12 encontros entre moda e arte nas passarelas

Da interpretação de movimentos artísticos em coleções a tributos a grandes mestres feitos por estilistas, separamos momentos emblemáticos da simbiose entre moda e arte no aquecimento para o MET Gala 2026.


encontros entre moda e arte: versace e andy warhol
Versace se inspirou em Andy Warhol para o verão 1991. Foto: Getty Images



A intersecção entre moda e arte – e como essas linguagens dialogam com o corpo – é o mote da exposição Costume art (Arte do Vestuário). A mostra estará em exibição no Metropolitan Museum of Art de Nova York (MET) de 10 de maio de 2026 a 10 de janeiro de 2027. O tradicional baile de abertura, o MET Gala, acontece na segunda-feira (04.05), sob o dress code “fashion is art” (“moda é arte”). Abaixo, elencamos 13 episódios em que a roupa transcendeu a utilidade e virou manifestação artística:

Schiaparelli, verão 1938

encontros entre moda e arte: schiaparelli, verão 1938

Cortesia do Victoria & Albert Museum

Elsa Schiaparelli foi uma das pioneiras na moda ao colaborar com expoentes das artes. O intercâmbio criativo com o espanhol Salvador Dalí consolidou o surrealismo como pilar fundamental de sua maison. Em 1938, na coleção Circus, a italiana subverteu o conservadorismo da época com toques fantásticos: botões de metal fundido em formas de acrobatas parecem ganhar vida e saltar de uma jaqueta rosa. 

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Dior, verão 1949

encontros de moda e arte: vestido miss dior, 1949

Cortesia da La Galerie Dior

No vestido Miss Dior, Christian Dior aplicou centenas de pedaços de seda no desenho de pétalas para emular as pinceladas impressionistas de Claude Monet. Enquanto as paisagens do francês capturavam a luz e a atmosfera dos jardins de Giverny, o couturier buscou materializar esse efeito de movimento com tecido. A paixão compartilhada pela botânica se manifestou também nos bordados de plantas, no uso de cores e na silhueta Corolle, cujo volume sugeriam o desabrochar de uma flor. 

Yves Saint Laurent, inverno 1965

moda e arte – YSL e mondrian

Foto: Cortesia do Musée Yves Saint Laurent Paris

Uma das homenagens mais diretas (e famosas) da moda a uma obra de arte foi feita por Yves Saint Laurent a Piet Mondrian. O designer transpôs o abstracionismo geométrico do artista holandês para vestidos de corte reto, transformando o corpo em tela. Os blocos de tons primários não eram estampas, mas recortes de tecidos costurados para preservar o rigor das linhas e evitar distorções visuais.

Vivienne Westwood, inverno 1990

encontros entre moda e arte: vivienne westwood reproduz Dáfnis e Cloé

Foto: Getty Images

Na antológica coleção Portrait, Vivienne Westwood transpôs o acervo da The Wallace Collection, de Londres, para as passarelas. A estilista imprimiu a obra Dáfnis e Cloé (1743), de François Boucher, em corsets de cetim, fundindo o rococó à rebeldia punk. A peça, historicamente direcionada à intimidade, foi ressignificada como vestimenta externa e protagonista de um desfile marcado pelo beijo das modelos Denice Lewis e Susie Bick.

Versace, verão 1991

encontros entre moda e arte: versace e andy warhol

Foto: Getty Images

Gianni Versace explorou a iconografia de Andy Warhol no auge da era das supermodelos. O italiano se apropriou das serigrafias vibrantes do estadunidense, utilizando as repetições das figuras de Marilyn Monroe e James Dean em vestidos de seda cravejados de cristais. As peças uniam o luxo à cultura de massa, enquanto as modelos viravam celebridades.

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Jean Paul Gaultier, verão 1998

encontros entre moda e arte: jean paul gaultier verão 1998 inspirado em frida kahlo

Foto: Getty Images

Intitulada Hommage à Frida Kahlo, Jean Paul Gaultier procurou traduzir a forte carga emocional da artista em seus trabalhos. Um corset de tiras referencia A Coluna Partida (1944), obra que expõe a sua força apesar do sofrimento causado por um acidente que sofreu na juventude. Os tons dos looks, entre conjuntos de alfaiataria e saias rodadas, privilegiavam o preto e o vermelho escuro, enquanto as modelos ostentavam as famosas monocelhas e os arranjos de cabeça da mexicana. 

Ronaldo Fraga, verão 2015

encontros entre moda e arte: ronaldo fraga e cândido portinari

Foto: Getty Images

Inspirado por Candido Portinari, Ronaldo Fraga produziu a coleção Caderno de Riscos. O pintor modernista, influenciado por vertentes como o cubismo e o expressionismo, ficou conhecido por retratar as desigualdades do Brasil. O estilista traduziu esse legado com bordados de fios soltos, vestidos de crochê e padronagens gráficas de losangos que remetiam a pipas.

Valentino, verão 2017

moda e arte: valentino se inspira em Hieronymus Bosch para o verão 2017

Foto: Getty Images

Em sua estreia solo como diretor criativo da Valentino, após oito anos codirigindo a marca com Maria Grazia Chiuri, Pierpaolo Piccioli uniu forças com a artista britânica Zandra Rhodes, que criou estampas e bordados inspirados em Hieronymus Bosch. Vestidos de tule e veludo plissados serviram de suporte para as cenas complexas de O Jardim das Delícias Terrenas (1490-1510). O detalhamento foi tão minucioso que algumas peças exigiram centenas de horas de trabalho artesanal para replicar as narrativas oníricas sobre o céu e o inferno do pintor medieval. 

Celine, verão 2018

encontros de moda e arte: celine se inspira na op art para o verão 2018

Foto: Getty Images

Na sua penúltima coleção como diretora criativa da Celine, Phoebe Philo utilizou os princípios da Op Art, que consiste sobretudo no grafismo das linhas para causar ilusões de óptica e efeitos de movimento em superfícies estáticas. A coleção reforçou a linguagem minimalista da grife com listras bicolores. A silhueta oversized serviu de tela móvel, ecoando os experimentos visuais de artistas como a britânica Bridget Riley.

Prada, verão 2018

encontros de moda e arte: prada convida cartunistas para criar ilustrações para seu verão 2018

Foto: Getty Images

Miuccia Prada convidou nove mulheres cartunistas (como Tarpé Mills e Trina Robbins) para criar ilustrações que retratavam heroínas femininas. A coleção focou em casacos de gabardine e vestidos estruturados que funcionavam como páginas de quadrinhos. As cores vibrantes das estampas em contraste com os fundos neutros das roupas dialogavam com a Pop Art com um movimento de empoderamento feminino.

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Comme des Garçons, verão 2018

encontros entre moda e arte: comme des garçons se inspira em Giuseppe Arcimbold

Foto: Getty Images

Rei Kawakubo, fundadora e diretora criativa da Comme des Garçons, usa a passarela como tela em branco. No verão 2018 isso ficou ainda mais evidente, quando se inspirou no pintor italiano Giuseppe Arcimboldo, conhecido pelos retratos de pessoas com desenhos de frutas, legumes, flores, etc. Na passarela, a obra Vertumnus (1591), que retrata o Imperador Rodolfo II, foi transmutada em um vestido escultural de volumes complexos e cores intensas.

Osklen, verão 2018

encontros entre moda e arte: osklen apresenta coleção inspirada em tarsila do amaral

Foto: Divulgação

A Osklen celebrou o modernismo brasileiro ao revisitar o catálogo de Tarsila do Amaral. A grife traduziu as formas orgânicas e a paleta vibrante da artista em peças contemporâneas, como chemises gráficas e saias fluidas. A reprodução da tela Abaporu (1928) em acessórios e vestuário reafirmou a identidade nacional da marca através de um dos maiores símbolos da antropofagia.

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