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Blueberry Kush, Northern Lights, Lemon Kush, Black Widow: entendidos entenderão que esses nomes se referem a variedades de maconha. Mas não estranhe se você se deparar com eles também em rótulos de cerveja.

Novo ingrediente hit no mercado cervejeiro brasileiro, o terpeno é um componente extraído da Cannabis sativa, popularmente conhecida como planta da maconha, mas também de diversos outros vegetais, como raízes e frutos. Ele é o responsável pelo odor característico da planta e atua como coadjuvante terapêutico ao potencializar os efeitos medicinais da erva. Porém, tal qual o canabidiol (CBD), o terpeno nada tem de psicoativo. No caso da bebida que contém esse ingrediente, o efeito high fica por conta apenas do álcool.

Na produção de cerveja, o barato é usar o terpeno como condimento para sublinhar as qualidades do lúpulo, flor que é a principal matéria-prima da bebida, fornecedora de um leque de sabores e fragrâncias. Em termos botânicos, aliás, o lúpulo está bem próximo da Cannabis sativa – é até conhecido pelos especialistas como "primo da maconha".

Com um vasto acervo de aromas e sabores a gosto do cervejeiro, o desafio é encontrar, na união dos lúpulos e dos terpenos, um ponto de equilíbrio em que seja potencializada, com perfeição, a característica sensorial dos lúpulos e em que seja ampliada a experiência do consumidor.

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Para o mestre-cervejeiro Gustavo Simoni, CEO da cervejaria Koala San Brew, apostar na combinação entre cerveja e aromas de maconha foi um caminho natural, uma vez que existe uma conexão antiga entre as culturas da Cannabis e da cerveja, difundida principalmente nos Estados Unidos, país que é a maior fonte de inspiração da cena cervejeira do Brasil. Desde 2019, a Koala produz uma linha de rótulos que leva terpenos na receita. Batizada de The Terpene Chronics, ela entrega perfumes de Cannabis em brejas de estilos variados, com níveis de amargor e perfis sensoriais diferentes entre si.

Blueberry Kush, rótulo da Koala San Brew com terpeno.Foto: Divulgação

Se para Gustavo o uso de terpenos na cerveja é um caminho natural, para Bruno Mesquita, dono da Cervejaria Mito, é uma forma de provocação. Em trabalho conjunto com o Molusco, criador do canal do Youtube Mundo Molusco, em que narra suas aventuras canábicas, a marca carioca elaborou a Munrá, Pilsen turbinada com os terpenos similares de Lemon Kush e Black Widow, outras variedades de maconha. "Espere um aroma floral, herbal, cítrico, mas em uma cerveja. Não espere ficar doidão com ela com algo que ela não tem, mas ela harmoniza benzão", descreve um post do Instagram da cervejaria.

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"A proposta é sermos audaciosos no sentido de normalizar, colocar para vender em bares uma cerveja que levanta a bola da Cannabis de forma escancarada e aberta", pontua Bruno.

Porém nem tudo são flores ao se falar de terpenos. O manuseio da Cannabis e de seus compostos é proibido pela legislação brasileira. "Como o plantio de Cannabis não é permitido, apenas limitado à parte medicinal, nos resta usar terpenos de vegetais que são combinados para simular variedades de Cannabis", explica Salo Maldonado, fundador da Motim Brew, do Rio de Janeiro.

Para contornar a situação e alcançar o aroma típico da maconha, cervejarias encontraram caminhos próprios. A Koala San Brew fechou parceria com um laboratório estadunidense a fim de viabilizar no Brasil a sua série The Terpene Chronics. "Com a empresa, escolhemos uma variedade específica de Cannabis e ela passa por análise de todos os óleos que a planta contém, assim como por mapeamento sensorial da linhagem. Em seguida, a empresa refaz o perfil daquela variedade, exatamente nas mesmas proporções, através da extração dos óleos de plantas, vegetais e frutas legais no Brasil", explicou Gustavo, da Koala.

"Não muda em nada a origem do óleo, independentemente de qual fonte biológica você extrair. B-pineno é b-pineno, por exemplo, em qualquer planta", complementa Pedro Vieira, sócio e cervejeiro da Escafandrista, referindo-se ao terpeno com aroma de pinheiros. A Escafandrista fabrica a Neon Demons, India Pale Ale temperada com blend terpênico da variação Jack Herrer, atiçando os aromas de frutas cítricas e tropicais vindos do lúpulo, e guarnecendo com o perfume de pinho.

A Motim Brew usou como base a sua India Pale Ale, que apresenta aroma resinoso e de pinho, para atualizar o portfólio com uma cerveja que traga maconha à lembrança. À bebida, a marca adicionou os terpenos Lemon Skunk, com aroma cítrico e de especiarias, e Critical Kush, com aroma picante, terroso e herbal. Deu a ela o nome de Kushed 18, aludindo à variedade canábica Kush, a mesma inspiração da cerveja da Koala. Fez sucesso imediato e a cervejaria já planeja novas variações.

Safra das boas

Confira rótulos com terpenos de pequenas cervejarias brasileiras, que convidam a uma viagem por diferentes perfis sensoriais.

Magic Cake (11,5% de teor alcoólico): produto da Cervejaria Mindubier, de Salvador, a Russian Imperial Stout inclui os terpenos 24k e Berry Gelato. O resultado? Uma cerveja com alto teor alcoólico e sabor de chocolate amargo com toque cítrico vindo dos condimentos.

Everbrew Maine Berry Gelato (7,4% de teor alcoólico): trata-se de uma New England India Pale Ale feita com o terpeno Berry Gelato pela cervejaria Everbrew, de Santos. O composto aromático acrescenta à cerveja características de frutas tropicais e baunilha que complementam a potência do lúpulo.

Six Rivers Forest: a Octopus, cervejaria de Niterói, elaborou esta Double India Pale Ale de corpo sedoso e com perfil herbal e resinoso intenso, acompanhado por aromas de frutas amarelas, que remetem a espécies de Cannabis da Califórnia.

Hophood (6,3% de teor alcoólico): proposta da UX Brew, de Itupeva, é uma cerveja que solta os cítricos dos terpenos Citrus e Mango na encorpada New England India Pale Ale, super-refrescante.

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