Exposição do MET sobre John Galliano é cancelada 

Prevista para maio de 2027, a exposição de primavera do Costume Institute do MET em homenagem a John Galliano não será realizada. 


John Galliano
John Galliano no desfile de verão 2026 alta-costura da Dior. Foto: Getty Images



O Museu Metropolitano de Arte de Nova York (Met) e o estilista John Galliano anunciaram nesta segunda-feira (31.08) o cancelamento da exposição John Galliano: Horizons, prevista para maio de 2027 e inaugurado com o tradicional baile de gala do Met.

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A decisão ocorre após semanas de crescente pressão pública, política e de doadores do museu, com ameaças de corte de contribuições e remoções de obras emprestadas ao museu. Na última quinta-feira (27.08), Julie Menin, presidente do Conselho Municipal de Nova York, reforçou as críticas ao enviar uma carta à instituição, classificando a retrospectiva sobre a vida do designer como “um grave erro”. 

John Galliano: Horizons pretendia reunir arquivos do britânico desde a sua formatura na Central Saint Martins (1984), englobando as passagens como diretor criativo da Givenchy (1995-1996) e da Christian Dior (1996-2011), além da recente década na Maison Margiela (2014-2024). Seria o terceiro tributo a um estilista vivo organizado pelo Met (os demais foram Yves Saint Laurent em 1983 e Rei Kawakubo em 2017). 

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O anúncio da exposição, em 31 de julho, resgatou o passado controverso do estilista. Em 2011, ele foi demitido da Dior e condenado por crime de ódio por um tribunal francês após ser gravado proferindo insultos racistas e antissemitas em Paris em duas ocasiões distintas. Após o episódio, John Galliano se afastou da vida pública para tratar o alcoolismo e a dependência química. 

“Após muita reflexão e discussão com todos os envolvidos, decidi, com grande tristeza, que é melhor que a exposição não aconteça neste momento. Continuo assumindo total responsabilidade pela dor causada por minhas palavras no passado, particularmente a mágoa que causei às comunidades judaica e asiática, e continuo lamentando profundamente. Entendo que uma reparação significativa não é alcançada por meio de uma exposição, reconhecimento institucional ou um único gesto público. É uma responsabilidade contínua, demonstrada através da escuta, do aprendizado e da própria conduta ao longo do tempo”, declarou o estilista em comunicado publicado em seu perfil pessoal no Instagram.

No mesmo texto divulgado à imprensa, Andrew Bolton, curador-chefe do Costume Institute, afirmou: “Acredito profundamente na responsabilidade dos museus de examinar histórias difíceis com rigor. No entanto, reconheço a dor e a preocupação que esta exposição causou. Após extensas discussões, apoio a decisão de não prosseguir.”

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