Tudo sobre a Copenhagen Fashion Week de verão 2027 

Comemorando 20 anos de história, a Copenhagen Fashion Week de verão 2027 aposta na alfaiataria descomplicada, na estética girl's girl e no retorno da diversidade de corpos às passarelas.


Copenhagen Fashion Week verão 2027
Marimekko, verão 2027. Foto: James Cochrane



A Copenhagen Fashion Week de verão 2027 deu continuidade às celebrações de seus 20 anos de história, iniciadas em fevereiro. A edição realizada entre os dias 03 e 07 de agosto reuniu 34 desfiles e outros formatos de apresentação, além de palestras e, claro, o seu tão conhecido street style.

Realmente há conquistas consolidadas nessas duas décadas para comemorar. Nos últimos tempos, o evento ampliou o alcance da moda nórdica. Convenceu também compradores, jornalistas e criadores de conteúdo a incluírem a Dinamarca no roteiro antes de seguirem para o circuito tradicional em Nova York, Londres, Milão e Paris.

Copenhagen Fashion Week verão 2027

Almada Label, verão 2027 Foto: James Cochrane

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A expansão internacional ganhou força a partir de 2018, sob a gestão da CEO Cecilie Thorsmark. Em 2020, a organização estabeleceu requisitos obrigatórios de sustentabilidade para as marcas participantes, que tiveram um prazo de três anos de adaptação. Tanto a rigidez das normas quanto a comunicação eficiente em torno delas fizeram a CPHFW atrair a atenção global.

O evento também soube diversificar a sua identidade estética, indo além do minimalismo escandinavo. A inclusão de etiquetas jovens trouxe experimentação visual, com o reaproveitamento de tecidos por meio do upcycling, sobreposições incomuns e cartelas de cores amplas. As novas propostas foram feitas com produtos práticos, fáceis de usar no dia a dia e vendidos a preços mais atrativos do que os das grifes milanesas e francesas. 

Copenhagen Fashion Week verão 2027

Stine Goya, verão 2027 Foto: James Cochrane

Vale ressaltar que muitas marcas da CPHFW são fundadas e dirigidas criativamente por mulheres, o que se reflete em coleções desenhadas diretamente para atender às demandas femininas. Também não parece coincidência a melhor representatividade de corpos. Enquanto as semanas de moda internacionais na temporada de inverno 2026 registraram a menor variedade de biotipos dos últimos três anos, foi notável o esforço das casas escandinavas nesta estação em reforçar a importância da pluralidade (principalmente de tamanhos) nas passarelas.

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Um dos grandes destaques nesse sentido – e de toda a temporada –  foi o desfile da nova-iorquina Collina Strada, no dia 06 de agosto. A grife, fundada pela estadunidense Hillary Taymour, é a primeira convidada internacional do evento em uma parceria com o programa The Climate Pledge – iniciativa de redução de carbono liderada pela Amazon. Segundo a organização da fashion week, o intercâmbio de etiquetas estrangeiras continuará nas próximas edições.

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Collina Strada, verão 2027. Foto: James Cochrane

Na coleção, há tops e vestidos em tons suaves de rosa, azul e verde. O característico trabalho de reutilização de materiais da designer prioriza tecidos leves. Eles foram reunidos com drapeados e decorados com bordados de lantejoulas. O objetivo era alcançar uma imagem de conto de fadas, com influências do movimento rococó. O resultado não é antigo. Ao contrário, fica quase futurista com o glitter biodegradável nos cabelos e as bermudas jeans alongadas.

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De olho nos novatos

Diante da constante migração de grifes consolidadas para o calendário de Paris, a exemplo de Ganni e Cecilie Bahnsen, a Copenhagen Fashion Week estruturou iniciativas para atrair e cultivar novos talentos.

Uma dessas frentes é o CPHFW NEWTALENT, criado em 2022 que oferece mentoria, suporte financeiro e capacitação empresarial para negócios com menos de cinco anos de mercado. Foi por meio do programa que a Studio Constance, de Estocolmo, fez a sua estreia. A fundadora e diretora criativa, Rebecca Dovenryd Almberg, traz no currículo passagens por Proenza Schouler, Totême e Acne Studios, e busca aliar sensualidade e ousadia ao design sustentável.

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Studio Constance, verão 2027 Foto: James Cochrane

A Havaianas decidiu apresentar a sua primeira sandália de salto alto nesse debut. A brasileira anunciou o lançamento, integrando o calçado aos vestidos de barras assimétricas da label. Trata-se de um modelo kitten heel que deixa o pé quase todo à mostra, com exceção do dedão. O acessório foi visto nas cores preta, branca e verde, mas ainda não teve a data de comercialização divulgada.

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Outro nome que chegou por meio de um projeto de inclusão acabou por revelar uma das apresentações mais comentadas da semana. A Institution foi fundada por Galib Gassanoff em Milão, onde costuma desfilar. O estilista venceu em janeiro o prêmio Zalando Visionary Award de 2026, o que lhe concedeu um espaço no calendário oficial dinamarquês desta edição. 

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Institution, verão 2027 Foto: James Cochrane

A casa resgata as raízes georgianas e azerbaijanas do dono, que é um dos finalistas do Prêmio LVMH de 2026. Intitulada Yad (palavra azerbaijana que significa tanto “estranho” quanto “memória”), a coleção reúne peças de lã, trench coats estruturados com saias e lapelas volumosas e vestidos transparentes bordados com moedas tetri – introduzidas na Geórgia após a independência da União Soviética, em 1991.

Praticidade e diversão

Entre as casas que estão há mais tempo no line-up, as principais propostas se dividem entre representantes de uma alfaiataria funcional e descomplicada e defensores de um toque de celebração nostálgica com a mistura de texturas e cores. 

Na ala sóbria, a By Malene Birger, de Emilie Martinsen-Kønigsfeld, apresenta jaquetas de couro estruturadas, jeans de modelagem ampla, camisas polo de malha e vestidos regata alongados – tudo numa cartela de branco, preto e bege. 

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By Malene Birger, verão 2027. Foto: James Cochrane

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A cofundadora e diretora criativa da The Garment, Charlotte Eskildsen, batiza a sua coleção de The Tourist (A Turista) para propor uma mala de viagem prática. A seleção da designer inclui calças de alfaiataria, camisas e tricôs para amarrar no pescoço, além de vestidos de cetim e conjuntos de estilo pijama.

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The Garment, verão 2027. Foto: James Cochrane

Na Mfpen, o estilista Sigurd Bank busca inspiração no minimalismo da década de 1990 para chegar a jaquetas de couro quadradas, jeans retos e saias mídi bem sequinhas. Segundo o designer, a sua pesquisa nesta temporada reflete o cansaço do mundo corporativo. Vêm daí os detalhes como pingos de café nas camisas de seda, as cores desbotadas e os sinais de uso na região dos cotovelos.

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Mfpen, verão 2027. Foto: James Cochrane

A Herskind, dirigida criativamente por mãe e filha, Birgitte Herskind e Andrea Hess, vai no sentido oposto: elas agregam ornamentação à alfaiataria convencional para dar uma levantada na vida. A dupla combina camisetas básicas com saias de plumas, camisas brancas com um modelo lápis transparente, além de broches de penas e tênis para compor o visual animado.

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Herskind, verão 2027. Foto: James Cochrane

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No front dos mais entusiasmados, as cofundadoras e diretoras criativas Rikke Baumgarten e Helle Hestehave, da Baum und Pferdgarten, constroem um look inspirado na dança, combinando polainas, faixas elásticas de cabelo e tênis amarrados às bolsas. A etiqueta coloca saias de babado sobre jeans e vestidos rendados em cima de calças de moletom. E oferece várias trends: itens em amarelo-manteiga, estampa de pele de veado e conjuntos de blazer com bermudões. 

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Baum und Pferdgarten, verão 2027. Foto: James Cochrane

Ao lado de outras representantes, como Marimekko, Paolina Russo e Stine Goya, a label é uma das que incorpora a estética Girl’s Girl no seu estilo. O visual celebra a hiperfeminilidade com elementos delicados, românticos e nostálgicos, rejeitando a ideia de que os signos tradicionalmente femininos são menos sérios, fúteis e irrelevantes.

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Marimekko, verão 2027. Foto: James Cochrane

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Stine Goya, verão 2027. Foto: James Cochrane

Em caminho parecido, na apresentação do estilista Niklas Skovgaard para a sua marca homônima, as modelos descem de carros antigos vestidas com conjuntos no estilo lady like com xadrez vichy. A grife fundada em 2020 foi semifinalista do Prêmio LVMH de 2025 e tem como essência resgatar a veia pop dos anos 1950 e 1980.

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Niklas Skovgaard, verão 2027. Foto: James Cochrane

A inspiração retrô – e quase kitsch – também representa a Caro Editions. Lançada por Caroline Brasch há quatro anos, a etiqueta já é uma das preferidas das garotas descoladas da cidade. A designer usa tecidos de estoque vintage de casas europeias e os junta sem medo: renda sobre jeans estonado e tweed com acetinados. Há espaço ainda para brocados, ombros largos, detalhes de laços e botões do tipo joias. É o tipo de energia que renova o fôlego da Copenhagen Fashion Week e a mantém no radar de quem curte moda. 

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Cara Editions, verão 2027. Foto: James Cochrane

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