Hisha leva o seu bordado sensual às passarelas do Rio Fashion Week

Com um negócio estruturado em cima do trabalho manual e com uma rede de 200 bordadeiras, a Hisha, de Giovanna Resende, se prepara para o seu primeiro desfile na Rio Fashion Week.


Barroca Drop Conceito HISHA
Look da coleção Barroca, da Hisha. Divulgação



O bordado sempre teve uma presença forte na moda brasileira, mas muitas vezes associado à peças para ocasiões especiais. Ampliar essa leitura é um dos motes da Hisha. Fundada em 2018 pela mineira Giovanna Resende, a marca desenvolve roupas casuais e de festa, além de beachwear e acessórios focados nas texturas e volumes que o trabalho manual consegue proporcionar.

Neste ano, a história da etiqueta ganha um novo capítulo com a estreia nas passarelas da Rio Fashion Week no dia 16 de abril. Com cerca de 40 looks finalizados em pouco mais de dois meses, a coleção ultrapassa os 100 itens, incluindo bolsas e sapatos. “A apresentação tem um cunho poético”, diz Giovanna. “Elaboramos uma volumetria que não é comum, com uma grande complexidade de execução, e coisas que não aparecem na linha comercial”, antecipa ela.

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A estilista Giovanna Resende. Divulgação

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As referências barrocas de Minas Gerais servem de inspiração para o début. “Quis trazer a melancolia do movimento artístico, mas com uma releitura minha sobre feminilidade”, explica. “A gente vê o ouro onde ninguém vê: em nós mesmas.” Sem estação definida, as peças vão de biquínis a casacos de veludo, atravessando diferentes contextos e climas.

A ocasião ainda abre espaço para explorar o bordado em novos materiais, como o jeans e o couro, o que exige adaptações especiais nas manualidades. Por trás das criações, existe uma rede de 200 bordadeiras mineiras que mantém a engrenagem funcionando. Hoje, elas participam de etapas que podem levar horas, às vezes dias. “Nosso propósito é valorizar essa profissão, porque é uma mão de obra extremamente complexa e muitas vezes banalizada.”

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Look da coleção de verão 2026 da Hisha. Divulgação

A Hisha nasceu de forma independente e com influência familiar. “Minha avó me ensinou a costurar na infância”, conta Giovanna. Os primeiros desenhos tiveram ajuda da mãe, artista formada em belas artes, enquanto o investimento inicial de mil reais foi emprestado do pai. “Com esse dinheiro, comprei sete jaquetas e as customizei – decorei e pintei. Em uma semana consegui vender todas”, lembra ela que, na época, ainda conciliava tudo com o trabalho de advogada.

O crescimento do empreendimento foi aos poucos e conforme a demanda. “Foi de cinco produtos para dez, de dez para vinte.” Em 2018, Giovanna passou a se dedicar integralmente à moda e o negócio ganhou maior vigor. Nesse momento, a grife ganhou um impulso especial ao viralizar nas redes sociais depois de a influenciadora Thássia Naves compartilhar a imagem de um tênis bordado pela designer.

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O primeiro All-Star bordado. Divulgação

A partir de então, os produtos da Hisha passaram a circular com frequência entre nomes como Maisa, Anitta, Marina Sena e Pabllo Vittar. “Não quero ser uma marca de ocasião, quero que a ocasião seja a marca”, afirma. “Você não precisa comprar uma camisa para usar só uma vez. Use ela com jeans, depois com uma saia. Eu já fui a um casamento com uma peça que visto no dia a dia.”

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Maisa com look da Hisha. Divulgação

Com uma rotina de lançamentos em drops pontuais e operação dividida entre Minas Gerais e São Paulo, a etiqueta conta com um ponto de venda na capital paulista, na Vila Madalena, e se prepara para ampliar a presença física. Entre os planos está a abertura de uma nova loja no bairro dos Jardins, além da chegada ao Rio de Janeiro e a outras cidades. “Também estamos com o Hisha Ateliê, que é uma frente sob medida. Estou fazendo noivas agora, algo que sempre tive vontade de realizar.”

No centro de tudo, a lógica original permanece: transformar a confecção manual em algo cotidiano, com valor real e geração de impacto. “Quando eu vi que isso podia mudar a vida de outras pessoas, não tinha mais como fazer de outro jeito. Virou responsabilidade.”

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