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É admirável as transformações que Gabriela Hearst conseguiu implementar na Chloé com apenas duas coleções. No verão 2022, 55% da coleção é feita com materiais de impacto reduzido na natureza. Os metais amarrados nas pontas das franjas que decoram alguns vestidos, por exemplo, são de estoque morto da grife. As estampas listradas são pintadas à mão, evitando o uso de químicos no processo de tingimento. Restos de camurça de coleções anteriores são costurados com macramê e crochê nas mangas de um casaco ou no corpo de uma blusa.

No lugar do algodão, os forros das bolsas foram substituídos por linho, já que seu cultivo emite menos gases de efeito estufa e sua produção exige menos água. Algumas delas são feitas de materiais reciclados – de cashmere a canudos – ou em parceria com a organização de fair trade Mifuko, que visa garantir pagamento justo para possibilitar a independência financeira de artesãs no Quênia. Nos sapatos, os modelos da linha Chloé Lou têm suas solas feitas a partir do upcycling de sandálias retiradas dos oceanos.

Acontece que estamos em 2021, e tudo isso deveria ser o mínimo, o básico, não o principal. A necessidade de sublinhar tais posturas e práticas como mérito diz muito sobre o atraso de toda uma indústria em relação a demandas urgentes. Gabriela sabe bem disso e corre, como poucos, atrás do tempo perdido.

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De novidades, neste verão 2022, se destaca a atenção e valorização aos trabalhos manuais. Quase toda peça é acompanhada de alguma trama, trança ou decoração artesanal: das conhças e pedras com macramê ao couro nas barras, lapelas de blazers até as alças das bolsas.

No release enviado para imprensa, a Chloé se diz preocupada com a alta industrialização da moda e como isso prejudica produtores menores, principalmente aqueles que dependem de ofícios manuais.

Porém, apesar do viés sustentável, é difícil diferenciar as propostas de Gabriela das demais ofertas do mercado. Historicamente, a Chloé é uma marca reconhecida por um estilo jovem, boêmio e com uma feminilidade bem particular. Na passarela desta quinta-feira, 30.09, à beira do rio Sena, essa garota sumiu. No seu lugar, havia muitas outras – ou outras quaisquer.

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