Confira os destaques do Dragão Fashion Brasil 2026

Celebrando os 300 anos de Fortaleza, os desfiles do Dragão Fashion Brasil 2026 valorizaram os artesanatos típicos do Ceará e a pluralidade das estéticas locais. 


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Lino Villaventura, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos



O Dragão Fashion Brasil 2026 aconteceu entre os dias 09 e 12 de junho, no complexo cultural Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema, em Fortaleza. Foi naquela região, em 1999, que o produtor Cláudio Silveira fundou a semana de moda cearense, hoje consolidada como uma das mais importantes do Brasil. 

Só nesta edição foram 40 desfiles, além de apresentações musicais de Fernanda Abreu, Alice Caymmi e Ana Cañas. Com foco estratégico na economia nordestina, os participantes destacaram o uso de tecidos naturais, artesanias regionais e a diversidade do mercado local, que vai do beachwear à alfaiataria. 

Dragão Fashion Brasil 2026

Casa Aika, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Mancuda, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

Leia mais: O que há por trás da tendência do feito à mão no Brasil 

No primeiro dia, terça-feira (09.06), a Casa Aika estreou nas passarelas do DFB com a coleção Bença. Marcos Maciel, fundador da etiqueta, mostrou silhuetas amplas, vestidos com babados e camisas de linho.  A Mancuda, por sua vez, direcionou o olhar para as comunidades periféricas cearenses, por meio de bermudas de veludo (como aquelas da Cyclone, tão associadas ao Funk), bonés de crochê e chinelos.  

David Lee, um dos expoentes fortalezenses mais conhecidos, traduziu o imaginário simbólico dos festejos sertanejos em regatas, camisetas e camisas de modelagens descomplicadas, com bordados e crochês no formato de flores. O artesão André Cardoso colaborou com o desfile, confeccionando as peças de couro com arabescos que fizeram toda a diferença na composição final.

Dragão Fashion Brasil 2026

David Lee, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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100% Ceart, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

Teve ainda a apresentação do 100% Ceart, um projeto da Central de Artesanato do Ceará (CeArt), que reuniu o trabalho de dez artesãos de 18 municípios. Entre os itens vistos, inspirados nas manifestações populares de fé, as bolsas de couro de tilápia chamaram a atenção.

Na quarta-feira (10.06), Silvânia de Deus e Ethos utilizaram a Rua dos Tabajaras como passarela a céu aberto. As duas marcas possuem pelo menos três décadas de história e têm semelhanças nos seus repertórios, como a predileção por vestidos fluidos. Mas enquanto Silvânia misturou tecidos acetinados e felpudos para explorar texturas, Beatriz Castro, fundadora da Ethos, realçou técnicas delicadas, como o bordado labirinto.

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Silvânia de Deus, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Ethos, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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George Azevedo, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Lire Brand, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

De volta ao QG do evento, o potiguar George Azevedo partiu de paisagens do litoral do Rio Grande do Norte para criar estampas multicoloridas. Os desenhos, feitos à mão, mostram as formas das hélices de aerogeradores e velas de kitesurf. Adepto do upcycling, o estilista reaproveita tecidos do acervo da marca e de equipamentos de esportes aquáticos. E a Lire Brand, de Renata Saldanha e Lissa Moura, debutou com looks de performance inspirados no treino de bailarinas – pense em segundas-peles combinadas a peças folgadas, como uma calça jogging. 

O dia seguinte (11.06) contou com dois aniversários (ou quase). O designer Lindebergue Fernandes comemorou 25 anos de carreira repensando as batinas católicas com  jeans, crochês e rendas. Jô de Paula celebrou 30 anos de trajetória, referenciando mulheres marcantes de sua vida com sobreposições de underwear e vestidos transparentes, além de calças e saias de formas orgânicas. 

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Lindebergue Fernandes, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Jô de Paula, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

A Oco Club, já na sua terceira participação na fashion week, incluiu às suas roupas esportivas e urbanas, elementos que homenageiam Fortaleza, como o macramê das pescas. A 4 Town estreou no evento incorporando o pixo das ruas em estampas para bermudas cargo e camisas polo.

À noite, a Patu, de Diana Souza e Marina Fontanari, buscou inspiração na obra do cantor Ednardo. A grife desfilou conjuntos de blazers e calças amplas e vestidos soltos com efeitos enrugados, priorizando materiais naturais e tons de bege.

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Ocó Club, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Patú, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Lino Villaventura, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

E na data final do DFB (12.06), Lino Villaventura transformou a Ponte dos Ingleses, cartão-postal da capital cearense, em passarela. Nos looks, o estilista, que mantém há anos o seu ateliê na cidade, recriou padrões que se repetem na natureza. Suas nervuras tradicionais lembraram o desenho de cristais de gelo e o patchwork reproduziram as ramificações complexas de um sistema fractal.

Conexão manual

O Mãos da Moda, iniciativa da plataforma de criativos Nordestesse e da Riachuelo, desfilou nos três últimos dias do Dragão Fashion Brasil 2026. O projeto promoveu intercâmbios entre estilistas e grupos artesanais da área têxtil. Por meio de uma chamada pública, foram selecionadas oito etiquetas do Nordeste, sendo seis da Bahia e duas da Paraíba (Luci Bortowski, Carnavália, Areia, Adriana Meira, Dua, Teroy 13, Inttuí e Morada). Durante seis meses, essas marcas trabalharam em conjunto com mais de 60 artesãos para a confecção de coleções integradas – de dez a 12 looks para cada uma das colaborações entre designers e associações de artesãos. 

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Adriana Meira, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Dua, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

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Teroy 13, Dragão Fashion Brasil 2026. Foto: Paula Matos

Entre os destaques da ação está a parceria de Adriana Meira com a Associação de Mulheres Artesãs de Barra, Bananal e Riacho das Pedras. Esse encontro ressaltou a beleza dos pontilhados de crivo-rústico. A Dua, especialista em bijuterias, reproduziu o desenho da chita em brincos e colares com o apoio da Chitarte, de Cachoeira. Já a Teroy 13 e a Associação Mulheres do Algodão de Guanambi realizaram uma conversa inusitada e interessante entre a estética clubber e o bordado.  

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