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Quando Ana Clara Watanabe e Cecília Gromann iniciaram o desenvolvimento da nova coleção da Anacê, a dupla se deparou com um cenário um tanto complicado: "Tivemos um choque quando começamos o nosso estudo têxtil. As matérias-primas estavam em falta e os preços nas alturas", relembra Ana Clara em conversa com a ELLE. Partindo da ideia da escassez, as jovens entenderam que, diante desse contexto, não existiam muitas saídas. "Nós decidimos ser estratégicas. Pensamos 'o que os nossos fornecedores vão conseguir viabilizar agora? O que não teremos problemas mais para frente?''", conta Cecília.

Foi com esse raciocínio que as estilistas chegaram à noção de essenciais. Shapes amplos, cores fortes e aviamentos diferenciados compõem as criações da etiqueta, sempre arrematadas por materiais com algum diferencial, seja na construção, na base das fibras ou no acabamento do tecido. "Inicialmente, a ideia era fazer uma alfaiataria de uma forma um pouco mais tradicional", disseram. Essa intenção, no entanto, logo evoluiu e se desdobrou nas percepções e vivências pessoais de Ana Clara e Cecília durante a pandemia. Para se esquivar da ansiedade e manter a mente sã, a dupla resgatou as crenças e processos de autocuidado passados de geração em geração em suas respectivas famílias.

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Rituais, rezas, chás de cura e banhos entraram na conversa e passaram a ser os condutores não apenas de seus dias, como também da coleção. "É tudo sobre a busca por uma reconexão ou por uma certa espiritualidade, em que o indivíduo pode se encontrar com si próprio e ter contato com algo maior", explica Cecília. Nessa narrativa, ainda houve espaço para questionar a ambiguidade relacionada ao contato massivo com a tecnologia, também acelerada pelo contexto pandêmico.

O filme, apresentado durante o primeiro dia da São Paulo Fashion Week, marca a estreia da Anacê no evento. "É muito legal começar neste formato que comunica tão bem com o nosso público. Sempre gostamos do audiovisual e sentíamos falta disso na moda brasileira", comentam. Dividida em atos, a produção realizada pela dupla ganhou o nome de RUTA, nome científico da planta arruda, e parte da dualidade inconstante que, mais do que nunca, faz parte dos nossos dias. "A gente queria criar sensações. Enquanto as cenas que refletem a ânsia e a obsessão geram incômodo, são os momentos de cura que tranquilizam", diz Ana Clara.

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