Moda

Confira o que rolou no 2º dia de SPFW

Comentamos os principais pontos das apresentações do dia: da reprodução da passarela ao voyeurismo.

Foto Cortesia | Another Place
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As passarelas estão canceladas ou pelo menos suspensas, mas isso não quer dizer que sua simbologia não esteja presente. Mesmo em formato digital, algumas marcas optaram por reproduzir o bom e velho desfile de maneiras mais ou menos criativas.

Korshi 01


Ainda que em vídeo, Pedro Korshi tentou reproduzir os vários momentos de um desfile real-oficial. Do camarim à primeira fila e, claro, à passarela. Os modelos fizeram as vezes de atores e incorporaram a maquiadora, a stylist, a influenciadora e a jornalista num cenário fictício e bastante teatral.

A coleção, chamada de Armário Inteligente, reafirma o conceito de versatilidade da Korshi 01, com 10 peças multifuncionais. Uma saia que é top, um pijama que é casaco, um macacão que é capa ou vestido. Por meio de botões, amarrações e ajustes elásticos, decide quem veste. Entre as novidades, estão as peças de alfaiataria (em propostas mais elaboradas e sofisticadas) e o tricô. Ou seja, o visual não fica mais restrito ao jeitão industrial e street das temporadas passadas.

Amir Slama


O estilista conhecido por revolucionar a moda praia nacional decidiu fazer de sua apresentação um desfile filmado. Numa casa no Jardim Europa, em São Paulo, mostrou sungas, bermudas, camisas, biquínis, maiôs e saídas de praia em propostas mais contidas e simplificadas do que em temporadas passadas. A inspiração para as modelagens são aquelas vistas no final dos anos 1970, início dos 1980 – por isso, a asa delta e a microsunga. A coleção tem como base a reciclagem de materiais e tecidos disponíveis no ateliê da marca. A reprodução de uma passarela tradicional em clima de reality show, contudo, reduziu o impacto da apresentação, que ainda sofre com close-ups indelicados nem sempre necessários e com a alienação às questões de diversidade de corpos.

A. Niemeyer


Os meses de quarentena e pandemia também fizeram as estilistas Fernanda Niemeyer e Renata Alhadeff, da A.Niemeyer olhar para dentro nesta temporada. Com nome de Origem, a coleção recupera o que há de mais essencial na marca da dupla: o conforto, a cartela de cores neutras, texturas naturais, modelagens básicas e uma ideia de roupa atemporal e sempre prática. No vídeo de apresentação, peças antigas se misturam a outras já à venda e de entradas futuras.

Another Place


"Foi tudo pensado para nossos clientes, são releituras de peças clássicas que sempre nos pedem", diz Rafael Nascimento, diretor criativo da Another Place. E já que são itens conhecidos, em sua maioria básicos, como camisetas, tops, underwears, bodies e segundas-peles, para que focar nas roupas, não é mesmo? "Foi a coleção mais comercial que já fizemos. Já o vídeo, é bem conceitual, as roupas mal aparecem."

Poderia ser um problema, mas não é. Em parte porque a Another Place tem uma proposta bem objetiva na sua oferta de produto. Desfiles ou qualquer tipo de apresentações muito focados na roupa, quase sempre imprimem repetição. Apostar em narrativas e construções imagéticas mais elaboradas, por tanto, é uma boa solução – e ainda se conectam à qualidade de canvas desse tipo de peça.

Com nome de Promessas Quebradas para Corações Partidos, o vídeo de apresentação traz Cadu Libonati como uma pessoa que, de uma distância pandêmica, observa tudo dentro do seu carro: pessoas em sua garagem, vários mundos possíveis e talvez alguns desejos represados. A visão voyeur é interessante, traz uma camada de sexualidade até então intocada nesta edição do evento e também pouco explorada pela marca que tem um público queer expressivo.




Em parceria com SPFW e profissionais da área, uma das medidas institui que desfiles deverão ter pelo menos metade de seus castings compostos por modelos negras, indígenas e asiáticas.

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