Moda

Da Bahia para o mundo

Dendezeiro estreia na Casa de Criadores com roupas ajustáveis pensadas no corpo dos brasileiros e tempero nordestino.

Foto: @kevinoux | Styling: @hisandeverdade @prazerbatalha | Produção remota: @itsbarnei | Cenário: @rnove1 | Arte: @saralopesarts | Beleza: @papilonia | Modelo: @ashleymalia
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A Dendezeiro nasceu da falta de identificação que Pedro Batalha e Hisan Silva sentiam com a moda que os rondava na época: branca, eurocentrada, feita para um corpo esguio bastante diferente do brasileiro e focada no sudeste no país. "Começamos a perceber que as roupas do nosso estilo e o que a gente acreditava como moda era difícil de encontrar. A partir dessa inquietação, nós resolvemos nos aventurar no universo da moda", conta Pedro. "É muito difícil conseguir roupas que caibam perfeitamente nos diversos corpos negros. As modelagens não são feitas pensadas nessas formas, não comportam quem a gente é", completa Hisan.


Na Dendezeiro, as peças têm detalhes e amarrações internas e externas que as tornam completamente ajustáveis. "As modelagens da indústria não compreendem nosso quadril, nossa cintura, nosso busto. Quis desenvolver peças inteligentes que possam ser ajustadas ao corpo", explica Pedro, que aprendeu sozinho a mexer em uma máquina de costura quando a marca foi criada, em 2019. Desde então, a grife lança coleções-cápsulas feitas em esquema slow fashion, já que seus criadores não vêem sentido em criar grandes coleções ou seguir o calendário tradicional.

Hisan Silva, estilista da Dendezeiro.

Foto: @kevinoux | Styling: @hisandeverdade @prazerbatalha | Produção remota: @itsbarnei | Cenário: @rnove1 | Arte: @saralopesarts | Beleza: @papilonia

Pedro Batalha, estilista da Dendezeiro.

Foto: @kevinoux | Styling: @hisandeverdade @prazerbatalha | Produção remota: @itsbarnei | Cenário: @rnove1 | Arte: @saralopesarts | Beleza: @papilonia


Outro ponto importante sobre a Dendezeiro é que os modelos usados em suas campanhas são negros. "Se durante anos a população negra comprou em marcas que só tinham brancos, as pessoas brancas precisam entender que elas também podem comprar na nossa loja", fala Hisan. A ancestralidade, a religião e a regionalidade transformaram a grife no que ela é hoje: uma etiqueta que celebra a força preta do nordeste do Brasil. Para a próxima coleção, que marca a estreia de Pedro e Hisan na Casa de Criadores, a dupla planeja roupas focadas no conforto. Nela, eles desmistificam a ideia de que a Bahia é só pé rachado e praia. "Demorou, mas hoje a gente sabe que faz moda", finalizam.

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Diego Gama explora volumes e técnicas manuais em roupas com bases de streetwear.

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