RioFW 2026: Handred

De volta ao Rio de Janeiro, a Handred surpreende com um olhar fresco e atual sobre a moda (spoiler: é mais sobre formas e silhuetas do que decorações).


RioFW 2026: Handred
Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite



O inverno 2026 da Handred marca uma virada muito bem-vinda e há tempos necessária na etiqueta. São algumas as mudanças. A imagem está mais atual e conectada a ideias que estão rolando na moda de agora. Tem a ver com modelagens, proporções, formas, volumes, caimentos e com jeitos de vestir. É tudo mais amplo, robusto, com variações de comprimento e sobreposições de camadas. Nunca é uma coisa só, nem uma ou outra. É sempre meio junto e misturado, mas com método e disciplina.

A maneira como as roupas são feitas e com quais tecidos também importa. André Namitala, o fundador e diretor criativo da Handred, andava meio obcecado por materiais superfinos, como organza e seda. Esses tecidos são complexos de trabalhar, exigem um cuidado absurdo no manuseio, além de serem caríssimos. Atender a tais condições nem sempre era possível, e o resultado deixava a desejar.

RioFW 2026: Handred

Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

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Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

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Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

RioFW 2026: Handred

Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

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Ainda tem peças leves e delicadas nesta coleção – de seda e gazar, inclusive. Mas elas são menos pretensiosas, não ocupam uma posição central e estão mais bem executadas. Nesse sentido, rola uma mudança de olhar: menos focado ou dependente de decorações e mais atento a formas e silhuetas (de novo, algo que tem tudo a ver com o atual momento da moda).

Antes do desfile, André comentou que usou algodão como há tempos não fazia. Pelo menos na linha mais sofisticada e exclusiva que ele mostra na passarela. E a decisão fez toda a diferença. A fibra natural imprime mais proximidade e realidade às roupas, sem perder o efeito especial.

RioFW 2026: Handred

Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

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Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

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Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

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Handred, inverno 2026. Foto: Agência Fotosite

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E alguns fatores ajudam a ressaltar esse novo ponto de vista. O primeiro é a combinação com outros materiais nobres, como tafetá, shantung, veludo e couro. O segundo é a cartela de cores fechada e densa. E o terceiro é o styling, assinado por Antonio Frajado. Em um vídeo no perfil do Instagram da marca, ele conta que seu processo criativo não segue uma linha ou narrativa ordenada. É mais “orgânico e visceral”. 

A abordagem é bem evidente na apresentação, principalmente quando se leva em comparação às coleções anteriores da Handred. Fazia um bom tempo que a grife andava um pouco empoeirada, muito apegada a estéticas antigas e atitudes do passado. Tinha ainda uma certa prepotência nos formatos das apresentações e nas associações com movimentos artísticos.

Tudo bem que o desfile desta primeira edição da Rio Fashion Week teve a Companhia de Ópera da Lapa, com regência do maestro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, como trilha sonora ao vivo. Mas aqui a erudição e a dramaticidade servem como elementos de contraste. E isso também tem relação com a abertura de interpretações e frentes criativas.

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