Conheça o projeto do Cais das Artes, de Paulo Mendes da Rocha, no Espírito Santo

Com área de 30 mil m², o Cais das Artes teve colaboração dos arquitetos Gustavo Cedroni e Martin Corullon, do escritório Metro, e Anna Ferrari.


Cais das artes: projeto de Paulo Mendes da Rocha.
Cais das Artes: complexo cultural no ES leva assinatura de Mendes da Rocha. Acima, reprodução do projeto do museu. Imagem: Metro Arquitetos / Divulgação



Quase 20 anos separam o início do desenvolvimento do projeto de sua inauguração. Foi em 2007 quando o arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) começou a trabalhar no desenho do Cais das Artes, complexo cultural localizado na Enseada do Suá, em Vitória (ES). No ano anterior, ele havia conquistado o Prêmio Pritzker, a maior honraria da arquitetura mundial.

A ideia inicial era que a estrutura em frente ao mar abrigasse um amplo teatro e tivesse capacidade para receber a maior diversidade de exposições possível. Ela foi desenvolvida com a colaboração dos arquitetos Gustavo Cedroni e Martin Corullon, do escritório Metro, e de Anna Ferrari. “Esse foi, na verdade, o maior projeto que a gente fez com ele”, disse Corullon.

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As obras começaram em 2011, mas foram adiadas em razão de imbróglios judiciais, além da falência da construtora responsável. Em 2023, a construção foi retomada e, segundo a gestão estadual, atingiu o custo total de R$ 315 milhões.

Cais das artes: projeto de Paulo Mendes da Rocha.

Maquete do complexo Cais das Artes, em Vitória (ES). Foto: Metro Arquitetos / Divulgação

O complexo segue em obras, mas, na quinta (29.01), tem início a Temporada de Abertura do Cais das Artes, com ativações culturais que antecedem a inauguração oficial, ainda sem data divulgada. Após a conclusão, há previsão da exposição Amazônia, do fotógrafo Sebastião Salgado.

Apesar dos adiamentos, a ideia original de Mendes da Rocha se manteve, segundo Cedroni e Corullon. “Tiveram alterações de projeto para as quais a gente foi chamado, inclusive, para participar e fazer, mas no sentido de atualizar tecnologicamente, modernizar coisas que já tinham sido ultrapassadas”, disse Corullon. “A iluminação, por exemplo: quando a gente fez o projeto original, não existia o LED com a qualidade que tem hoje.”

Cais das artes: projeto de Paulo Mendes da Rocha.

Reprodução do projeto do complexo Cais das Artes, em Vitória (ES). Imagem: Metro Arquitetos / Divulgação

Com uma área de 30 mil m², o Cais das Artes foi desenhado para ter relação com o entorno paisagístico, histórico e urbano da cidade, marcado pela presença do porto. O complexo cultural conta com uma praça e dois edifícios principais, com vãos pensados para não obstruírem a vista do mar e do Convento da Penha, localizado do outro lado do canal.

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“O monumental confronto entre natureza e construção, neste lugar, sugere os edifícios suspensos no ar e os visuais livres e desimpedidos, para a paisagem e o espetáculo dos trabalhos no mar”, escreveu Mendes da Rocha, sobre o projeto.

O teatro terá capacidade para 1.300 espectadores. O edifício maior, de 3 mil m², onde fica o museu, tem iluminação natural indireta garantida por caixilhos inclinados. “Nunca é bom ter luz direta por conta da conservação das obras. A ideia desse projeto, que é muito inteligente, é você soltar essa caixa do chão e criar janelas que olham para o piso, porque daí o reflexo da luz, que bate no chão e sobe, ilumina o espaço todo”, explica Cedroni.

O plano para a praça prevê usos complementares, como cafés, livrarias e espaços para espetáculos cênicos e exposições ao ar livre.

“Os elementos estruturais fazem parte da arquitetura”, disse Cedroni. “Há a ausência total de materiais, ornamentos e revestimentos: é piso de concreto, concreto aparente e estrutura metálica aparente.”

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