O que 3 dias em Salvador podem revelar sobre a cidade

Um roteiro pela capital baiana que combina passeios com moradores, experiências culturais e alguns achados pelo caminho.


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O Centro Histórico de Salvador. Acervo pessoal



Três dias são pouco tempo para conhecer Salvador, mas suficientes para descobrir novas perspectivas sobre a cidade. Na minha última viagem à capital baiana, a convite do Airbnb, a proposta era explorar a cultura local pelo olhar de anfitriões, num roteiro que misturou comida, artesanato e história afro-brasileira.

Fiquei hospedada em Santo Antônio Além do Carmo, bairro conhecido pelos charmosos casarões, ruas de paralelepípedos e vistas para a Baía de Todos-os-Santos. Meu endereço foi a Casa Figa, uma propriedade histórica reformada pelo arquiteto baiano Adriano Mascarenhas, bem em frente ao Convento do Carmo. A decoração reúne móveis assinados por designers brasileiros – como Sérgio Rodrigues –, obras de arte e uma coleção de figas que inspirou o nome do local. São quatro suítes, uma ampla sala integrada à cozinha e uma piscina de borda infinita voltada para o mar.

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A piscina da Casa Figa, em Salvador. Divulgação

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O décor da Casa Figa. Divulgação

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A cozinha com conceito aberto da casa. Divulgação

Um luxo extra da estadia era o café da manhã preparado pelo personal chef Gabriel Boaventura. A mesa parecia cenário de novela, com arranjos de flores frescas, cestas de pães, frutas e uma seleção de delícias que mudava a cada dia. Teve até uma pequena aula de cuscuz nordestino, com direito a dicas do chef para reproduzir a receita com facilidade.

Fora da casa, pude conhecer de perto as atividades oferecidas por anfitriões locais e disponíveis para reserva na plataforma. A primeira parada foi no Silva Cozinha para uma oficina de cerâmica inspirada na cultura baiana, conduzida pela artista plástica e professora Manuella Saadi, à frente do Ateliê Manellinha. Com a ajuda dela, criamos nossos próprios souvenirs de Salvador.

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O café da manhã preparado pelo personal chef Gabriel Boaventura. Acervo pessoal

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A aproximação entre visitantes e moradores é uma das apostas do Airbnb nas experiências locais. “As pessoas querem voltar de uma viagem com uma história que seja realmente delas”, afirma Fiamma Zarife, diretora da empresa para a América do Sul. Segundo a executiva, os anfitriões podem apresentar outros aspectos da cultura local, compartilhar seus conhecimentos e indicar lugares que fazem parte do dia a dia.

Foi o que descobri no passeio com Kali Vazz, que nos apresentou a história afro-brasileira de Salvador por outro ângulo. Passamos por lugares famosos, como o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda e o Pelourinho, mas também conhecemos personagens que fazem parte do cotidiano da região. “Os pontos turísticos são marcos históricos importantes, mas é o povo que dá vida a esses lugares, que transforma o significado deles e faz a história continuar”, diz.

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Uma selfie da anfitriã Kali Vazz no Acarajé da Dona Norma. Acervo pessoal

Entre esses personagens está Neguinho de Ogum. Há 40 anos, ele percorre o Centro Histórico com seu Carrinho do Axé, vendendo ervas para rituais de limpeza espiritual. Já Dona Norma mantém há mais de seis décadas a tradição do acarajé no Terreiro de Jesus, ao lado das filhas. “Isso permite reconhecer o valor de quem movimenta a cidade, inclusive através do trabalho informal, que tantas vezes passa despercebido por quem visita”, observa Kali.

Nascida e criada na Cidade Baixa, perto da Igreja do Bonfim, Kali começou a receber turistas estrangeiros pela região. As perguntas que ouvia despertaram sua curiosidade sobre a própria ancestralidade e a levaram a pesquisar as histórias que compartilha em seus passeios. “Quem participa hoje e volta daqui a um ano pode encontrar uma experiência diferente, com novos conhecimentos, outras conexões e até outro itinerário.”

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O carro do axé de Neguinho de Ogum. Acervo pessoal

A Sociedade Protetora dos Desvalidos foi uma das paradas especiais do passeio. Fundada em 1832, a instituição preserva quase dois séculos de história da população negra no Brasil. No Centro Histórico, seu acervo reúne documentos, fotografias, pinturas e mobiliário, parte deles apresentados em uma exposição sobre a trajetória da associação. O trabalho de preservação da memória segue ativo e conta com o apoio de doações.

Nas horas vagas

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Passeio pela Gamboa, em Salvador. Acervo pessoal

Nos intervalos da programação, consegui dar um pulo na Gamboa para comer um peixe frito maravilhoso no Bar Pôr do Sol e tomar um banho de mar no Porto da Barra. Também bati perna por Santo Antônio Além do Carmo, onde conheci as marcas de acessórios Patuá Atelier, Ouromim e Vistosa.

Passei ainda pela Caveira Discos, uma loja especializada em vinis, e pelo Poró, que tem ótimos drinks e uma vista linda da Baía de Todos-os-Santos. A cozinha mistura referências baianas com criações como o ceviche vegano de banana-da-terra com melaço de cana e o filé-mignon com purê de abóbora, queijo coalho e vinagrete de abacaxi.

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A varanda do Poró, em Santo Antônio Além do Carmo. Divulgação

O Mercado Modelo continua sendo um clássico valioso, ótimo para explorar objetos ligados às religiões de matriz africana, das figas às imagens de orixás. Nas bancas de pimentas e cachaças artesanais, a variedade vai das versões defumadas às bebidas com infusões de caju e café.

O que mais gostei nessa breve passagem foi poder revisitar pontos turísticos de Salvador acompanhada de moradores, conhecer outras histórias sobre a cidade e ainda ter tempo para explorar o lugar por conta própria. As atividades com anfitriões locais podem ser reservadas pelo Airbnb independentemente da hospedagem, o que facilita incluir esse tipo de experiência em qualquer roteiro, inclusive para quem já conhece a capital baiana.

Chantal Sordi viajou a Salvador a convite do Airbnb.

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