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Fotos: Getty Images
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Em março de 2020, no último dia da semana de moda de Paris, já com um surto de Covid-19 tomando conta de boa parte da Europa, Nicolas Ghesquière apresentou uma coleção para Louis Vuitton que era quase como uma viagem no tempo – com direito a souvenirs de cada década ou período histórico, tudo junto e misturado. O mix de referências não é uma novidade em seu trabalho, mas marcou a coleção de inverno 2020.

Um ano e meio depois, é também um ponto de destaque no verão 2022 da maison francesa, cujo fundador completa 200 anos em 2021. A informação é pertinente, pois o desfile aconteceu na Passage Richelieu, no Museu do Louvre, um longo corredor que levava aos apartamentos da Imperatriz Eugénie, de quem Louis Vuitton, em si, era o fabricante exclusivo de malas.

Casada com o imperador francês Napoleão III, Eugénia de Montijo viveu no final do século 19, viu nascer a alta-costura e os desfiles de moda, e, provavelmente, influenciou a silhueta de quadril armado dos looks que abrem a apresentação. A diferença é que as versões de Ghequière são extremamente leves e, às vezes, até algo sensuais.

Em alguns momentos, as estruturas saem de cena, dando espaço para a fluidez de vestidos em viés usados sobre calças jeans. O denim é um ponto importante aqui. Há tempos longe das passarelas da Vuitton, ele volta em lugar de destaque. Não são poucas as combinações de calças sob vestido, nem as jaquetas com corte de alfaiataria e cheias de elementos históricos cortados no tecido.

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No release da coleção, Ghesquière quis fazer um convite ao grande baile do tempo, onde o tempo, na verdade, é tudo o que menos importa. Daí as combinações de jaquetas esportivas com golas rufo, peças militares com rendas e brocados mais todo um liquidificadoido de referências históricas – às vezes com um leve Guccismo, à la Alessandro Michele, principalmente nos acessórios de cabeça.

"Gosto da figura de um vampiro que viaja através dos tempos, adaptando-se aos códigos de vestimenta da época em que vive, enquanto mantém um certo ar do passado", escreveu o estilista. A referência vem do filme Irma Vep (1996), de Olivier Assayas, que será adaptado para uma série da HBO. Na versão televisiva, é Ghequière o responsável pelo figurino da protagonista, agora interpretada pela atriz Alicia Vikander.


A história do longa é a seguinte: uma atriz de Hong Kong é contratada para estrelar o remake de um clássico Les Vampires (1915), mas não consegue se adequar aos padrões locais de podução e à profusão de egos inflamados no set de filmagens. "Existem algumas imagens incríveis nessa série do início do século 20. Uma delas é um grande baile. À medida em que minhas inspirações progrediram, continuei avançando em direção ao baile e à fantasmagoria que ele implica", explica o diretor de criação, em referência a obra do cinema mudo de Louis Feuillade.

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Um dos principais pontos da produção de Assayas é a linha tênue que separa a realidade da ficção, a arte da vida. Na aula de história de Ghesquière, é fácil se deixar levar pela avalanche de informações, detalhes e referências. Complexidade demais aqui é coisa pouca, parece não importar, ainda mais quando lembramos da escassez e superficialidade de design no mercado.

Ao fim do desfile, contudo, alguns ativistas climáticos invadiram a passarela com mensagens sobre os impactos do consumo excessivo. Eles foram rápida e um tanto violentamente retirados de cena. Mas a imagem já estava lá e o baque da realidade também.

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