Como a Apricus transformou joias de formas orgânicas em um negócio em expansão
Fundada por Gabriela Doucette, a Apricus cresceu apostando em anéis, colares, ear cuffs e braceletes assimétricos e com acabamento artesanal.
A catarinense Gabriela Doucette, 29, fundadora da Apricus, nunca sonhou em ser joalheira. “Designers de joias geralmente vêm de uma tradição familiar no ramo e eu tenho uma origem simples sem nenhuma conexão com esse mundo”, diz ela. Tanto que quando chegou a hora de escolher uma profissão ou carreira no vestibular, optou pela economia. Mas não deu certo. Depois de três anos na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), trancou a faculdade e viajou para o Canadá, em busca de novos caminhos.

O primeiro anel criado por Gabriela para a Apricus. Foto: Divulgação
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Na Vancouver Community College (VCC), fez cursos livres de pintura, moda e joalheria. Durante as aulas, os professores priorizavam ensinamentos tradicionais no universo, como a busca por simetria e perfeição, algo que não combinava com o seu estilo pessoal. Isso acabou a influenciando de forma contrária: daquele tanto de regras, nasceu um modelo de anel com contornos irregulares. A peça, criada em 2021, foi o ponto de partida da Apricus e suas características – volumes orgânicos e acabamento artesanal aparente – se tornaram os pilares do DNA da grife.
O negócio começou despretensiosamente. “Documentava o processo de criação das joias em posts no Instagram, minhas amigas se interessaram e passaram a fazer encomendas”, explica a empreendedora. Em poucos meses, a produção expandiu para colares, brincos, ear cuffs e braceletes de prata, bronze e ouro e, mais tarde, itens cravejados de esmeraldas, topázios e safiras.

Gabriela Doucette, fundadora da etiqueta. Foto: Divulgação
A virada comercial aconteceu em maio de 2023, quando acessórios da marca apareceram no editorial com o cantor Daniel Caesar, capa do Volume 02 da ELLE Men Brasil. A partir daí, os pedidos aumentaram. Em 2024, a Apricus integrou o projeto Novos Designers do Shop2gether, que anualmente destaca talentos emergentes da moda nacional. O programa motivou Gabriela a ampliar a equipe, investir em anúncios nas redes sociais e transferir a fabricação de Florianópolis para São Paulo.

Daniel Caesar usando Apricus no Volume 02 da ELLE Men Brasil. Foto: Hick Duarte
Os resultados financeiros da reestruturação surgiram rapidamente. O faturamento cresceu 44% entre 2024, quando a reorganização foi iniciada, e 2025. Na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e de 2026, o salto foi de 227% na receita. Parte do avanço veio também da diversificação da oferta. No ano passado, a etiqueta lançou uma linha produzida com eletroformação, uma técnica que utiliza corrente elétrica para depositar metal sobre um molde de resina, criando peças ocas e extremamente leves. Ao mesmo tempo, as encomendas de alianças de noivado cravejadas de diamantes naturais ou de laboratório ganharam força e se consolidaram como uma das principais alavancas de expansão.
Para o futuro breve, a Apricus prepara uma série de objetos de decoração com lançamento previsto para 2027, além da internacionalização do e-commerce. No Brasil, as coleções são encontradas no site da grife, no showroom próprio e na multimarcas Mata Lab, estes dois últimos na capital paulista.

Um anel de noivado feito pela grife. Foto: Divulgação
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