Luxo e bem-estar se encontram em Pipa, no Rio Grande do Norte
Com spa holístico e cardápio direto da fazenda, o hotel Filha da Lua Eco Lodge é um refúgio em um dos destinos mais paradisíacos do Brasil.
Você provavelmente já ouviu falar de Pipa, distrito de Tibau do Sul, no litoral do Rio Grande do Norte. Conhecida pelas falésias avermelhadas, pelas praias de areia clara e pelo mar em tons quase irreais, a região há décadas habita o imaginário de quem busca um Brasil de paisagem exuberante, onde dias de relaxamento convivem com uma vida noturna animada. Menos óbvia, no entanto, é a face mais silenciosa desse destino, revelada em trechos menos explorados da costa — é aqui que o tempo parece verdadeiramente desacelerar.
É nesse contexto que surge o Filha da Lua Eco Lodge. Inaugurado em dezembro de 2020, o hotel “pé na areia” ocupa um trecho quase intocado da Praia das Minas, entre o Oceano Atlântico e as dunas, em uma das áreas mais silenciosas de Pipa. Idealizado pela polonesa Inga Synoradzka d’Ansembourg, o projeto nasceu a partir de uma viagem ao Brasil e da relação pessoal construída com a região, transformada, anos depois, em um empreendimento hoteleiro.
Desde o início, o hotel foi pensado para operar em outra escala e em outro ritmo. Com apenas nove bangalôs, com 17 suítes, e circulação discreta, o Filha da Lua aposta em uma ideia de luxo que se afasta do excesso e se traduz em conforto, bem-estar e integração com o entorno natural. A arquitetura reflete essa proposta: inspirada na estética balinesa (com a maior parte da decoração importada de lá), privilegia materiais naturais, madeira de reflorestamento, linhas simples e uma implantação elevada sobre palafitas — solução que preserva a permeabilidade do solo e minimiza o impacto ambiental.

Vista do bangalô onde ficamos hospedados.
Foi neste cenário, com a proposta de desacelerar e se reconectar, que desembarquei em Pipa a convite do Filha da Lua. Ao longo dos dias, a programação combinou práticas de autocuidado, pausas conscientes e experiências sensoriais pensadas para conduzir o hóspede a um novo ritmo – que, na prática, acontece quase naturalmente. As manhãs começam com aulas diárias de yoga ao ar livre, sempre com vista para o mar, uma forma suave de despertar o corpo e criar presença logo no início do dia.
Esse cuidado se aprofunda no spa. Durante a estadia, experimentei diferentes massagens – da ayurvédica à reflexologia facial, passando por um protocolo híbrido que combina drenagem e relaxamento – que revelam um repertório diverso de técnicas, trazidas por terapeutas de diferentes partes do Brasil e do mundo. Cada atendimento é personalizado e carrega abordagens distintas, tornando cada sessão única.

Um dos espaços do spa, que contém um amplo cardápio de massagens e tratamentos.
Entre uma prática e outra, as piscinas se tornam verdadeiros pontos de pausa. A primeira, integrada ao restaurante e voltada para a praia, acompanha o ritmo do dia; já a segunda, restrita aos hóspedes, acabou se tornando a minha favorita. Cercada de verde e marcada pela tranquilidade, funciona como um refúgio mais reservado – daqueles lugares onde é fácil perder a noção do tempo e simplesmente ficar.

A piscina exclusiva para hóspedes do Filha da Lua
A experiência gastronômica segue a mesma lógica de cuidado que atravessa toda a estadia. No Filha da Lua, todas as refeições são preparadas sem glúten e sem lactose, com foco em ingredientes orgânicos e de origem local. A maior parte dos insumos vem da Fazenda Pachamama, empreendimento agrícola do grupo, o que se traduz em um cardápio que valoriza ervas frescas, especiarias e preparos simples, executados com precisão. O café da manhã foi, sem dúvida, uma das refeições que mais me surpreendeu: entre opções de buffet e pratos à la carte, pães, tapiocas, frutas, iogurtes naturais, frios e geleias reforçam a proposta de um começo de dia equilibrado e prazeroso.

O café da manhã sem glúten e lactose é um dos pontos altos da estadia.
Para além do descanso, o Filha da Lua se apresenta também como uma base privilegiada para explorar os arredores de Pipa. Entre as possibilidades estão aulas de surf e kitesurf, passeios de barco, tours de buggy, bicicleta e cavalgadas, sempre organizados pela equipe do hotel. Os roteiros são personalizados e definidos de acordo com o perfil do hóspede – no meu caso, funcionaram como uma forma de alternar momentos de relaxamento com pequenas doses de movimento. O tour de buggy, aliás, acabou se tornando uma das experiências mais marcantes da estadia e é uma recomendação certeira para quem visita a região.

A tranquila Praia das Minas, que fica na frente do hotel.
Essa relação próxima com o território se estende também à comunidade local. O Filha da Lua faz parte de um grupo que desenvolve iniciativas de impacto social na região, reunidas sob a Hello Pipa Foundation. A fundação apoia programas de educação e capacitação profissional, com foco no ensino de inglês e na formação de jovens e mulheres, além de projetos ligados ao esporte e à conservação ambiental.
O Filha da Lua Eco Lodge traduz uma ideia de hospitalidade que equilibra conforto, natureza e responsabilidade. Ao longo da estadia, ficou claro que a experiência vai além do descanso ou da estética bem resolvida: há um cuidado real com o território, com as pessoas e com o ritmo proposto a quem chega. Voltei de Pipa com a sensação de ter vivido dias mais atentos, com mais presença – e com vontade de retornar muito em breve.

O restaurante do hotel, que fica de frente para o mar.
A jornalista Bárbara Rossi viajou à Pipa a convite do Filha da Lua Eco Lodge.
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