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É difícil imaginar que um conjunto tão clássico como o smoking possa um dia ter sido uma alternativa à formalidade. Mesmo em suas releituras mais icônicas, como a de Yves Saint Laurent em 1966 ou a de Tom Ford, em veludo vermelho, na Gucci dos anos 1990, o tuxedo não é a primeira imagem associada a uma moda revolucionária.

Anda assim, é objeto de fascínio e hoje divide o hall de modelos atemporais com outros ícones igualmente reconhecíveis, como o little black dress e o trench coat. Criado para ser vestido em momentos de fumo (à época cada vez mais popular na alta sociedade inglesa), suas lapelas em cetim eram mais resistente às cinzas incandescentes que costumavam queimar outros tipos de roupas. Seu nome, smoking, evoca as curvas da fumaça.

Quando surgiu em 1865, nos ateliês da Henry Poole & Co., celebrada alfaiataria da Savile Row, em Londres, estava longe de ser uma referência em formalidade. Na verdade, se tratava de um pedido do então Príncipe de Gales, Albert, para usar em momentos descontraídos, na intimidade de Sandringham House.

Alta-costura inverno 2021 da BalenciagaFoto: Divulgação

Foi na propriedade da família real britânica que um dos convidados, o americano James Potter, teve seu primeiro contato com o conjunto, em 1886. De volta a Nova York, apareceu com uma versão do modelo no exclusivo Tuxedo Park, que deu nome à peça nos Estados Unidos.

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Até o fim da década de 1920, o smoking continuou sendo vendido como uma opção informal no guarda-roupa masculino. Enquanto os cavalheiros aproveitavam os novos prazeres da descontração, o cenário era diferente no universo feminino.

Na metade do século 19, a jornalista Amelia Bloomer já advogava a favor das calças para as mulheres e em 1911 Paul Poiret tentou introduzir a peça. Foram os pijamas de praia de Chanel, contudo, que deram os primeiros passos em direção ao glamour das calças femininas, ainda no fim dos anos 20.

Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em "Casablanca" (1942)Foto: Getty Images

Um espírito de irreverência influenciou o viver e o vestir dos chamados "anos loucos" e nem mesmo o excêntrico Gatsby teria conseguido prever a revolução que o tuxedo provocaria, encabeçada por Marlene Dietrich. Estrela do cinema, ela interpretou a sedutora Amy Jolly em Marrocos (1930) e fez sua imagem de smoking viajar o mundo. No cinema alemão, entre as grandes guerras, a peça ganhou dimensões andróginas.

Uma "excentricidade" das divas e estrelas, o modelo caiu em declínio entre as mulheres nas décadas de 1940 e 1950. Em paralelo, crescia em popularidade no imaginário masculino e ganhou sua primeira variação, a dinner jacket. Esse paletó de cor clara, contrastante com o tecido negro da calça, se tornou um sucesso imediato na Hollywood em preto & branco e vestiu um dos maiores galãs da Era de Ouro do cinema, Humphrey Bogart, em Casablanca (1942).

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Seguiram Cary Grant, ao lado de Grace Kelly, em Ladrão de casaca (1955) e Sean Connery, como o atraente e fatal espião James Bond, em 007 contra a chantagem atômica (1965). Quando os anos de Marlene Dietrich pareciam um delírio distante a dar os últimos suspiros, um grito de Paris reviveu os ânimos da fantasia. Insolente e provocador, Yves Saint Laurent introduziu o Le Smoking em sua coleção de alta-costura do outono de 1966.

Gwyneth Paltrow, de Gucci, em 1996Foto: Getty Images


A sugestão foi um fracasso e nem uma peça sequer foi vendida, mas o estilista propôs versões do modelo em sua jovial boutique SAINT LAURENT rive gauche, onde o conjunto foi um sucesso. O visual exalava androginia, sensualidade e poder – três chaves que abriram as portas do hall de ícones para o tuxedo.

Na década seguinte, já era referência em estilo. Nas discotecas, rendeu cópias exageradas, com babados e cores inusitadas. Nos tapetes vermelhos, tornou-se seu próprio astro e foi a escolha de Tatum O'Neal para receber o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel Paper Moon (1973), quando a garota tinha apenas 10 anos.

Se por um lado era um favorito entre homens influentes, como o bilionário italiano Gianni Agnelli, dono da Fiat e referência em estilo, também era presença constante nas passarelas. Nos anos 1990, Alexander McQueen, Helmut Lang e a dupla Viktor & Rolf foram alguns dos criadores que fizeram referência ao smoking em suas coleções.

Angelina Jolie e Brad Pitt, em 2014Foto: Getty Images

Uma versão lendária do conjunto viria no outono de 1996, quando Tom Ford o apresentou em veludo vermelho, usado pela atriz Gwyneth Paltrow em uma premiação no mesmo ano. Esse look memorável foi a base para o primeiro modelo desfilado na apresentação que marcou o aguardado encontro da Gucci com a Balenciaga em 2021.

Com a chegada do novo século, o tuxedo assumiu dimensões únicas, variando em materiais, proporções e propostas. Em 2014, por exemplo, vestiu o casal Brad Pitt e Angelina Jolie no BAFTA Awards, em que a atriz optou por uma abordagem descontraída para o visual, com as mangas dobradas e o nó da gravata-borboleta desfeito.

Como em todos os momentos que marcaram a história do smoking, prever os seus passos no futuro da moda dificilmente é uma opção. O fenômeno do streetwear e o despertar do guarda-roupa para o conforto, acelerado pela pandemia, são pontos inegavelmente significativos para a reflexão, mas discutir a sobrevivência do conjunto na próxima década é improdutivo. Afinal, a marca do tuxedo é a sua versatilidade atemporal.

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