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Passar tanto tempo em casa devido à pandemia tem feito bater em muita gente o desejo de mudar completamente a decoração do lar. Segundo pesquisa da consultoria Consumoteca, voltada para padrões de consumo, 55% da população da classe A e 39% da classe C fizeram alguma modificação em suas residências no último ano. Caso essa vontade esteja borbulhando também dentro de você, uma ótima maneira de renovar os ambientes é mudando a cor deles. "Pintar uma parede é a forma mais rápida, mais barata, mais fácil e mais efetiva de transformar a nossa casa", diz Michell Lott, diretor criativo e consultor de cores da Suvinil.


Para ele, ao trocar a coloração de um cômodo, praticamente alteramos a atmosfera do lugar. "As cores são energia pura, então a escolha delas pode influenciar na forma como a gente sente", comenta. A arquiteta Luciana Uras, à frente do Studio Arquiteturas, concorda. "Sempre brinco que é impossível ser mal-humorado numa casa que tem amarelo", exemplifica. Ela destaca que a pintura é uma coisa relativamente barata, quando enjoar, dá para trocar rápido e sem pena. "É muito diferente de investir em um móvel com cor. É algo que você mesmo pode fazer. Vai lá, compra uma tinta, um rolo e manda ver", diz.

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Como escolher a cor da parede


Com tantas tonalidades de tintas disponíveis, pode dar até certo desespero se ver diante de um leque para decidir quais trazer para a sua casa, mas não precisa ser assim. Existem certos caminhos para facilitar essa escolha. Segundo os especialistas, o ponto de partida deve sempre ser o seu gosto pessoal. "Quem tem que decidir é você, de acordo com a forma como você se sente com determinadas cores. Gosta de azul? Então veja opções nessa matiz", orienta Michell. "Se você adora amarelo, mas acha muito chamativo, procure uma variação mais fechada, como um curry, por exemplo", complementa Luciana.

Também é legal entender qual sensação você quer que aquele ambiente provoque e, a partir disso, se orientar pela luminosidade e pela saturação. "Para criar um clima mais calmo, vá para os tons mais claros. Se prefere algo mais introspectivo, opte pelos mais escuros. Caso queira um canto com personalidade única, que seja um arraso, o melhor é ir nos mais vibrantes", sugere o diretor criativo.

Outro ponto importante é avaliar o tamanho da área a ser pintada. A cor se amplifica quando ocupa todas as paredes, já que reflete por várias direções, então o ideal é escolher nuances mais acinzentadas nesse caso. Porém, se deseja criar só um detalhe que chame a atenção, as saturadas podem funcionar melhor. "Só não indico tons excitantes demais para espaços como o home office, pois podem amplificar o estresse", comenta a arquiteta.

Contudo, para garantir que a cor fique realmente como você esperava, é fundamental analisar a iluminação da parede que vai recebê-la. A tendência é ficar mais clara e vibrante onde bate muita luz e mais escura e dessaturada onde é menos iluminado. Michell, por exemplo, usou a mesma tinta no escritório e no jardim da casa dele e o resultado ficou propositalmente bem diferente, com um vermelho mais aberto no primeiro caso e um mais introspectivo no segundo. "Acho muito importante fazer um teste antes, pintando só um cantinho da parede para entender como a luz interage com a cor naquele ambiente", indica.

Desenhos na parede são tendência


Uma opção que tem feito muito sucesso é criar formas em pontos específicos da parede, ao invés de pintar todo o cômodo. "Quando fazemos desenhos assim, estamos criando arquiteturas de uma maneira quase virtual. Ela não existe de verdade, apenas para o nosso olho", analisa o consultor de cores. Segundo ele, estamos vivendo um momento de valorização dos contornos arredondados e orgânicos, pois trazem conforto para a nossa cabeça, já que permitem os pensamentos fluírem melhor que linhas retas e quinas.

"Se for pensar, todos moramos dentro de caixas. Quando pinto uma bola atrás da cama, estou criando praticamente um lugar de descanso para o meu cérebro. Ao fazer um arco na parede, acabo deixando o espaço mais amigável", avalia. Para Michell, as paredes bicolores também ajudam trazer afetividade para os espaços. "São meio vintage, porque lembram a casa das nossas avós, a escola que estudamos na infância... É quase um resgate da nossa própria história, nos fazendo sentir mais acalentados dentro de casa."

Essa técnica é também um reflexo do momento econômico atual, acredita Luciana, já que é muito mais barato fazer um desenho na cabeceira que encomendar uma estofada, por exemplo. "Fazer esses pequenos spots pontuando a casa com cor é uma solução rápida, prática e econômica. Você muda completamente o ambiente sem medo de ser feliz. Não tem o estresse de 'vou investir demais e daqui a pouco não quero'. Cansou? É só pintar por cima", diz.

Quais são as cores do momento


No momento atual, em que nos encontramos recolhidos e, consequentemente, em busca de mais conexão com a natureza, a maioria das pessoas tem se voltado aos tons que se assemelham às pigmentações naturais. Para Luciana, o destaque está nos verdes que lembram folhagem, nos marrons e vermelhos que remetem à terra e nos beges. "Houve um período de overdose de cimentos e cinzas, mas isso agora está mudando, porque queremos fugir de tudo que é muito urbano", analisa. No entanto, Michell ainda vê espaço para os acinzentados ligados aos minerais.

O consultor de cores também enxerga outras duas frentes que refletem os desejos atuais da sociedade. Segundo ele, os brancos passam a ser levemente pigmentados, quase com uma sombra de outras tonalidade. "Em inglês, fala tinted whites. É um azul claríssimo, um rosa claríssimo... Cores que transmitem energia de uma forma bem sutil que acalma a gente", explica. Da mesma forma, os tons pastel têm sido muito celebrados. "Rola uma busca por essa doçura que estamos precisando tanto. A gente vê eles sendo usados em combinações super ousadas, como laranja e lilás, mas aí é um laranjinha com um lilazinho, bem delicado", conta.

Como pintar a parede


Chamar um pintor é a opção mais prática, mas dá para fazer uma transformação ainda mais econômica colocando a mão na massa – o que, aliás, é uma ótima atividade para se distrair nesse período em casa. "O primeiro passo é romper a barreira do medo. Muita gente não pinta porque teme errar ou porque vai ter que entregar a casa alugada depois. Às vezes não fica como você imaginava, mas cinco minutos depois percebe que ficou melhor. E se ficar realmente ruim, é só pintar por cima. Viva o espaço como você sonha, quando for devolver, vai ter que passar tinta branca de qualquer forma", aconselha Michell.

Na parte prática, Luciana ressalta que é importante verificar antes se a parede tem alguma infiltração ou mofo, porque pode atrapalhar a durabilidade da pintura. Depois, é interessante preparar a área que vai ganhar cor lixando a superfície para garantir que a tinta tenha maior aderência e não descasque. Em seguida, passe um pano úmido para remover as impurezas. Também é fundamental afastar os móveis e forrar o chão para não correr o risco de respingar sobre eles. Use uma fita crepe grossa para proteger janelas e rodapés ou para criar arcos e outros desenhos e delimitar meia parede.

É preciso diluir a tinta para que ela fique mais fácil de aplicar – siga as instruções do fabricante. Use um rolo de lã de pelo baixo para preencher o espaço e um pincel para pintar cantos. A dica para ficar uniforme é desenhar um N, sempre partindo de cima para baixo. As cores mais escuras costumam pedir três demãos e as mais claras duas. Espere cerca de quatro horas entre cada uma delas para secar completamente. E não se desespere se parecer manchado no meio do processo, a tinta vai uniformizando à medida que seca e, se estiver ruim, é só passar mais uma demão.






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