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E lá se vão 12 anos desde que público acompanhava angustiado as desventuras da menina Salete, que teve que morar com a avó megera depois da morte da mãe, vítima de bala perdida. Aos 7 anos, Bruna Marquezine conquistou o Brasil com sua atuação na novela Mulheres Apaixonadas, da Rede Globo, e nunca mais deixou de ser assunto. Nos anos seguintes, engatou uma novela atrás da outra, além de séries e filmes. Acumulou prêmios por seus trabalhos e seguidores nas redes sociais. Teve seu namoro com Neymar amplamente coberto pela imprensa, mas fez questão de usar sua visibilidade para pautas mais pertinentes. Bruna cresceu e se transformou sob o olhar da audiência – e não por acaso é a estrela da nossa edição impressa, que acaba de chegar às bancas com o tema "metamorfose".

A primeira metamorfose da ELLE Volume 4, por sinal, já está na capa: feita com impressão lenticular, ela traz Bruna passando por um efeito de transformação, com três looks diferentes que se alternam de acordo com o ângulo pelo qual ela é vista.



No ensaio fotografado por Nicole Heiniger, com styling de Rita Lazzarotti, a atriz encarna diferentes personas. Já na entrevista dada à jornalista Angélica Santa Cruz ela é Bruna Marquezine por inteiro. Conversou sem restrições sobre o distúrbio alimentar que enfrentou há três anos e sobre o custo de se posicionar politicamente nas redes sociais – o que já lhe rendeu, inclusive, uma ameaça de queixa-crime por parte do filho número 2 do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro. E falou sobre a experiência nova de estar vivendo um amor tranquilo com o empresário Enzo Celulari. Confira a seguir alguns trechos da entrevista:

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Você integra uma primeira geração de atores que começaram com uma trajetória clássica na TV e se transformaram em potências das redes sociais. De fora, às vezes, parecia que a influencer ia engolir a atriz. Como funciona pra você essa divisão?

Pra mim, e acho que pra minha geração, o Instagram não surgiu como ele é hoje. Era mais uma rede social que eu usava pra interagir com meus amigos. Minha conta lá no início tem fotos de pizza, tem eu me maquiando com minhas amigas – era o dia a dia de uma adolescente. Essa grande plataforma de interação com o público, e relacionada ao trabalho, apareceu depois. Como peguei o comecinho dessa transição, foi bem natural pra mim. Quando a gente começou a fechar contratos que incluíam posts, eu já estava ali havia muito tempo. Então, na minha cabeça, essa divisão entre a atuação e uma possível profissão de influencer não existe. Uso as redes pra falar de coisas que acho interessantes pra minha carreira, pra minha imagem, mas nunca sentei com minha equipe pra fazer uma estratégia de redes sociais. Uso de um jeito muito intuitivo. Agora, eu sou uma atriz! E acho que artistas se posicionam – daí é uma bênção ter essa plataforma pra fazer pronunciamentos sobre coisas que acho importantes.

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Bancar algum tipo de ativismo nas redes já trouxe prejuízos pra você?

Quando resolvo me posicionar, corro o risco de ouvir críticas, de perder seguidores e contratantes. Mas aí eu penso: "Ok, foda-se. É a minha posição e também não quero atrelar a minha imagem a uma marca que tenha valores tão divergentes dos meus". Eu não desejo falar só com pessoas que pensam exatamente como eu. Mas, quando a gente trata de valores muito importantes, até prefiro que o meu público tenha os mesmos. Se eu puder influenciar positivamente uma pessoa que seja, sobre um tema sobre o qual consigo falar com segurança, então, falo. Às vezes, vejo gente dizendo que acharia um fardo se pronunciar. Não é um peso, gente! Se você não entende sobre um assunto, realmente, não se posicione – ninguém é obrigado a ter opinião formada sobre tudo. Essa cobrança também acho um puta saco. Mas a gente tem que saber que todo artista tem uma importância na sociedade.

E como você lida com tudo o que volta quando se faz um posicionamento político?

Publico posts de oposição ao Bolsonaro desde a campanha eleitoral, porque talvez possa influenciar alguém a, pelo menos, sair de um ciclo vicioso de só ler matéria de WhatsApp. Quando comecei, recebi ataques não só de eleitores dele, mas até de pessoas próximas, do meu meio, que me diziam: "Olha, não faz isso. Não é bom pra você". Nas eleições, eu fazia stories todos os dias – o máximo de pausa que dava era, no meio de uma TPM, só pra ter uma noite de descanso dos ataques que recebia. Eu pensava: vou ser xingada, mas já fui tão detonada em coisas tão menos importantes... Agora, a agressividade deles é muito mais forte. De uma crueldade e de um ódio absurdos.

Em setembro de 2018, você postou uma série de stories que denunciava a cultura hater das redes e expunha uma fase dramática da sua vida, em que teve depressão e lidou com distúrbio de imagem. Até hoje isso reverbera. O que estava acontecendo ali com você, nos bastidores desse episódio?

Se eu abrir o meu Instagram agora e for nas DMs, ainda tem gente respondendo a esses stories, agradecendo, marcando, replicando. Hoje, com essa onda de TikTok, gravam áudios desses vídeos. E isso é muito doido, porque foi assim: eu estava em Verona, na Itália, fazendo um trabalho no meio da semana de moda, e tinha algumas horas sozinha no quarto, antes de ir pro desfile. Eu tinha postado uma foto minha e vi comentários de que estava magra demais, feia demais, de que eu tinha anorexia – na verdade, falam isso até hoje. Mas ninguém sabia que eu tinha acabado de enfrentar um perrengaço, do mal que eu havia feito contra o meu corpo. Peguei o celular e comecei a falar. Assim, do nada. A minha empresária na época estava hospedada a dois quartos do meu. Aí, enquanto eu gravava, descia aquela mensagenzinha no WhatsApp com ela dizendo: "Deixa eu ir aí? É muito bacana o que você está falando, mas vamos conversar antes?" Porque ela viu que eu estava indo embora, eu entrei numa catarse. Um pouco antes, havia sido o auge do meu distúrbio de alimentação e de um processo depressivo. Na verdade, eu ainda estava no final desse processo, mas me sentia forte pra falar. E o que tinha acontecido era que eu passava o dia inteiro sem comer, sem tomar água. À noite, tinha fome, pedia uma pizza e comia inteira. Ficava muito mal e tomava dois lacto-purgas, um laxante pesado. No dia seguinte, acordava passando mal, ia ao banheiro, botava pra fora todos os nutrientes. Se eu quisesse emagrecer, bastaria fazer refeições com uma composição saudável. Mas eu estava depressiva. Então, eu queria era me machucar. Fui fazendo isso por meses. Aí, na véspera do Natal, fui parar no hospital, com um início de pedras nos rins. Ali, eu vi a violência que estava cometendo contra o meu corpo.

Em carreiras como a sua, que começam muito cedo, é um clássico o momento em que o artista cresce e quer tomar as rédeas, quase sempre com uma ruptura delicada. Foi isso que aconteceu com você?

Sim, finalizar uma trajetória de tantos anos dentro da Globo foi muito delicado, muito sofrido. Sabia que seria arriscado, principalmente financeiramente, encerrar um contrato seis meses antes do término pra ter mais liberdade de escolha na carreira. Ouvi de muita gente que eu não deveria fazer. Mas eu estava frustrada havia anos. Entendo o valor cultural gigantesco das novelas pro nosso país, entendo quantas pessoas apreciam e são profundamente tocadas por elas – mas é um formato que fiz a vida inteira e já não aguentava mais. Eu não era mais feliz e começava a descontar essa frustração na arte em si, já estava me questionando se eu era atriz, se era capaz, se queria continuar. Aí entendi que o problema não era a atuação, era o formato. Eu estava sofrendo e, ao mesmo tempo, queria entregar pra empresa tudo o que ela precisava. Então, pensei em fechar o ciclo. Mas, ao meu redor, todo mundo dizia: não faz. Foi bem difícil.

Bruna Marquezine vestida de Area (alta-costura).Foto: Nicole Heiniger

Como você tempera hoje a sua exposição? Como foi, por exemplo, a decisão de escrever um post sobre o seu namorado, o Enzo Celulari, que, claro, virou assunto imediatamente?

Não faço mais posts de parabéns. Tenho preguiça, porque vem muita cobrança. Cheguei a perguntar pra ele: "Você está esperando um post meu?" E ele disse: "Claro que não, pelo amor de Deus!" Eu tinha bebido umas caipirinhas de seriguela ao longo do dia. Aí fui tomar um banho pra gente jantar e pensei: vou tentar escrever uma coisinha. Se saísse algo legal, que seria como um carinho, aí eu botaria. Estavámos nós dois, a família dele e a minha, todo mundo junto. A gente estava muito feliz, algo muito real! Tinha brincando com ele, dizendo: "Você tinha que fazer aniversário no mesmo dia que meu pai, né? Óbvio!" Aí escrevi isso e continuei. Quando acabei, mandei pra duas amigas e perguntei: "Eu sei que o amor é cafona, mas o quão cafona vocês acham que é esse texto?" E elas responderam: "Se a gente lesse, ia pensar que você está muito apaixonada e que é uma declaração linda". Aí publiquei. Foi assim, sem estratégia nenhuma, sem essa coisa de "assumir namoro" que saiu depois. A gente assume crimes e erros. Amor não se assume. Não é assim!

Você já se sente à vontade pra falar do seu namoro?

Sim... O Enzo apareceu na minha vida neste momento superdelicado. Quem imagina que vai começar a namorar no meio de uma quarentena? Eu estava uns quatro anos sem ter um namoro e fiquei muito bem sozinha – coisa que nunca tinha conseguido fazer. Antes de pensar em me relacionar com o Enzo, eu já admirava o trabalho dele. Ele recebeu uma criação maravilhosa, teve todo o conforto (Enzo é filho dos atores Claudia Raia e Edson Celulari) e estaria tudo certo se não fizesse nada – mas foi para o terceiro setor, trabalhar pra ajudar as pessoas. A gente começou a se falar porque me coloquei à disposição pra ajudá-lo nessa pandemia, mas me disseram que ele tinha ali umas segundas intenções também, e eu pensei: "Ô, vamos ver..." E aí ele foi chegando e me conquistou. Desde o início, foi muito leve, me fez muito bem. É um lugar onde eu me sinto muito segura e isso é tão bom... Foram muitas sessões de terapia pra me acostumar com a paz de ter um relacionamento tranquilo. Às vezes, eu confundia isso com quase um tédio. Ficava em um estado de alerta. E aí? O que tá por vir? Não tem alguma coisa errada? Não está faltando um sentimento? Ainda mais sendo atriz e atuando desde pequenininha, acho que eu apreciava as reviravoltas, a intensidade – essas cenas são sempre as melhores, né? E agora ter esse novo registro de amor, que desconstrói a ideia de que tem que ser pelo conflito, é uma delícia. É muito potente viver dentro de um relacionamento de respeito, de admiração, de tranquilidade.

A entrevista completa e o ensaio exclusivo com Bruna Marquezine está na ELLE Volume 4, que chega às bancas a partir de hoje (21.5). Quer saber o que mais você encontra na edição? Uma palhinha:

Seres fantásticos e metamorfoses na moda

O imaginário nacional, a vida secreta das plantas e até Kafka inspiram 44 páginas de editoriais de moda clicados por Gleeson Paulino, MAR+VIN e Paulo Vainer.

Iris Van Herpen
A estilista holandesa conta como une trabalho artesanal e alta tecnologia para criar suas coleções arrebatadoras.

Jane Birkin
Em entrevista exclusiva, a cantora e atriz (e inspiração para a mais desejada das bolsas) fala sobre a passagem do tempo, moda, a perda da filha e a relação com Serge Gainsbourg.

A pandemia e as novas coleções
Como o desejo por proteção, conforto e praticidade influenciaram o que vemos nas passarelas da temporada.

E ainda:
Entrevistas com Gottmik, Lisa Eldridge, Amalia Ulman e Sandor Katz, a neo-neopsicodelia, upcycling na indústria do luxo e muito mais!

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