Luxo e bem-estar se encontram em Pipa, no Rio Grande do Norte

Com spa holístico e cardápio direto da fazenda, o hotel Filha da Lua Eco Lodge é um refúgio em um dos destinos mais paradisíacos do Brasil.


Filha da Lua Ecolodge em Pipa
Foto: Bárbara Rossi



Você provavelmente já ouviu falar de Pipa, distrito de Tibau do Sul, no litoral do Rio Grande do Norte. Conhecida pelas falésias avermelhadas, pelas praias de areia clara e pelo mar em tons quase irreais, a região há décadas habita o imaginário de quem busca um Brasil de paisagem exuberante, onde dias de relaxamento convivem com uma vida noturna animada. Menos óbvia, no entanto, é a face mais silenciosa desse destino, revelada em trechos menos explorados da costa — é aqui que o tempo parece verdadeiramente desacelerar.

É nesse contexto que surge o Filha da Lua Eco Lodge. Inaugurado em dezembro de 2020, o hotel “pé na areia” ocupa um trecho quase intocado da Praia das Minas, entre o Oceano Atlântico e as dunas, em uma das áreas mais silenciosas de Pipa. Idealizado pela polonesa Inga Synoradzka d’Ansembourg, o projeto nasceu a partir de uma viagem ao Brasil e da relação pessoal construída com a região, transformada, anos depois, em um empreendimento hoteleiro.

Desde o início, o hotel foi pensado para operar em outra escala e em outro ritmo. Com apenas nove bangalôs, com 17 suítes, e circulação discreta, o Filha da Lua aposta em uma ideia de luxo que se afasta do excesso e se traduz em conforto, bem-estar e integração com o entorno natural. A arquitetura reflete essa proposta: inspirada na estética balinesa (com a maior parte da decoração importada de lá), privilegia materiais naturais, madeira de reflorestamento, linhas simples e uma implantação elevada sobre palafitas — solução que preserva a permeabilidade do solo e minimiza o impacto ambiental.

Filha da Lua Ecolodge em Pipa

Vista do bangalô onde ficamos hospedados.

Foi neste cenário, com a proposta de desacelerar e se reconectar, que desembarquei em Pipa a convite do Filha da Lua. Ao longo dos dias, a programação combinou práticas de autocuidado, pausas conscientes e experiências sensoriais pensadas para conduzir o hóspede a um novo ritmo – que, na prática, acontece quase naturalmente. As manhãs começam com aulas diárias de yoga ao ar livre, sempre com vista para o mar, uma forma suave de despertar o corpo e criar presença logo no início do dia.

Esse cuidado se aprofunda no spa. Durante a estadia, experimentei diferentes massagens – da ayurvédica à reflexologia facial, passando por um protocolo híbrido que combina drenagem e relaxamento – que revelam um repertório diverso de técnicas, trazidas por terapeutas de diferentes partes do Brasil e do mundo. Cada atendimento é personalizado e carrega abordagens distintas, tornando cada sessão única.

Filha da Lua Ecolodge em Pipa

Um dos espaços do spa, que contém um amplo cardápio de massagens e tratamentos.

Entre uma prática e outra, as piscinas se tornam verdadeiros pontos de pausa. A primeira, integrada ao restaurante e voltada para a praia, acompanha o ritmo do dia; já a segunda, restrita aos hóspedes, acabou se tornando a minha favorita. Cercada de verde e marcada pela tranquilidade, funciona como um refúgio mais reservado – daqueles lugares onde é fácil perder a noção do tempo e simplesmente ficar.

Filha da Lua Ecolodge em Pipa

A piscina exclusiva para hóspedes do Filha da Lua

A experiência gastronômica segue a mesma lógica de cuidado que atravessa toda a estadia. No Filha da Lua, todas as refeições são preparadas sem glúten e sem lactose, com foco em ingredientes orgânicos e de origem local. A maior parte dos insumos vem da Fazenda Pachamama, empreendimento agrícola do grupo, o que se traduz em um cardápio que valoriza ervas frescas, especiarias e preparos simples, executados com precisão. O café da manhã foi, sem dúvida, uma das refeições que mais me surpreendeu: entre opções de buffet e pratos à la carte, pães, tapiocas, frutas, iogurtes naturais, frios e geleias reforçam a proposta de um começo de dia equilibrado e prazeroso.

Filha da Lua Ecolodge em Pipa

O café da manhã sem glúten e lactose é um dos pontos altos da estadia.

Para além do descanso, o Filha da Lua se apresenta também como uma base privilegiada para explorar os arredores de Pipa. Entre as possibilidades estão aulas de surf e kitesurf, passeios de barco, tours de buggy, bicicleta e cavalgadas, sempre organizados pela equipe do hotel. Os roteiros são personalizados e definidos de acordo com o perfil do hóspede – no meu caso, funcionaram como uma forma de alternar momentos de relaxamento com pequenas doses de movimento. O tour de buggy, aliás, acabou se tornando uma das experiências mais marcantes da estadia e é uma recomendação certeira para quem visita a região.

Filha da Lua Ecolodge em Pipa

A tranquila Praia das Minas, que fica na frente do hotel.

Essa relação próxima com o território se estende também à comunidade local. O Filha da Lua faz parte de um grupo que desenvolve iniciativas de impacto social na região, reunidas sob a Hello Pipa Foundation. A fundação apoia programas de educação e capacitação profissional, com foco no ensino de inglês e na formação de jovens e mulheres, além de projetos ligados ao esporte e à conservação ambiental.

O Filha da Lua Eco Lodge traduz uma ideia de hospitalidade que equilibra conforto, natureza e responsabilidade. Ao longo da estadia, ficou claro que a experiência vai além do descanso ou da estética bem resolvida: há um cuidado real com o território, com as pessoas e com o ritmo proposto a quem chega. Voltei de Pipa com a sensação de ter vivido dias mais atentos, com mais presença – e com vontade de retornar muito em breve.

Filha da Lua Ecolodge em Pipa

O restaurante do hotel, que fica de frente para o mar.

A jornalista Bárbara Rossi viajou à Pipa a convite do Filha da Lua Eco Lodge.

 

Para ler conteúdos exclusivos e multimídia, assine a ELLE View, nossa revista digital mensal para assinantes