MFW: Bottega Veneta, verão 2027

No verão 2027 da Bottega Veneta, a diretora criativa Louise Trotter busca leveza enquanto experimenta a riqueza artesanal da grife.


Bottega Veneta, verão 2027
Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images



A coleção de verão 2027 é a terceira de Louise Trotter à frente da Bottega Veneta como diretora criativa. Ela faz parte de um grupo de designers que assumiu grandes casas tradicionais em 2025 e, agora, passa pelo teste de fogo para mostrar a que veio.

Para entender o momento, é preciso olhar para o passado. Louise já trabalhou em Nova York, Londres e Paris, passando por grifes como Calvin Klein, Gap, Tommy Hilfiger, Jigsaw, Joseph, Lacoste e Carven. Apesar da trajetória diversa, a sua experiência atual é a que mais valoriza as técnicas artesanais de produção. 

Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


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Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


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Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


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Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images

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Desde que assumiu a direção criativa da etiqueta italiana no final de 2024, e estreou em setembro de 2025, as criações da britânica destacam texturas. Em entrevistas, Louise já afirmou que na Bottega Veneta ela se sente como uma criança com uma caixa de doces nas mãos. O motivo são as inúmeras e excelentes possibilidades de confecção manual oferecidas pela empresa.

Não por acaso, o desfile de sábado (26.09) mantém bolsas, chapéus, sandálias, botas, casacos, vestidos e muitos outros detalhes trançados – feitos com o intrecciato da label. Os tops de patchwork e as bolsas de couro são de crochê. Os sapatos de trama aberta lembram a rede de pesca, as camisas de seda ganham bordados e, o slipdress, aplicações de flores de tecido tridimensionais.

Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images

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Em uma realidade homogeneizada pela inteligência artificial, o trabalho manual realmente atrai. O processo leva horas, dias ou meses, e carrega as marcas do gesto humano. Aqui, o apelo tátil está presente até no cenário. Os bancos para os convidados foram feitos de papelão, revestidos de resina e literalmente abraçados pelo artista que os criou, o ucraniano Illya Goldman Gubin – por isso o aspecto amassado.

Acontece que, além das texturas, Louise também adora volumetria e é conhecida por sua alfaiataria escultural. Ela tem até uma silhueta clássica, em formato de ampulheta. O desenho aparece em blazers, casacos e vestidos com ombros e quadris mais largos que a cintura. Na passarela, há ainda calças balão e saias assimétricas em alguns looks delas. A falta de leveza quando Louise une os exercícios de modelagem com as suas experimentações materiais acabou virando uma das principais críticas que recebeu em relação às coleções de verão e inverno 2026.

Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images


Bottega Veneta, verão 2027

Bottega Veneta, verão 2027. Foto: Getty Images

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Nesta temporada, no release do desfile, a estilista reflete sobre a passagem das estações: com a chegada da primavera, ela diz, vem o “despir físico e mental, onde a proteção cede espaço à possibilidade, trocando a contenção pela liberdade”. Dá para entender que a designer está em busca de equilíbrio e suavidade.

A mágica realmente acontece quando a delicadeza aparece: a beleza não está no vestido que achata a silhueta para mostrar todas as possibilidades em cima de um tecido, mas naquele visual que evidencia partes do corpo e se movimenta de forma sutil. A sua cartela de cores já estabelecida – branco, bege, preto, azul-marinho e laranja vibrante – ganha mais frescor com rosas, violetas e amarelos claros. A alfaiataria e o styling boêmio do núcleo masculino misturam bem as raízes da designer de Sunderland, cidade portuária inglesa, com as técnicas de costura e tricô da grife da região de Veneza.

Como no feito à mão, as marcas do processo ficam evidentes nessa evolução da etiqueta com Louise na direção criativa. A fórmula pode até levar tempo, ser feita de erros e acertos, mas é sempre mais humana e original – igual ao artesanato.


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