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A capital paulista acaba de ganhar uma nova casa capitaneada por Bela Gil. O Camélia Òdòdó, na Vila Madalena, é o primeiro café/restaurante da chef de cozinha natural, apresentadora, ativista e escritora. O menu reflete seus conceitos do que é se alimentar bem hoje, com receitas plant-based, uso de ingredientes orgânicos cultivados com responsabilidade ambiental e preferência por itens vindos de pequenas propriedades.

Por enquanto, o salão segue fechado, mas pelo delivery é possível provar algumas das delícias criadas por Bela. Em conversa com a ELLE, a chef e apresentadora falou sobre os desafios de empreender durante a pandemia, o dia a dia na cozinha de seu negócio e novos projetos. E, para quem gosta de botar a mão na massa, Bela dá o passo a passo do croquete de taioba, um dos candidatos a hit do Camélia.

Quando o projeto do Camélia Òdòdó surgiu?

Em 2019, em uma conversa com o pessoal da Korui, marca com a qual tenho algumas parcerias de produtos, como uma calcinha absorvente. A Luisa, a dona, me contou que estavam pensando em abrir uma loja na Vila Madalena, em São Paulo, e me perguntou se eu não queria ter um café no espaço. Me empolguei com a ideia, e disse sim. E, além de café, acabei crescendo o negócio para restaurante também.

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E você nunca tinha tido um restaurante?

Pois é, nunca. O que eu já tinha feito antes era uma curadoria durante dois anos para o menu de dois restaurantes da rede de hotéis Best Western, no Rio. Mas já faz um bom tempo que eu e o João, meu marido (que já trabalhou como garçom e gerente de algumas casas em Paris e Nova York), estávamos com essa vontade de ter um lugar pequeno e charmoso. E surgiu a oportunidade agora!

E como está sendo abrir um negócio durante a pandemia?

Nossa, é um grande desafio, que começou já na reforma do imóvel. A ideia era inaugurar em janeiro, mas com as paralisações a obra atrasou. Também não havia alguns materiais disponíveis e tudo ficou muito mais caro. Já em março, quando estávamos prontos para abrir, começou a fase emergencial na cidade. Decidimos dar um start no fim do mês passado com o delivery e reprogramamos abrir o salão – se for possível – no final de abril, início de maio. Mas ainda assim estou muito animada. Acho que estamos oferecendo uma cozinha muito saborosa e especial e as pessoas têm gostado muito.

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Você nunca viveu o dia a dia de um restaurante...

Não, e tem sido uma experiência muito prazerosa. O mais legal é poder compartilhar tudo isso com o meu marido e meus filhos. Todos estão participando. O Nino carimba as embalagens, a Flor ajuda com os embrulhos, e por aí vai. E outra coisa que posso destacar é que como a pandemia fez que eu diminuísse minhas gravações e os meus deslocamentos pelo país, estou podendo ficar muito focada em todo o processo do restaurante e isso, com certeza, faz muita diferença.

E como surgiu o nome Camélia Òdòdó?

É um nome cheio de significados pra mim. A Camélia, além de ser uma flor linda que adoro, também foi usada como símbolo no Brasil por quem era abolicionista. Está no título de uma canção feita pelo meu pai e o Caetano ("As camélias do Quilombo do Leblon") e ainda é o primeiro nome científico da planta do chá verde, que amo e consumi a vida inteira. E òdòdó é flor em iorubá, língua de origem africana. Enfim, há muitas camadas nesse nome!


Bela no salão do restaurante: por enquanto, o atendimento é só via delivery.Foto: Daniel Aratangy

O menu da casa reflete muito os conceitos do que para você é uma boa alimentação...

Exatamente! Para mim, comer bem vai além de ingerir algo saudável e nutritivo, vai além do prato no restaurante. Envolve também de onde o alimento vem e como é produzido. Aqui, reuni ingredientes brasileiros, que representam fonte de saúde para o corpo, e também são produzidos com respeito pelo meio ambiente e comprados sobretudo de pequenos produtores. Criei um cardápio vegetariano, que aproveita cada produto completamente e mostra como os vegetais têm um grande potencial a ser explorado. E também opto sempre pelos produtos orgânicos, não uso conservantes artificiais nem transgênicos na minha cozinha.

E os pratos? Foram todos criados para o Camélia?

Alguns, como a coxinha de jaca e os patacones com vinagrete de casca de banana, fiz especialmente para esse cardápio. Mas também tem receitas que já fiz na TV, como o croquete de folha de taioba, que a Rita Lee provou em um programa e amou, outras que fazem parte do meu dia a dia, como as tapiocas e o açaí, e ainda incluí algumas criações que costumo preparar em ocasiões especiais, quando recebo alguém em casa, como a feijoada vegetariana e a moqueca de banana.

Você costuma apresentar ao público da TV ingredientes pouco conhecidos. No restaurante, também houve essa vontade de apresentar algumas novidades?

Com certeza! O peixinho da horta, que é uma planta que eu faço empanada, é um ingrediente que falo há algum tempo e fiquei feliz de colocar no menu para apresentar para as pessoas. Tem também a clitória, uma flor azulada que está no preparo da limonada: quando ela entra em contato com o limão, a bebida fica rosa, com um efeito tie dye. Esses são só dois exemplos, mas sempre que puder vou incluir algo diferente para as pessoas conhecerem.

Você conseguiu colocar tudo o que vai oferecer no salão para o delivery? E o que você sugere que as pessoas peçam para conhecerem a proposta e ficarem com vontade de conhecer mais o restaurante quando abrir?

Pois é, nem tudo ficou bom para delivery, então não coloquei o menu completo. Mas tem ótimas opções para conhecer a casa, como uma mousse vegana de chocolate orgânico da Bahia, macio, aerado e delicioso, os patacones acompanhados pelo vinagrete de casca da banana, e o gobi, que leva flores de couve-flor e brócolis empanadas e regadas ao molho agridoce de tamarindo. Esse prato, minha filha Flor ama e também é um dos prediletos do meu pai.

Você já morou em muitos lugares no Brasil e também fora do país. Como tem sido viver na capital paulista?

Chegamos há um ano e meio, depois de uma temporada na Itália, onde fiz um mestrado. Poucos meses depois que me mudei, já começou a pandemia, e não pude aproveitar tanto, mas posso dizer que estou apaixonada pela cidade e por tudo que ela tem a oferecer.

Além do restaurante, uma outra novidade recente foi o lançamento do livro Simplesmente Bela...

Eu estou bem feliz com a repercussão desse livro, no qual eu vou além das receitas para alimentação, dando também dicas para cuidar da casa, do corpo, e da mente. Tem, por exemplo, o passo a passo para fazer alguns cosméticos naturais, como pasta de dente e desodorante, e produtos de limpeza, como limpa-vidros e desinfetante. E essa proposta casou muito com a vontade das pessoas de se cuidarem mais e de deixar a casa mais gostosa para enfrentar esse período tão difícil.

E os projetos para a TV?

Meus três programas, "Vida Mais Bela", "Refazenda", e o "Bela Cozinha", do GNT, estão na grade, mas só devo voltar a gravar algo novo no ano que vem. Fiz um piloto e só vamos focar nele em 2022.

Receita de croquete de taioba

tr\u00eas croquetes no prato

Foto: Divulgação

O bolinho feito com folhas de taioba foi preparado por Bela Gil para Rita Lee em um dos episódios do programa da chef. A roqueira amou o petisco.

Rendimento: 16 unidades
Tempo de preparo: 30 minutos

Ingredientes

1 ¾ xícara de taioba cozida*
½ colher (sopa) de alho picado
1/3 de xícara de cebola picada
1 ½ colher sopa de azeite
Sal a gosto
Pimenta-do-reino preta a gosto
¼ xícara de farinha de trigo
1/2 colher (chá) de cominho em pó
1 xícara de farinha de trigo integral para empanar
500 ml de óleo de girassol para fritar

*Cozinhe as folhas de taioba em água por 10 minutos. Escorra bem e reserve.

Modo de preparo

1. Aqueça uma panela com azeite e doure o alho e a cebola. Junte a taioba cozida e refogue por mais 2 minutos.

2. Misture a farinha de trigo e mexa bem até dar a liga.

3. Ajuste os temperos com sal e pimenta-do-reino a gosto.

4. Espere a massa esfriar um pouco e modele os croquetes.

5. Passe pela farinha de trigo integral e frite em óleo quente até que fiquem dourados por fora.




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