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Moda

Conheça a dismorfia fantástica das roupas da AVAVAV

Batemos um papo com Beate Karlsson, estilista da marca que aposta em silhuetas que desafiam a gravidade, sapatos que parecem de mentira e uma estética completamente diferente de tudo que você já viu por aí.

Beate Karlsson | Foto: Divulgação
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Quem acompanha o trabalho da AVAVAV já deve estar acostumado com a esquisitice extremamente interessante de suas roupas e acessórios. Para quem está chegando agora, explicamos: a etiqueta ficou conhecida pelos sapatos feitos aos moldes de pés de galinha, roupas com quadris inflados, um short que imita a bumbum de Kim Kardashian e uma bota com quatro dedos. Ela existe desde 2017, mas foi só em 2021, com a chegada da diretora de criação Beate Karlsson que veio o boom de sucesso.

A subversão do que consideramos belo, parte central do trabalho da estilista, é inspirada na dismorfia corporal, ou síndrome da feiúra imaginária, um transtorno psicológico que faz com que a imagem enxergada seja diferente da realidade, ou seja, aquela refletida no espelho. Os corpos e características imaginados pela designer, no entanto, não são mais gordos ou maiores, como geralmente se vê quem sofre de tal transtorno, eles ganham formas sobre-humanas, animais e extraterrestres. Essa é a pira de Karlsson – ainda que não seja a única coisa que se vende por lá.

A AVAVAV não se diz uma marca e, sim, uma plataforma de novas ideias. Em 2020, o grupo convidou a sueca Beate Karlsson para assumir a direção criativa e a deram total liberdade. O resultado foram silhuetas consideradas completamente fora do comum e sapatos difíceis de engolir, Conjunto, apesar da estranheza, veio uma legião de fãs que seguem e apoiam todos os passos da etiqueta.

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Bota AVAVAV. Bota AVAVAV.Foto: Divulgação

Além do visual, há ainda a aposta no upcycling, com uso de tecidos e materiais de estoque morto. Há, por exemplo, sapatos feitos com tecidos da Jacquemus e da Burberry – e isso é explicitado nas etiquetas. E enquanto os acessórios tendem mais ao abstrato ou fantástico, as roupas são mais palatáveis, por assim dizer, e seguem um pouco da estética Y2K – que combinada às peripécias imaginativas da estilista, saltam aos olhos.

A mais recente aventura criativa da AVAVAV foi uma coleção digital, apresentada no metaverso da Decentraland. “Queria estender as ideias da nossa coleção de maneiras que são problemáticas na vida real. A melhor parte do metaverso é que não precisamos pensar em conforto ou em normas de vestir. É um sonho para qualquer estilista”, explica Beate, em um comunicado pré-desfile. Para a designer, o céu é o limite – e ela quer ultrapassar todos eles, como deixou claro em conversa com a ELLE Brasil.

Pode contar um pouco sobre você e sobre o começo da sua carreira na moda?

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Cresci em Estocolmo e passei o começo da minha adolescência estudando artes. Quando tinha 19 anos, mudei para Nova York para estudar moda, realizando um sonho de infância.

Quem te inspirou?

Sempre me inspirei em artistas que têm uma estética divertida e colorida. No entanto, quando era mais nova, tinha uma visão mais tradicional sobre design e vestuário. Quando entendi que só estava copiando o que eu já havia visto no trabalho dos outros que comecei a encontrar minha própria jornada artística.

Onde você trabalhou antes da Avavav?

Trabalhei no time de design da Pyer Moss, em Nova York e, antes disso, eu desenhava para a Coach. A Pyer Moss foi uma experiência incrível, aprendi muito, conheci vários estilistas que admiro e fiz vários amigos.

Look digital da AVAVAV. Look digital da AVAVAV.Foto: Divulgação

A AVAVAV não foi criada por você, mas eles te deram total liberdade criativa. Como foi isso?

Tem sido uma jornada muito interessante. Sempre quis criar uma marca própria, principalmente porque minha estética não combina com tantas outras já existentes. Agora, tenho liberdade de desenvolver meu próprio estilo, o que é um sonho – egoísta (risos) – que se tornou realidade.

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A marca mistura bem os mundos digital e físico. Isso é importante para você?

O universo digital tem a habilidade de quebrar certas barreiras. Há mais liberdade quando você não precisa desafiar a gravidade, por exemplo. É divertido, especialmente quando você quer criar silhuetas orgânicas enormes, porque não há limites sobre o que pode ser feito.

O sapato de quatro dedos quebrou paradigmas quando falamos de calçados. Você planejou isso?

Tento experimentar com o desconhecido e costumo trabalhar com peças esculturais, o que funciona muito bem para sapatos. O Finger Shoes nasceu de uma brincadeira com a dismorfia, queria usar o conceito de andando nas suas mãos.

AVAVAV, inverno 2022. AVAVAV, inverno 2022.Foto: Divulgação

O upcycling também é importante para a AVAVAV. Por que?

Nós tentamos ser o mais verdes que conseguimos e, coincidentemente, Florença [sede da AVAVAV] também vários fornecedores de tecidos de estoque morto, então nós rapidamente incorporamos o upcycling como parte do processo, tentando usá-lo com a maior frequência possível.

Vocês colocam o nome das marcas de onde vêm os tecidos que usaram na etiqueta de cada peça. Por que isso é importante?

Ser transparente é essencial, principalmente quando falamos de sustentabilidade. Há muito greenwashing rolando na indústria, então nós tentamos ser abertos com nossos consumidores sobre o que nós podemos fazer e o que não podemos.

Na última coleção, você escolheu uma direção diferente, mais sexy, mostrando mais pele. Como foi seu processo criativo?

Foi muito novo e diferente para mim. Geralmente, foco em silhuetas enormes e conceituais, mas nessa coleção quis me desafiar a criar algo diferente, algo que fosse desconfortável para mim. No fim, foi superdivertido, especialmente a parte de tentar reinventar a ideia de sexy e de nudez.

AVAVAV, inverno 2022. AVAVAV, inverno 2022.Foto: Divulgação

Essa coleção é tão diferente do que nós estamos acostumados a entender como sexy, mas também é supermoderna. Você acha que esse é o novo sexy?

Fico feliz de ouvir isso, eu olhei tantas vezes para ela que fica difícil ser objetiva. Acho que nós estamos em um tempo interessante da história, onde mulheres estão redescobrindo a nudez nos nossos próprios termos. Espero que essa “tendência” tenha vindo para ficar.

A AVAVAV sempre coloca uma diversidade grande de corpos nas passarelas e nas campanhas. Você acha que isso ainda é importante?

Quando você faz parte de um sistema destrutivo, que favorece certos tipos de corpos, é natural querer quebrar essas barreiras. Além disso, como sou uma pessoa criativa que foca em desenvolvimento de silhuetas, tenho um playground maior para brincar quando não foco só em uma estrutura corporal monótona.

Nas suas criações, você sempre inclui um pouco de modificação corporal e silhuetas disformes, como no Butt Shorts, na Claw, nos quadris inflados. Essa é a sua paixão?

A dismorfia tornou-se uma parte enorme da minha estética, essencialmente porque acho que é uma ferramenta interessante para criar novas formas e silhuetas.

Beleza é importante para a moda?

Sim, mas beleza é um conceito subjetivo.

Qual o próximo passo da AVAVAV?

Eu só quero me divertir!

Qual seu maior sonho na moda?

Liberdade criativa.

Qual o futuro da moda para você?

Liberdade criativa!

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