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Volatille Ferreira é promoter, hostess, performer, DJ e artista. Foi um dos nomes essenciais por trás das primeiras festas Voodoohop, coletivo responsável por umas das maiores transformações da noite de São Paulo nos últimos dez anos. Recentemente, virou manchete no jornal Folha de S. Paulo com um trabalho de arte multimídia realizado durante a quarentena. Agora, se prepara para o lançamento de seu primeiro EP.

Adeus à Linguagem é produzido em parceria com os também produtores e DJs Vermelho e Gats. O ponto de partida foram as experiências e vivências de Volatille ao longo dos meses de quarentena e pandemia. "É um mix de coisas que sempre curti com pensamentos mais recentes", conta. Vem daí as referências sonoras e estéticas do pós-punk e a musicalidade de artistas como Yoko Ono, Laurie Anderson e Nina Hagen, combinadas a textos bastante atuais.


"Nunca passou pela minha cabeça que eu iria lançar um EP", confessa Volatille. "Dentro da comunidade LGBTQ+ existe muito preconceito com a voz do gay. Sempre que ela é mais fina, mais delicada, é motivo de bullying. Sofri muito com isso e, hoje, vejo que se tornou algo tão enraizado em mim que foi muito difícil me desapegar".

As coisas só mudaram quando, há cerca de três meses, recebeu um convite de um amigo para gravar um podcast e o feedback foi surpreendente: "recebi um monte de comentário com elogios a minha voz". Foi então que a ideia de se aventurar pelo lado musical começou a tomar forma. Quer dizer, assumir ares próprios. Afinal, Volatille já atua como DJ há quase dez anos.

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Volatille.Foto Cortesia | Volatille


"Tudo começou com o Covid Bula", diz Volatille, em referência ao projeto artístico e visual que realizou durante os primeiros meses de quarentena, em Piripiri, no Piauí, onde está desde então com sua mãe. O trabalho consistia na colagem de notícias sobre a evolução da pandemia do novo coronavírus no Brasil e cenas de filmes ou programas de TV antigos, com direito a muita interferências e glitch. Os pequenos vídeos eram postados em sua conta do Instagram sob o mote "15 segundos de pedido de socorro" – uma alusão aos 15 segundos de fama de Andy Warhol.

"Era um processo bem intenso, eu acordava às 7h e ficava até 22h lendo notícias, foi bem pesado", revela. "No meio do processo, fiz várias anotações e muitas delas acabei não usando." Foi bem na época dos elogios do podcasts e, então, aquelas notas inutilizadas, começaram a formar letras de músicas. São composições que brincam com a realidade atual: festas de zoom, carência, tédio, variações de humor e mais um tanto de sentimentos pelos quais passamos nos últimos meses.

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"Eu gosto de música falada, então comecei a roteirizar o que eu já havia escrito de uma forma levemente ritmada", conta. Foi quando começou a busca por parceiros musicais. "Fiquei julho e agosto nessa função, mas todo mundo com quem eu falava estava em outra pegada." O casamento perfeito aconteceu após o contato com o amigo Márcio Vermelho, mais conhecido como DJ Vermelho. "Disse que queria algo que fosse uma mistura de Arca, Tom Zé e Yoko Ono e ele pirou, estava na mesma sintonia", fala Volatille. Paralelamente, entrou em contato com o produtor Gats, radicado em Berlim, e conquistou mais um colaborador. Juntos, os três convidaram ainda os produtores Villaça e Cassius para parcerias em duas tracks.


Capa do EP Adeus à Linguagem.Arte: Rosa Laura


O resultado pode ser conferido a partir deste dia 23/09, no Bandcamp, através do selo carioca @baphyphyna. Até o fim do ano, Volatille promete ainda quatro videoclipes, um para cada faixa do EP Adeus à Linguagem.





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