Do brechó exclusivo a exposições, confira 6 programas imperdíveis em Paris
Nossa correspondente Ana Garmendia abre seus cadernos parisienses e sugere um roteiro delicioso na capital francesa.
Estamos em pleno período de efervescência por aqui e, apesar de Paris e efervescência serem sempre palavras complementares, trago novidades. Esta coluna de hoje é dedicada a boas doses de gastronomia, como o maravilhoso La Pagode, um restaurante do grupo La Réserve. Além de chique e intimista, tem atendimento e comida incríveis – sabe aquele lugar bom para ir numa sexta à tarde, comer bem num ambiente tranquilo e, ao mesmo tempo, perto do fervo do Champs-Élysées e da avenue Montaigne? Falamos de luxo, mas não temos só isso hoje por aqui: tem também o Le Clown Bar, um restaurante bem discreto, supercool e com comida maravilhosa, ali na região da République (ao lado do lindo Cirque d’Hiver). Tem o fantástico Bonnie, com uma das vistas mais lindas da nossa Cidade Luz. Lá de cima, dá para ver toda a agitação parisiense, muitas luzes, barcos atravessando o Sena, a Torre Eiffel ao fundo e a impressão de que os prédios fazem parte de um mar de cimento e verde.
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Quer mais? Confira a dica de um superbrechó (coisa de colecionador, e ele é), que só atende com hora marcada. Para complementar nosso roteiro, temos a exposição incrível do Calder, que celebra os 100 anos da chegada do artista a Paris; e a mostra Africa Fashion, no Musée du quai Branly – Jacques Chirac, um espetáculo e uma ode à criação artística do continente africano depois do fim da colonização europeia por lá. Paris é incansável, assim como eu. Estou sempre à caça de programas imperdíveis em Paris. Só vem.
Luxo discreto

Eu amo essa localização do La Réserve Paris. É ao lado do agito do Champs-Élysées, encostado no Palácio do Governo e a poucos passos da avenue Montaigne, mas, ao mesmo tempo, tem uma aura de discrição. Fui almoçar lá dia desses e não só comi maravilhosamente bem, como fui superbem acolhida, mas sem muita firula. É aquele chique discreto francês, que às vezes é raro de encontrar. O cardápio é assinado pelo chef Jérôme Banctel (três estrelas Michelin), e o conceito é de uma brasserie: sem complicação, com aquelas escolhas clássicas francesas executadas com a perfeição de uma cozinha de alta qualidade. É para ir com calma, para poder curtir o clima intimista de comer numa biblioteca, cercada de livros, com salas separadas. Realmente quero sempre poder voltar lá. Rola também ir para um drink, um chá com uma boa sobremesa. Enfim, é para consumir sem moderação esse lugar tão sofisticado.
La Pagode: La Réserve Paris, 42, Avenue Gabriel.
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Uma boa pedida

Esse é outro lugar lindo, com decoração inspiradora e um cardápio delicioso. Antes de continuar: localizado ao lado do Le Cirque d’Hiver, o Le Clown (o palhaço) existe desde 1907 e era ponto de encontro de artistas de circo do mundo todo. Desde 1995, o local é classificado como monumento histórico – um destaque do local é o mural de cerâmica Sarreguemines com desenhos de palhaços e espectadores, num trabalho atribuído ao arquiteto Jean-Baptiste Mêmery (a autoria não é uma certeza absoluta, pois não há registros). A carta de pratos é enxuta, toda baseada em ingredientes da estação. Já a cave é uma das maiores em vinhos naturais da França. Não deixe de ir.
Le Clown Bar: 114, Rue Amelot.
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Paris na sua maior efervescência

O Bonnie é para quem gosta de badalo e quer perder o fôlego com toda a magistralidade que é observar Paris do alto – mais exatamente, do 15º andar do hotel SO/Paris, onde tudo é pensado para um luxo mais conectado com as modas. Além de proporcionar uma das vistas mais lindas da cidade (com direito a uma instalação espelhada, assinada por Olafur Eliasson e Sebastian Benham, que potencializa o espetáculo), o Bonnie oferece um cardápio clássico, com bons vinhos, sobremesas deliciosas e muita gente bonita. Eu adorei. Jantei lá semana passada e fiquei encantada com tudo. Com obras de arte espalhadas pelos ambientes e um espaço de exposições reservado para novos criadores mostrarem suas coleções, nada é mais do mesmo no SO/Paris, localizado entre a Bastilha e o Marais. Depois da refeição, quem se animar pode esticar a noite no bar e no club de mesmo nome que funcionam acima do restaurante.
Bonnie: SO/ Paris, 10 Rue Agrippa d’Aubigné.
Para quem gosta de um bom vintage

O nome dele é Moji Farhat, e só quem o conhece por aqui são pessoas que sabem o quanto vale uma peça de moda dos anos 1980, como um mantô de Castelbajac, um vestido dos anos 60 de Pierre Cardin ou um Margiela raro da coleção de 1997. Colecionador de moda, Farhat comanda uma boutique vintage peso-pesado, com peças muito raras – tanto que só atende com hora marcada. Enfim, esse moço sabe das coisas e a sua loja, considerada uma “caverna de maravilhas”, é requisitada inclusive por museus que fazem reconstituições históricas de períodos e criadores. Detalhe: ele não empresta nem aluga. Então, para ir lá, é melhor já ter as regras na cabeça. Fica a dica.
Moji Farhat Vintage: 9, rue Saint-Augustin.
Calder na Vuitton

Ir à Fondation Louis Vuitton é sempre um grande passeio: lugar lindo, localização idem e exposições incríveis. Agora é a vez do artista estadunidense Alexander Calder (1898-1976) entrar em cartaz por lá. Uma das exposições mais importantes já dedicadas a ele, Calder. Rêver en équilibre, foi organizada com a Fundação Calder e reúne obras vindas de instituições internacionais e de importantes colecionadores privados. São quase 300 peças: stabiles e móbiles, termos utilizados por Calder para designar abstrações estáticas e cinéticas, além de retratos em arame, figuras entalhadas em madeira, pinturas, desenhos e as surpreendentes joias que o artista fazia para sua esposa, Louisa James, comparecer a eventos. Um espetáculo à parte. O percurso se estende por mais de 3.000 m² e eu, particularmente, amei as joias e também o Circo de Calder.
Calder. Rêver en équilibre: até 15 de agosto na Fondation Louis Vuitton, 8, Avenue du Mahatma Gandhi.
Africa Fashion

Essa exposição itinerante e internacional foi montada pelo Victoria and Albert Museum e aconteceu inicialmente em Londres, de 2 de julho de 2022 a 16 de abril de 2023. Agora chega por aqui, no Musée du quai Branly – Jacques Chirac. Em Africa Fashion, o trabalho de criadores africanos é mostrado a partir do recorte dos anos 1950, período em que vários países do continente se tornaram independentes, até os anos 1990. A mostra evidencia como a moda, a música e as artes visuais acompanharam as transformações políticas do território. Há destaque para os têxteis, que se tornaram gestos políticos, e espaço para artistas importantes do século 20, como Shade Thomas-Fahm, Chris Seydou, Kofi Ansah e Alphadi, destaque para os têxteis, que se tornaram gestos políticos.
Africa Fashion: até 12 de julho, no Musée du Quai Branly – Jacques Chirac, 37, Quai Jacques Chirac.
Ana Garmendia é jornalista e correspondente da ELLE em Paris. Reside na capital francesa há 18 anos e é apaixonada por caminhadas, fotografia e pela exploração de lugares que refletem moda, história, cultura e gastronomia. Nesta coluna, ela compartilha suas experiências e revela segredos, descobertas e preferências na Cidade Luz.
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