A voz da rua: Como a Pool Jeans da Riachuelo reflete uma atitude em alta na moda
Vestir-se com conforto, identidade e personalidade não é uma tendência passageira: é a maneira mais atual de olhar para a moda.
CONTEÚDO APRESENTADO POR POOL JEANS
Quem leu atentamente a programação da primeira edição do Rio Fashion Week, que rola em abril no Rio de Janeiro, se surpreendeu com o anúncio do desfile da parceria entre Piet e Pool. Para observadores que acompanham a indústria do varejo, porém, o movimento não chega como novidade: a Riachuelo vem investindo de forma consistente na revitalização da linha.
Criada em 1982, a Pool faz parte do imaginário brasileiro há décadas. Nos últimos anos, ela passou por um processo de reposicionamento que começou com uma revisão de portfólio e evoluiu para a construção de uma nova identidade. “Foi um trabalho de entender aonde poderíamos chegar e quais territórios faziam sentido ocupar”, explica Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo. O objetivo era se apegar a uma estética jovem, mas com muito foco em identidade e alma street.

Em 2025, então, veio o rebranding. A nova estratégia está alinhada com uma abordagem de moda muito atual: a de olhar para as roupas como ferramenta e extensão da personalidade de quem as usa. No catálogo, há um trabalho não só de manter peças básicas, que entregam o que o cliente quer, mas de ampliar essa oferta, injetando frescor. Daí vieram as parcerias com o designer de acessórios Alexandre Pavão, o estilista Alexandre Herchcovitch e, agora, a Piet.
A coleção Pool + Piet, que será apresentada durante a semana de moda carioca, foi inspirada na paixão do país pelo futebol – mas não da forma mais óbvia. Senão, nem seria a cara do diretor criativo da etiqueta, Pedro Andrade. “Pensamos em como criar peças que gerem desejo em quem quer acompanhar o mundial, torcer, vestir uma blusa que remete a uma camisa da seleção, mas ao mesmo tempo quer manter seu estilo pessoal e usar uma marca com a qual se identifica”, conta o estilista.
O movimento de ampliação ao acesso da Piet, um dos nomes mais importantes quando falamos de streetwear brasileiro, começou a ser desenhado em abril de 2025, quando a label desfilou no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, para uma arquibancada lotada de fãs. “As pessoas ficaram sedentas pela democratização do produto”, comenta Pedro. “Fiquei pensando: qual seria o melhor momento? E mais: qual empresa poderia me ajudar nesse próximo passo, desenvolvendo uma coleção com um ticket médio mais baixo, mas mantendo a qualidade e o meu discurso?” A resposta só podia ser a Pool. “Essa collab reforça a marca como uma plataforma de acesso que democratiza o repertório e o universo criados por Pedro, tornando essa moda autoral acessível”, fala a CMO da empresa.

Serão 26 peças, entre feminino, masculino e infantil, que vão ajudar o torcedor brasileiro a montar um look repleto de estilo e personalidade. Na passarela, a coleção de inverno 2026 da grife de streetwear estará mesclada com os itens da colaboração. “A mistura foi intencional. O styling é parte importante da construção desse personagem”, diz o estilista. “Começamos a explorar outros universos que a marca não necessariamente habitava para colocar um tipo diferente de pimenta nos nossos produtos”, completa Cathyelle.
O match foi perfeito, já que a Pool bebe bastante da fonte do streetwear. O nicho tem crescido cada vez mais, com grupos inteiros sendo formados em torno da obsessão por essa estética. Um dos melhores exemplos é o NOTTHESAMO, plataforma fundada por Bruno Luciano em 2014, que tem como objetivo traduzir a linguagem das ruas para quem se interessar. Nos últimos anos, eles explodiram e se expandiram, abrindo inclusive um espaço físico, com um café e um anexo, utilizado para exposições e pop-ups de labels independentes.
Esse também é um dos objetivos da abertura da loja conceito da Riachuelo na Rua dos Pinheiros, em São Paulo. Por lá, a ideia é que, durante seus 12 meses de funcionamento, sempre rolem ativações, shows e eventinhos, além de uma curadoria de produtos específica e bem especial. É a maneira de a Pool ajudar a construir a comunidade em volta da marca. “Cada vez mais, vamos evoluir de uma relação transacional para um vínculo contínuo com o consumidor, fortalecendo identificação, pertencimento e engajamento. É uma iniciativa para amplificar nossa voz de maneira mais autêntica, estimular a cocriação com o público e construir uma base de consumidores mais leais e participativos”, explica Cathyelle.

E isso tudo é muito importante quando falamos de cultura urbana. Vale lembrar que o streetwear começou a ganhar novos contornos no fim dos anos 2010, quando nomes como o do estilista Virgil Abloh e do rapper Pharrell Williams apareciam na porta dos desfiles internacionais com looks com misturas inusitadas (para a época). Eram peças de alfaiataria misturadas com clássicos da moda de rua: estampas gritantes, moletons, camisetas, coletes doudoune, bonés e, claro, tênis. A cultura sneakerhead também foi uma das primeiras que uniram os amantes dessa estética: eles se juntavam para comprar itens raros em drops exclusivos. O streetwear virou pop, virou fashion, virou luxo. Mas virou, acima de tudo, uma comunidade. “O streetwear me abriu diversas portas, e muito do meu networking vem dele. A maioria das pessoas que estão na minha vida hoje veio daí”, fala Bruno.
Ele ainda lembra do quanto a cena o ajudou a construir um senso de estilo que conversa mais com sua personalidade do que com tendências passageiras ou com visuais copiados e colados de referências online. Essa atitude ao se vestir, que sempre prioriza a identidade, pode ser traduzida de várias maneiras. Na Pool, uma das principais é o investimento no jeans, parte inerente da linha em todos esses anos. Na nova coleção, há calças com modelagens barrel, slim e wide em diferentes lavagens e cortes. O material é usado ainda para construir casacos compridos e jaquetas coloridas – principalmente o vermelho, a cor predominante da marca, que foi um hit no primeiro drop. “Estamos trazendo tudo o que há de mais novo em questão de shape, lavagens e paletas. Queremos entregar o melhor jeans que você já vestiu!”, define Cathyelle. No fim, o que liga todos esses movimentos atuais da moda é uma mudança de perspectiva. Entre referências globais e vivências locais, ganha espaço o vestir mais intuitivo, que mistura repertórios e desafia as fórmulas prontas. É nesse território, onde conforto, memória e atitude se encontram, que a indústria reafirma seu papel: o de acompanhar e potencializar as múltiplas formas de ser. Afinal, na rua – hoje mais do que nunca – o estilo não se impõe, se constrói.
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