres em posições de poder no local de trabalho, que muitas vezes precisam interpretar a personagem da chefe para serem levadas a sério?
Sem dúvida. Nós nos moldamos muito pelo olhar dos arquétipos masculinos do que pensamos que é um chefe, de como se comportar em uma corporação. Que você deve deixar sua vida pessoal distante e sua vida emocional também. E tomar cuidado com o que diz, com o que faz, esse tipo de coisa. Há todos os tipos de infrações que você pode ou não conhecer, nesses manuais e nessas políticas da empresa.

"A pandemia realmente afetou mais as mulheres e as crianças"

Você é uma grande defensora da igualdade de direitos para as mulheres. Existe progresso nessa área?
Eu imagino que a pandemia tenha tido impacto nas mulheres brasileiras. Nos Estados Unidos, houve um mês em que 100% dos empregos perdidos eram femininos. Quer dizer, as mulheres tiveram de tomar uma decisão, porque precisavam cuidar dos filhos e normalmente têm um companheiro que ganha mais do que elas, se for um homem. Como família, é preciso tomar essa decisão. Ou as mães solteiras precisaram decidir, tendo de ficar em casa para dar aula para os filhos, cuidar deles em tempo integral, mas sendo quem sustenta a casa. Ainda temos sorte porque o governo federal deu dinheiro para mulheres. Mas o Congresso não aprovou um apoio para o cuidado com as crianças. E deveria, porque a pandemia realmente afetou mais as mulheres e as crianças.

O direito ao aborto também está ameaçado nos Estados Unidos. Como vê a situação?
Sim, nossos próprios corpos estão sendo desafiados. No Texas, por exemplo, a lei antiaborto não tem exceções para incesto, estupro. Você precisa decidir fazer um aborto em cinco semanas, quando uma grande parte das mulheres nem sabe que está grávida. Fora que uma menina que está com medo de contar à mãe que o padrasto a estuprou pode nem saber que está grávida, pode ainda não ter um ciclo normal. Onde ela vai fazer um teste de gravidez? Como vai conseguir o dinheiro? Como vai comprar um teste de gravidez? É bem absurdo. E o governador local disse que ia acabar com o estupro. Enquanto isso, eles nem processaram todos os kits de estupro com o DNA de estupradores. Eles estão criando regras impossíveis para as mulheres que eles nem conseguem cumprir.

Patricia Arquette winning Best Supporting Actress www.youtube.com


Há gente fazendo críticas à defesa dos direitos das mulheres, das pessoas não-brancas, ou trans, dizendo que a ala mais progressista deveria lutar por outras coisas. O que pensa disso?
Acho que há muitas coisas nas quais temos que trabalhar, com certeza. E é como uma represa que está cheia demais. Nos Estados Unidos, estamos lidando com o que aconteceu no dia 6 de janeiro do ano passado (quando pessoas invadiram o Capitólio). Será que teremos um país livre, onde as pessoas negras vão poder votar livremente? Temos as mudanças climáticas, que terão maior impacto sobre mulheres e crianças. Não estamos realmente fazendo nada coletivamente para lidar com isso. E estamos no meio de uma pandemia, ainda por cima.

Consegue ficar otimista?
Eu tento não ficar muito desanimada com tudo isso. Apenas respiro fundo e olho para o céu que eu amo, para flores e crianças. Para a Terra, para as plantas e para os animais e coisas que sempre fizeram parte de nós, que me trazem de volta à realidade e me tiram do estado de pavor por um minuto.

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